O Perfume do Vazio
Rastro invisível,
mas presente,
cheiro de ausência que permeia.
Grudado nas cortinas,
nas retinas,
no travesseiro ainda marcado,
no silêncio que antes era riso,
e que agora é apenas ar pesado.
É um armário vazio,
com a fragrância fantasma
de uma camisa que não está mais lá.
Xícara esquecida na pia,
sem vapor,
sem rotina.
Sou eu a me misturar ao pó nos móveis,
à luz que bate na parede
onde a foto não foi pendurada.
E tem a nota que falta no acorde,
a palavra que foi mal proferida,
talvez nem tenha sido dita,
mas que ainda vibra na língua.
Não dá para lavar,
nem ventilar para fora.
A ausência se refestelou
nas paredes.
na memória,
nos livros e nos cadernos,
e até na falta de frases.
Mas a memória ainda respira
como um fantasma olfativo
que envolve,
suave e denso,
no espaço que um dia foi cheio.
Doces Poesias - Vicente Siqueira - Barra do Piraí RJ
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