01 maio 2026

GRITO APRISIONADO

   O grito aprisionado por vezes sufoca a alma.

                                                         Vicente Siqueira



 "O grito que se dissolve internamente, acumula peso."


Vicente Siqueira

O PREÇO ÍNFIMO DA LIBERDADE

 

O Preço Ínfimo da Liberdade

Ele caminhava pela rua, ou talvez se arrastasse por dentro de si mesmo – as fronteiras eram sempre tão tênues. A liberdade, aquela palavra que ecoava como um sino rouco nos seus pensamentos, parecia pairar à distância, uma miragem cintilante no asfalto quente. Mas o peso nos ombros, um fardo invisível tecido de expectativas e silêncios engolidos, lembrava-o a cada passo da sua prisão. Não as grades de ferro, mas as invisíveis, construídas com a argamassa do medo e da obrigação.

 

A busca pela liberdade não era um grito heroico, mas um murmúrio hesitante nos seus dias. Um desejo de despir-se da couraça forjada pela necessidade de ser forte, de ser provedor, de ser o esteio. E sob essa couraça, ele pressentia a pulsação frágil de um coração que ansiava por se mostrar vulnerável, por confessar o cansaço, o medo da falha, a sede de um afeto desprovido de cobranças.

 

A liberdade que ele buscava não era a de voar alto e solitário, mas a de pousar em terra firme, sem a máscara do invencível. Era a permissão para sentir a dor sem a urgência de escondê-la, para derramar uma lágrima sem a vergonha de ser visto. Era, em suma, a licença para ser imperfeito, para ser humano em sua mais crua e delicada essência.

 

E nessa procura hesitante, ele descobria o paradoxo: a verdadeira liberdade não residia na ausência de correntes, mas na coragem de expor as feridas, de aceitar a própria vulnerabilidade como parte intrínseca da sua humanidade. O preço da liberdade, ele percebia, não era a luta grandiosa, mas o gesto ínfimo de abaixar a guarda, de confessar a própria fragilidade. E nesse gesto, surpreendentemente, encontrava uma força que jamais imaginou existir. A liberdade, afinal, era a casa onde a alma, despida de suas armaduras, podia finalmente respirar.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ

30 abril 2026

DEPOIS DA EUFORIA

 

Depois da Euforia

O eco dos tambores ainda paira,
mesmo quando a praça já dorme.
Pisaram os confetes com pressa,
mas o vazio ficou de mãos dadas comigo.

As ruas gritavam cor, mas meus olhos,
abafados por tanta promessa,
viam apenas o chão —
molhado, brilhante de sobras.

Dancei com a multidão sem ser notado,
fui mais máscara do que rosto,
mais silêncio do que canto,
mais ausência do que desejo.

No rastro das serpentinas, busquei sentido,
mas só encontrei retalhos de mim mesmo
perdidos entre trios, brilhos e o som
de algo que prometia ser alegria.

E quando veio a quarta-feira,
não houve cinzas —
houve um espelho.
E nele, o meu cansaço vestido de festa.


Carnaval e o Sentido

O eco dos tambores atravessava os séculos,
como se a alegria pudesse justificar o tempo.
Mas eu, partícula hesitante da massa,
perguntava: quem sou entre mil rostos?

As serpentinas cortavam o céu como perguntas,
sutilezas coloridas num mundo que afunda.
O samba, tão vibrante, deslizava no asfalto,
mas em mim era abismo que não sabia dançar.

Entre máscaras sorridentes e passos precisos,
fui o intervalo, o sem-nome, o intervalo.
Porque quem grita com todos
é também quem escuta a si mesmo com medo.

A euforia dos outros me atravessou
sem jamais me pertencer.
O sentido escorregava como serpentina molhada
entre os dedos da consciência desperta.

E quando a quarta-feira chegou,
não foi fim, nem recomeço.
Foi só mais uma pergunta,
silenciosa e eterna:
vale mesmo a pena fugir de si
em nome de um instante brilhante?


Carnaval e o Sentido (continuação)

As ruas, tão cheias de passos e batuques,
ficaram desertas quando o som cessou.
Mas o vazio — esse não partiu.
Ele sentou-se ao meu lado, sem pedir licença.

Vi sorrisos sendo desfeitos no espelho do metrô,
fantasias esquecidas nos cantos da calçada,
e pensei: será que também eu fui inventado?
Será que minha alegria era só reflexo?

No fundo do peito, uma vontade de crer,
de que algo, talvez pequeno,
tivesse sido real naquela dança.
Mas o real é duro, e nem sempre dança.

E se a festa é um disfarce coletivo,
será a solidão o único nome sincero?
Ou será que no meio da multidão
a alma apenas cochila, à espera de um toque?

Porque o corpo pode pular, girar, cantar,
mas há perguntas que pulsam em silêncio:
Por que o riso exige tanto esforço?
E por que o silêncio é tão pesado depois?


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Vicente Siqueira RJ

29 abril 2026

FÔLEGO BREVE

 

Fôlego Breve

 

O universo, um suspiro.

A existência, um piscar de olhos,

entre o nada que foi e o nada que será.

Pontos luminosos, destinos dançando

num ballet cósmico, efêmero.

A gravidade, um abraço fugaz,

que nos prende à poeira estelar,

antes que o sopro se dissipe.

 

O tempo, uma ilusão,

desdobra-se em camadas sutis.

O agora, um portal minúsculo,

onde o infinito se encontra.

Em cada respiração, um ciclo completo:

nascimento, vida, dissolução.

A eternidade, encapsulada

na brevidade de um instante.

Não há antes, não há depois,

apenas o eco do presente.

 

E a finitude, não um fim,

mas a essência da forma.

O contorno do que somos,

desenhado pela fragilidade.

Cada batida do coração,

um relógio que se cala,

mas que ressoa no todo.

Um átomo pensante,

diluído no oceano do ser,

testemunha silenciosa do próprio desaparecimento.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ



27 abril 2026

LABIRINTO DE ECOS

 

 Labirinto de Ecos

 

Os pensamentos, um enxame voraz,

ecoam nas paredes da mente.

Fragmentos, sussurros,

perguntas sem resposta,

um coro dissonante

que insiste em não calar.

 

Onde a certeza se esvai,

a busca se intensifica.

Um mapa rasgado,

passos incertos na neblina densa.

Quem sou, no fim das contas,

além do eco das vozes alheias?

A verdade, um espectro,

dança na borda do precipício.

 

Existir, um peso invisível,

uma tela em branco à espera de cor.

O abismo me chama, suavemente,

e o silêncio da noite, cúmplice,

revela a própria face do vazio.

Entre o ser e o nada,

um fio tênue, quase invisível,

onde a alma se pendura,

sem saber por que persiste.  


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



25 abril 2026

ABRAÇO DESPERTADO

 

 Abraço Despertado

 

A névoa se dissipou dos olhos,

não mais a incerteza dançando,

mas a promessa do que se reconhece.

Nossas vidas, antes em paralelo,

encontraram a confluência esperada.

 

As distâncias se encurtaram,

não mais ecos de palavras vazias,

mas o sussurro de um compromisso que brota.

A felicidade, antes perdida,

renasceu sob o peso dos lençóis,

no calor de um toque finalmente encontrado.

 

O sorriso que irradia,

os sons despropositais que coroam os desejos,

tudo se alinha.

A insônia, que era menino a sonhar,

agora é a calma de quem vê o sonho realizado.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ

23 abril 2026

CÓDIGO DO TATO

 

Código do Tato

Entre um hiato e outro,

o silêncio não é vazio:

é uma arquitetura de esperas.

 

Ali, onde a fala desiste,

a língua inventa outra semântica.

Um léxico tátil que percorre o mapa

do corpo

e traduz o desejo em calafrio.

 

Cem palavras se anulam.

Sem palavras, o verbo se torna

puro pulso.

O mutismo não é falta;

é a ciência de quem decifrou

a cifra sagrada do encontro.

 

O universo, que antes era imenso,

agora se condensa.

Ele pulsa,

secreto e vasto,

bem debaixo da nossa pele.

21 abril 2026

MEMÓRIA DO FUTURO NÃO VIVIDO

 

Memória do Futuro Não Vivido

 

Entendo perfeitamente essa sensação. É como se esse eco silente fosse a própria voz de um futuro que se desenhou na minha juventude, uma promessa que, por algum motivo, não se concretizou. É a melancolia doce de um caminho que esteve ali, quase palpável, e que hoje habita minhas lembranças como uma paisagem ancestral, visitada apenas pelo pensamento.

 

Essa juventude, tão distante agora, guarda os vestígios daquele "eu" que sonhava e planejava, e cujos desejos ecoam ainda hoje, mesmo que de forma discreta. É uma parte da minha história, rica e complexa, que continua a existir nesse espaço íntimo entre o passado e o presente.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



19 abril 2026

INVENTÁRIO DO VAZIO

 

 

Inventário do Vazio

Houve um tempo

de extravios mútuos.

Eu era o seu labirinto,

você, a minha bússola quebrada.

Navegávamos um no outro

até esquecer as margens.

 

Depois, veio a geometria seca

da distância.

A precisão do desapego

que nos subtraiu.

 

Não foi apenas o fim.

Foi a erosão das palavras.

 

Hoje, não nos buscamos

porque não há mais o que achar.

O saldo não é a falta,

é o deserto.

Perdemos o hábito,

o rastro

e, por fim, o dicionário.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ

17 abril 2026

GEOMETRIA DO ENLACE

 

Geometria do Enlace


Quando o abismo for o encontro

e a distância entre os corpos

se resumir ao fôlego,

o mapa perderá suas rotas.

 

As linhas das mãos, dos caminhos

e dos anos vividos

serão fios de uma mesma trama,

tecendo, às cegas,

o que chamamos de amanhã.

 

Não haverá margem para o "eu".

Seremos a costura bruta,

o ponto cruzado,

o avesso que ninguém vê.

 

E ao olharmos para fora,

não haverá horizonte,

apenas a paisagem vasta e densa

desse emaranhado

onde os laços viraram nós,

e os nós viraram nós mesmos.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



15 abril 2026

CEIA DO VERBO

 

Ceia do Verbo

Tenho urgência de fomes.

Hoje, dispenso as metáforas suaves;

invoco bocas, o gume das unhas,

o impacto branco dos dentes

sobre a urgência da vida.

 

Haverá tempo para as asas.

Haverá tempo para o voo e para o azul.

Mas agora, o sagrado é tátil.

 

Decifra-me o espírito,

mas não poupes a carcaça.

Devora o que é denso e humano em mim.

 

Nesta comunhão profana,

as palavras se tornam sangue.

O poema não habita mais a página:

ele ocupa o meu peito, as minhas vísceras.

 

Não busques o autor.

Hoje, o poema é o sopro

e eu sou a carne

onde ele se faz verdade.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



13 abril 2026

A GRAMÁTICA DO EFÊMERO

 

A Gramática do Efêmero

Existem frestas no tempo

onde o olho não alcança,

mas a alma pressente.

É o instante em que o invisível

decide, por um descuido,

roçar o que em nós é intocável.

 

Nesse átomo de luz,

os sentidos se confundem:

o que eu vejo, já é tato;

o que eu sinto, já é visão.

 

Fico ali, suspenso,

com a boca cheia de abismos,

tateando o vocabulário das sombras.

É uma mudez que quase grita.

 

Por um triz,

o mistério não se faz frase.

Por um verso,

eu não domino o indizível.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ

11 abril 2026

TERMODINÂMICA DO AMANHÃ

 

 

Termodinâmica do Amanhã

Somos este banquete de urgências,

onde a química do sangue

celebra o encontro.

Um motim de hormônios

que não pede licença para arder.

 

As palavras, todas elas,

entraram em ponto de fusão.

Não são mais signos,

são lava,

são hálito em ebulição

escrevendo no escuro.

 

Dois universos que se colidem

e, em vez de caos,

geram música.

Um dueto de instantes

sustentando o peso do mundo.

 

Fazemos esse barulho de vida

para que o tempo tome nota.

Pois o amanhã não é espera:

é este rastro de luz

que deixamos agora.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ

09 abril 2026

GEOMETRIA DA INÉRCIA

 

Geometria da Inércia

Estou suspenso.

Habito esse hiato,

essa fresta de in/atividade

onde o tempo não escorre,

apenas acumula.

 

O meu silêncio deixou de ser pausa.

Agora, ele tem massa,

tem gume,

tem o peso de uma armadura

que se fecha pelo lado de dentro.

 

Dói com uma precisão cirúrgica.

Não é uma chaga aberta,

não há o vermelho do sangue,

há apenas essa pulsação surda

de algo que se prepara para romper.

 

É um ferimento em estado de espera.

Uma dor que ainda não tem nome,

mas que já ocupa o corpo todo,

tateando a pele,

procurando o lugar exato

onde o grito vai nascer.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



(a)Temporal

nuvens
de flores
brisa
de perfumes

chuva
de pétalas
em noites
de sol

Wilson Guanais


07 abril 2026

A COR DO OCASO

 

A Cor do Ocaso

 

O desejo, uma brasa ainda acesa,

sob as cinzas de um encontro findo.

Lembra a cor do céu naquele instante,

um laranja melancólico tingindo a memória.

 

O silêncio, agora um lençol pesado,

cobrindo o leito onde ecoavam risos.

Nele, a ausência borda arabescos invisíveis,

a falta tactível de uma mão na sua.

 

Os encontros, fragmentos de um sonho,

estilhaços de vidro refletindo um paraíso breve.

A intensidade do toque, a vertigem do olhar,

preservados como âmbar contra o tempo.

 

As despedidas, um nó na garganta,

um horizonte que se distancia embaçado.

A promessa sussurrada ao vento,

uma semente teimosa na terra árida da saudade.

 

Mas mesmo no vazio da separação,

persiste a melodia tênue do querer,

a esperança, pequena chama vacilante,

de um novo encontro ao acaso da vida.


Viente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ



06 abril 2026

RUÍNAS ÍNTIMAS

 

Ruínas Íntimas

 

Pontes desabam sob meus pés,

como cadafalsos da alma.

A travessia interrompida,

o abismo escancarado,

onde a esperança se espatifa

em destroços e silêncio.

 

Cada passo tentado,

uma nova ruína a surgir.

Os pilares da fé, corroídos,

cedem ao peso invisível

da angústia e da incerteza.

 

O corpo cambaleia na borda,

o olhar perdido no vão.

As promessas de outrora,

agora fantasmas pálidos,

pairam sobre a cratera.

 

E no lugar da passagem segura,

apenas a memória da travessia,

um eco distante de um tempo

em que os caminhos se abriam

sem a ameaça constante da queda,

sem a fria constatação

de que o chão pode sumir

sob o peso dos próprios passos.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ


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05 abril 2026

O MAPA DA PELE

 

O Mapa da Pele

 

Os dedos, cartógrafos do corpo,

deslizam por planícies e vales,

decifrando o relevo da saudade.

Cada toque, um mapa secreto,

onde os lábios reencontram

o caminho da sede.

 

A ausência, um continente inexplorado,

onde as palavras se perdem

e o silêncio ganha contornos.

O eco da voz que se calou,

uma bússola quebrada,

apontando para o vazio.

 

Nos encontros breves,

o tempo se dobra em origami.

Um olhar, um gesto,

um universo inteiro

caber em um instante roubado.

A promessa suspensa no ar,

um fio invisível ligando

dois pontos no infinito.

 

E as despedidas,

portos de partida,

onde os navios da alma

desfazem os nós.

O adeus, um vento frio,

levando consigo

pedaços da paisagem interna.

Mas a esperança, teimosa,

ancorada no cais do peito,

aguarda o próximo embarque.



Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ



03 abril 2026

POLIGLOTA DAS PELES

 

Poliglota das Peles

Minha mente é um labirinto de artes: coleciona pecados como quem guarda relíquias e se diverte no escuro da intenção. Enquanto isso, minha boca — mais prática — desenha gracejos na geografia das peles.

Tenho um vício em subversões. Gosto de desorientar o dicionário, trocando o peso das vírgulas pelo calor do toque, fazendo o sentido das coisas mudar de lugar.

Não é apenas um encontro; é uma torre de Babel construída no espaço de um abraço. Sou poliglota no silêncio: falo todos os idiomas do prazer dentro de um único beijo sortido de urgências.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



01 abril 2026

MONÓLOGO DA ÍRIS

 

O Monólogo da Íris

Meus olhos perderam a gramática das ruas.

Desprezaram a vastidão das paisagens

e a distração das cores mundanas.

Eles se tornaram especialistas

em um único relevo: o teu.

 

Há uma monotonia sagrada no meu ver.

Uma insistência da pupila

que se recusa ao novo,

preferindo o conforto do conhecido.

 

Minha visão virou discurso.

Um vocabulário de luz e sombra

que, mesmo em silêncio,

não sabe pronunciar outros nomes.

 

Sou um prisioneiro voluntário

desse horizonte restrito.

Pois, de tanto te buscarem,

meus olhos aprenderam que a beleza

não mora na variedade,

mas na precisão de onde decidem

pousar.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



24 março 2026

DOCE POESIA

 

Doce Poesia

De Vicente Siqueira (Adaptação para Jogral)

 

(Todos - Uníssono):

Há uma doçura que não vem do açúcar,

Vem do verso que se molda no paladar da alma.

 

(Voz 1 - Masculino):

Escrevo com o mel da vivência,

Pintando em papel a cor do sentimento.

Não é apenas rima, é sobrevivência,

É o silêncio que rompe o isolamento.

 

(Voz 2):

Cada estrofe é um pedaço de fruta madura,

Colhida no pomar de um tempo que passou.

A poesia é a mão que cura,

Onde a amargura o mundo deixou.

 

(Voz 1 - Masculino):

Se a vida trava o passo e o gosto,

Eu tempero o dia com a palavra exata.

 

(Todos - Uníssono):

Pois não há inverno, cansaço ou desgosto,

Que uma doce poesia não desbarata!


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ