VULNERÁVEL, EU E TU
DOCES POESIAS - VICENTE SIQUEIRA
"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
01 junho 2026
VULNERÁVEL, EU E TU
31 maio 2026
A CAPACIDADE DE NEGAR
A CAPACIDADE DE NEGAR
25 maio 2026
LANCES POR AMOR
APRENDENDO A DIZER NÃO
Aprendendo a
Dizer Não
Sento-me na
beira do vazio
o peso do
mundo sobre mim.
Quis caber
em todos os lugares,
fui abraço
para quem me feriu,
caminho para
quem me deixou.
A voz que se
esconde no meu peito
ensaiou um
"sim" por tempo demais,
e a palavra
que precisava ser dita
se dissolveu
no ar, frágil e muda.
Mas sinto
agora um tremor,
uma força
que nasce do cansaço,
e a frase
que me liberta
ecoará em
cada fenda,
em cada
lugar que eu não posso mais ser.
A minha vida
se fará de "nãos",
e a minha
paz, de novos "sins".
Vicente Siqueirq - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
24 maio 2026
LABIRINTOS DA ALMA EM FLOR
Labirintos da Alma em Flor
Eu me pego observando as trepadeiras na parede antiga,
seus caules emaranhados,
as folhas novas despontando verdes e tenras.
Uma metáfora viva, penso,
para os labirintos que guardo aqui dentro.
Minha alma, às vezes,
parece um jardim em constante crescimento,
com veredas que se cruzam
e becos sem saída que se abrem de repente.
Eu tento mapear esses caminhos,
entender por que certas portas se fecham
e outras, inesperadamente, se escancaram.
Há flores que desabrocham em lugares sombrios,
resilientes, teimosas.
E há sementes que se recusam a brotar,
mesmo sob o sol mais intenso.
Eu as rego com minhas dúvidas,
com a água dos meus pensamentos.
Às vezes, me perco nesses meandros,
andando em círculos,
buscando uma saída que parece não existir.
A voz da inquietação sussurra em meus ouvidos,
enquanto a esperança, um fio tênue,
me guia por entre as folhagens.
Eu toco as pétalas de uma flor recém-aberta,
seu toque suave me acalma.
Ela não tem pressa,
apenas existe em sua plenitude.
E eu, eu também aprendo a existir.
Descubro que o labirinto não é para ser vencido,
mas para ser percorrido.
Cada curva, uma nova perspectiva.
Cada folha, uma lição de paciência.
É nesse emaranhado de vida e emoção
que minha alma floresce,
nem sempre de forma perfeita,
mas sempre em busca de luz.
E é ali, no centro desse meu próprio jardim,
que eu me encontro,
um pouco mais desvendado,
um pouco mais em paz.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Pira RJ.
23 maio 2026
O PESO E A LEVEZA DE UMA PALAVRA
O Peso e a Leveza de
uma Palavra
A rede jaz vazia, o
mar de cansaço nos ossos,
Mais uma noite que se
vai, a esperança em pedaços.
O suor salgado, a
frustração amarga no peito,
Voltamos à praia com o
fardo do esforço não feito.
Então chegas Tu,
Mestre, e a rotina se quebra,
O olhar sereno que o
desânimo quebra.
Pedes o barco
emprestado, falas à multidão,
E a Palavra, Tua
Palavra, toca o coração.
A multidão se
dispersa, e o silêncio se instala,
E ouço a ordem
inusitada que minha alma embala:
"Avança para o
fundo, Pedro, e a rede, lança de novo..."
Um eco de areia e sal,
que fere e que renova.
O peixe não estava lá,
sei bem, a lógica berra,
Passei a noite
inteira, conheço esta terra.
O corpo reclama, a
razão me manda parar,
Mas algo em Teu tom me
obriga a Te escutar.
E a voz se eleva,
cansada, mas firme e rendida,
Um misto de fé
nascente e de vida vivida:
"Mestre,
trabalhamos a noite, nada apanhamos...
Mas por Tua Palavra, a
rede outra vez lançamos."
Não é por mim, nem por
força ou por merecimento,
É o peso de um Verbo,
o sopro de um Novo Tempo.
O mar se dobra ao comando,
a lógica se curva ao Teu querer,
E o impossível se faz,
para quem ousa crer.
A rede se enche,
transborda, é milagre e é assombro,
O barco quase afunda
sob tanto ombro.
Não foi a técnica, não
foi o braço forte na lida,
Foi a obediência
simples que mudou toda a minha vida.
A Palavra d'Ele é o
anzol que resgata,
A âncora que prende, o
farol que me acata.
Por Sua Palavra, sou
pescador de homens, agora,
E lanço a esperança,
sem medo, pela aurora.
The Weight and
Lightness of a Word
The net lies empty,
the sea of fatigue in our bones,
Another night that
passes, hope broken into pieces.
The salty sweat, the
bitter frustration in my chest,
We return to the shore
with the burden of unaccomplished effort.
Then You arrive,
Master, and the routine breaks,
The serene look that
shatters the discouragement.
You ask for the boat
on loan, You speak to the crowd,
And the Word, Your
Word, touches the heart.
The crowd disperses,
and silence settles in,
And I hear the unusual
command that cradles my soul:
"Go out into the
deep, Peter, and once again, cast the net..."
An echo of sand and
salt, that wounds and renews.
The fish were not
there, I know well, logic screams,
I spent the whole
night, I know this land.
The body complains,
reason tells me to stop,
But something in Your
tone compels me to listen.
And the voice rises,
tired, but firm and surrendered,
A mixture of nascent
faith and life lived:
"Master, we've
toiled all night, and caught nothing...
But at your word, we
will let down the nets again."
It is not for me, nor
by strength or by merit,
It is the weight of a
Verb, the breath of a New Time.
The sea bows to the
command, logic bends to Your will,
And the impossible is
done, for those who dare to believe.
The net fills,
overflows, it is a miracle and an awe,
The boat almost sinks
under such a load.
It wasn't the
technique, it wasn't the strong arm in the labor,
It was the simple
obedience that changed my whole life.
His Word is the hook that rescues,
The anchor that holds,
the lighthouse that guides me.
At His word, I am a
fisher of men, now,
And I cast hope, without fear, towards the dawn.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ