07 novembro 2026

MESMICE?


Mesmice? 


Há manhãs que chegam devagar,

com a luz pousando nas coisas
como quem pede licença.

Há outras que abrem a janela
sem perguntar se estamos prontos.

Mas a dor conhece os caminhos.
Às vezes volta pelo nome de alguém,
às vezes pelo silêncio
que ficou depois.

Muda o motivo,
muda o peso,
muda até o lugar do corpo
onde a tristeza se senta.

E, ainda assim, há algo que permanece:
um coração aprendendo,
dia após dia,
a carregar o que não escolheu
e a encontrar, entre as feridas,
um pouco de espaço para respirar.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ



05 novembro 2026

NEM UM DIA É IGUAL AO OUTRO

 Nem um dia é igual ao outro.


Cada dia, uma face.
A dor, a mesma sombra
trocando de nome.


Vicente Siqueira - Doces poesias - Barra do Piraí - RJ




03 novembro 2026

DIAS DIFERENTES

 Dias diferentes

A dor troca de nome
E a luz renasce


Dias sem iguais
A dor troca de nome
Sombra que fica


Cada manhã se refaz,
mesmo após noites sem calma;
a dor se afasta, e traz
um novo sol dentro da alma.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ



01 novembro 2026

UM NOVO SOL POR DENTRO

 Um Novo Sol por Dentro


Cada manhã renasce em carvão,
e a noite me veste de frio;
a dor crava as unhas no chão,
mas arde — e não vence o vazio.


Cada dia traz sua cor,
mesmo quando vem a dor;
ela muda, vai embora,
e a esperança nasce agora.


Cada manhã nasce em carvão.

A noite me veste de frio
e a dor deixa marcas
onde antes havia chão.

Ainda arde.
Ainda pesa.

Mas, no escuro,
algo em mim
se recusa a desaparecer.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



31 outubro 2026

FICOU

 Ficou

Ainda arde
o que não soube partir.

Ainda pesa
o silêncio acumulado
nos cantos do peito.

Mas sigo —
com a noite nos ombros
e uma pequena chama
que não aprendeu a desistir.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



30 outubro 2026

AFETO EM ESTADO BRUTO

 Afeto em Estado Bruto

não é bonito.
não vem organizado.

é um afeto sem embalagem,
sem legenda,
sem manual.

aparece de repente
no meio do peito,
feito vontade de encostar
a testa em alguém
e ficar quieto.

não pede promessas.
pede presença.

é esse calor torto
que sobe pelo corpo
quando um nome atravessa o pensamento
sem aviso.

afeto em estado bruto
não sabe se defender.
ele chega aberto,
meio criança,
meio ferida.

não tem estratégia.
só acontece.

às vezes dói.
às vezes salva.
quase sempre desarma.

é um impulso simples:
querer cuidar,
querer ficar,
querer dividir o silêncio.

não fala bonito.
fala com o corpo.

mora nos gestos pequenos:
um copo d’água oferecido,
uma mão nas costas,
um “chegou bem?” enviado tarde da noite.

afeto bruto não promete eternidade.
ele só insiste no agora.

é vulnerável.
é desajeitado.
é verdadeiro demais pra caber em frases prontas.

e eu deixo.

deixo atravessar minhas defesas,
meus medos antigos,
meu histórico de quedas.

aceito esse amor sem acabamento,
essa vontade sem garantia,
essa coragem que não sabe o caminho
mas anda mesmo assim.

afeto em estado bruto
é isso:

um coração ainda em reforma
escolhendo sentir
apesar de tudo.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ 


Nenhum dia se repete.
A dor, sim —
só troca de nome.

    Vicente Siqueira