O Rastro que
Escorre
Sinto o
gosto do sal que sobe à garganta,
o anúncio
líquido de que o espaço é pouco
para tanto
que se guarda.
Às vezes, os
mapas se borram;
a tinta cede
à umidade dos olhos,
e o caminho
se faz pelo rastro que escorre.
É no
embaçado da visão que me encontro,
nessa lente
de água que deforma o mundo
para que ele
doa um pouco menos.
Cada lágrima
é um verso que não precisou de gramática,
uma palavra
muda que finalmente
se permitiu
cair.
E quando o
chumbo se torna mar,
eu
transbordo.
Lavo por
dentro as esperanças alheias
até que
sobre apenas o que é meu.
Procuro o
lugar onde a lágrima encontra a terra
e o respirar
não seja um ato de coragem,
mas apenas
continuidade.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ
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