Eco Ponderal
Em mim,
sempre existiu um eco pesado.
Não a ressonância de um grito,
mas o peso mudo do que permanece.
Uma camada sobre o ar que respiro,
um véu translúcido de memória.
Não é tristeza, nem a sombra da perda,
mas a densidade de um tempo sem nome.
Como pedras silenciosas na correnteza,
acumulam-se sentimentos sem pouso.
O eco não se propaga, ele se assenta.
Em cada fibra, a gravidade do que foi,
do que talvez nunca tenha sido,
mas que carrega o peso de ser.
É o ruído interior do que não se desfaz,
a persistência do inominável.
Um eco pesado, sim,
mas que me habita
e me tece.
...em mim sempre existiu um eco pesado...
Barra do Piraí, RJ - RioParaíba do Sul
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ

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