A Cor do Ocaso
O desejo, uma brasa ainda
acesa,
sob as cinzas de um
encontro findo.
Lembra a cor do céu
naquele instante,
um laranja melancólico
tingindo a memória.
O silêncio, agora um
lençol pesado,
cobrindo o leito onde
ecoavam risos.
Nele, a ausência borda
arabescos invisíveis,
a falta tactível de uma
mão na sua.
Os encontros, fragmentos
de um sonho,
estilhaços de vidro
refletindo um paraíso breve.
A intensidade do toque, a
vertigem do olhar,
preservados como âmbar
contra o tempo.
As despedidas, um nó na
garganta,
um horizonte que se
distancia embaçado.
A promessa sussurrada ao
vento,
uma semente teimosa na
terra árida da saudade.
Mas mesmo no vazio da
separação,
persiste a melodia tênue
do querer,
a esperança, pequena chama
vacilante,
de um novo encontro ao
acaso da vida.
Viente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ