Cidade Adormecida
A cidade dorme lá fora, um manto escuro
sobre prédios e avenidas silenciosas.
Mas não eu.
Aqui dentro,
onde a esperança também tira um cochilo,
no lado esquerdo do peito,
ecoam suas palavras
ditas em um sussurro quase inaudível:
"A vida é muito curta."
E elas ainda me estremecem,
um arrepio frio
em madrugadas que se estendem demais,
lembrando-me do tempo que corre,
invisível, implacável.
Como um vento que passa
e leva consigo
o que não foi vivido,
o que não foi dito,
o que não foi amado.
E por que não foi vivido?
A pergunta paira
no ar pesado da madrugada,
como a poeira que se acumula
em sonhos guardados.
Medo, talvez.
Ou a distração das horas,
a rotina que cega.
O que nos prende
ao chão,
enquanto o céu espera
sempre aberto.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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