O resto é
invenção
A gente
passa a vida inventando moda,
querendo que
cada passo tenha um sentido,
uma placa
indicando o caminho,
um troféu no
final da tarde.
Mas a tarde
não dá troféu pra ninguém.
Ela só vai
ficando alaranjada,
vai
esfriando o café no fundo da xícara
e avisando
que o dia já deu o que tinha que dar.
O bonito
mesmo é esse descompromisso.
É olhar pro
próprio pé e ver que ele sabe andar
sem precisar
de mapa ou de fanfarra.
É responder
quando alguém chama a gente
e sentir que
o nome cabe direitinho no corpo.
Tem gente
que acha que viver é um palco,
que precisa
de luz acesa e olho em cima.
Mas a vida
de verdade acontece no escuro do peito,
naquela
respirada funda que a gente dá
quando
finalmente encosta as costas na cadeira.
Ninguém tá
vendo, e daí?
O ar tá
entrando, o sangue tá correndo,
e o mundo
continua girando sem pedir nota fiscal.
No fim das
contas, Vicente,
o que sobra
é esse silêncio bom
de quem sabe
que não precisa provar nada pra ninguém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário