Anatomia do Silêncio
Deixei a armadura na soleira. Tudo o que parecia urgente, todas as vitórias que eu devia conquistar, ficaram do lado de fora.
Há uma verdade que só o corpo sabe. Uma verdade que acontece nos intervalos invisíveis do tempo, longe dos palcos e dos aplausos forçados.
Um território quieto, subterrâneo, onde o ar entra e sai sem pedir licença ao mundo. Um pulmão que se enche simplesmente porque está vivo.
Aqui não há performance. Não preciso me esforçar para parecer inteiro. A vida continua mesmo quando ninguém me olha, mesmo quando esquecem de perguntar se ainda tenho forças.
Talvez a forma mais pura de resistência seja esta: reivindicar o que me pertence interiormente. Respirar. Não para provar que ainda estou aqui. Mas porque, afinal, eu estou.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ
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