Vestígios
Silenciosos
As palavras,
pesadas ou leves,
moldam o ar
que respiramos.
Ferem com a
mesma agudeza
com que curam,
se ditas a tempo.
Cada fonema,
um vestígio,
de um
pensamento que se fez ponte,
ou um abismo,
entre o eu e o mundo.
No emaranhado
de sentidos,
a verdade se
dobra, se esconde,
um jogo de
espelhos e ecos.
E a memória,
um tecido frágil,
bordada com os
fios da linguagem.
O que se diz,
o que se cala,
redefine o
ontem, refaz o presente.
Cenas
embaçadas, vozes distantes,
reanimadas por
um termo, um gesto.
Um léxico
particular,
gravado nas
entranhas do ser,
onde cada
palavra é um relicário.
O tempo,
implacável artesão,
esculpe as
frases no vazio.
Apaga algumas,
ressalta outras,
dando-lhes
novos contornos.
O que foi
dito, para sempre flutua,
no espaço
entre o antes e o agora.
E o peso das
palavras,
revelado na
ausência,
no silêncio
que se estende,
muito além de
qualquer som.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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