O Ritual Silencioso
Aqui está ela, na palma da mão,
esta que agora me serve, fiel.
Seu corpo de plástico, talvez azul,
ou verde-água, um espectro discreto
no emaranhado do dia que pulsa lá fora.
As cerdas, um exército denso e macio,
prontas para a dança diária.
Sabem a trilha de cada dente,
o caminho do frescor que se anuncia,
um sussurro de hortelã na boca da manhã.
Ela não grita, não exige holofotes.
É a ferramenta humilde,
que em cada curva, em cada fricção suave,
limpa não só o resíduo,
mas a letargia do sono,
ou a despedida do último gole antes da noite.
Testemunha silenciosa, companheira breve,
do hálito que se renova,
da promessa de um sorriso que se alinha.
Esta escova, agora em uso,
é um pequeno portal para o início,
ou para o fim tranquilo,
guardando o segredo da higiene,
e o simples rito de ser.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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