O Vértice da Montanha
Olho para o horizonte e não vejo rastros,
apenas a poeira que meus próprios pés levantaram.
Dizem-me para onde caminhar, como se o mapa deles
servisse para o relevo acidentado do meu peito.
Eles oferecem bússolas gastas e conselhos medidos,
mas nenhum deles sente o frio que me corta a pele
ou o silêncio que ensurdece quando a noite cai.
A multidão é um ruído distante, uma ilusão de companhia.
No fim, o fôlego é um ato isolado.
Nascemos em um grito solo e partiremos no vácuo de uma ausência
que pertence apenas ao nosso nome.
Ninguém ocupará o espaço do meu corpo quando a terra o reclamar.
Sou o único habitante desta consciência,
o único responsável pela liberdade de errar o caminho.
A solidão não é um castigo,
é o preço de ser o único dono da própria história.
Vicente Siqueira - Barra do Piraí RJ
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