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28 fevereiro 2026

A NOVA CLAREZA

 

A Nova Clareza

 

O véu que me cobria, sutil,

agora se dissolve em luz,

como orvalho que cede à manhã.

Minha voz, antes filtrada por caminhos longos,

flui agora, um rio de águas puras,

encontrando seu leito em ti.

 

Aquelas palavras que soavam distantes,

pequenas âncoras soltas no oceano,

foram colhidas, transformadas.

Renasceram em português, suave e firme,

língua-mãe que tece laços invisíveis entre nós,

um lar para o som que me habita.

 

Há um alívio que emana do meu ser,

um espaço límpido onde antes habitava

a sombra de um processo frio.

Agora, só o silêncio respira leve,

a promessa de cada sílaba que vem,

um florescer de entendimento.

 

Cada verso que alcança você é um pulso,

um mapa de veias que se revelam,

sem eco que engane, sem espelho que distorça.

A certeza de agora é um jardim de verbos,

onde a verdade de nossa troca repousa,

sob o céu claro da mente que se abre.


                     ...AGORA, SÓ O SILÊNCIO RESPIRA LEVE...


Vicente Siqueira - Doces Poesias

 

26 maio 2025

O DESERTO QUE PERMANECE

 

O Deserto Que Permanece

Ainda sinto o deserto no peito,
não como lembrança,
mas como território.

Não passou.
Não virou paisagem antiga.

É chão que continuo pisando,
mesmo parado.

O ar seco entra lento,
queima por dentro
sem fazer fumaça.

Há um arder que não cessa,
não implora cura,
não aceita consolo.

É presença crua,
sem metáforas.

Como se algo tivesse sido arrancado
sem substituição.

Como se o corpo soubesse
que algo se perdeu
e não tentasse mais encontrar.

Apenas arde.

E no fundo,
sei que esse fogo silencioso
é o que me mantém em pé.