10 janeiro 2026

ECO DA RAIZ

 Eco da Raiz



Sou o único habitante de uma consciência primal,
um território de rocha viva e instinto cru
onde as palavras do mundo não conseguem fincar raízes.
Moro no centro de um silêncio antigo,
anterior ao alfabeto, anterior ao julgamento.
Não busco abrigo em abraços que não conhecem meu solo.
Há um isolamento sagrado em ser quem se é,
sem os adornos que a civilização tenta me impor.
Caminho por trilhas que eu mesmo invento,
guiado pelo sangue que pulsa no ritmo da terra.
Nesta solidão de pedra e vento,
não há espaço para o eco de outras vontades.
Sei que, quando o sol se apagar para mim,
levarei comigo o segredo desta morada interna
que nenhum outro olhar foi capaz de mapear.
Sou o princípio e o fim de minha própria linhagem.

Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ


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