16 fevereiro 2026

O PERFUME DO VAZIO

 O Perfume do Vazio

 

Rastro invisível,

mas presente,

cheiro de ausência que permeia.

Grudado nas cortinas,

nas retinas,

no travesseiro ainda marcado,

no silêncio que antes era riso,

e que agora é apenas ar pesado.

 

É um armário vazio,

com a fragrância fantasma

de uma camisa que não está mais lá.

Xícara esquecida na pia,

sem vapor, 

sem rotina.

 

Sou eu a me misturar ao pó nos móveis,

à luz que bate na parede

onde a foto não foi pendurada.

E tem a nota que falta no acorde,

a palavra que foi mal proferida,

talvez nem tenha sido dita,

mas que ainda vibra na língua.

 

Não dá para lavar,

nem ventilar para fora.

A ausência se refestelou

nas paredes.

na memória,

nos livros e nos cadernos,

e até na falta de frases.

Mas a memória ainda respira

como um fantasma olfativo

que envolve, 

suave e denso,

no espaço que um dia foi cheio.


Doces Poesias - Vicente Siqueira - Barra do Piraí RJ



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