A Paz Além do Descanso
E a paz além do descanso, um estado que transcende
o simples alívio de um peso que se vai.
Não é a quietude que sucede a tempestade,
mas uma ausência de necessidade,
onde o anseio e a busca se dissolvem.
É a serenidade que não depende de sono,
nem de pausas, nem do fim de uma jornada.
É o ponto onde a consciência se aquieta,
livre dos ecos do passado, das promessas do futuro.
Uma leveza indescritível,
que não é a ausência de peso, mas a ausência de esforço.
Nesse lugar, a existência apenas é,
sem a urgência do tempo, sem a pressão do desejo.
É a dissolução da própria busca,
a descoberta de que a paz não é um destino,
mas o próprio vazio preenchido de si mesmo.
O Vazio Que Se Auto-Preenche
E o vazio que se auto-preenche, um paradoxo
que desfaz a lógica do que é ausência.
Não é um nada que espera ser completo,
mas uma plenitude que surge de si,
uma existência que se basta sem ter.
É como a vastidão do céu noturno,
que parece vazio, mas é infinito em estrelas invisíveis,
uma profundidade que se revela em sua própria essência.
Não há necessidade de adição, de preenchimento externo,
pois a essência já está ali, em cada não-coisa.
Nesse espaço, a paz é a própria matéria,
o silêncio, a voz mais alta que se pode ouvir.
É a libertação do conceito de falta,
a descoberta de que o vazio não é carência,
mas a forma mais pura de ser, a totalidade em sua vastidão.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ