Ensaio Silencioso
Meu sorriso é um palco antigo,
iluminado por ensaios repetidos,
cada curva um esforço, uma nota sustentada
para a peça que nunca acontece.
Há uma dissonância, um murmúrio insistente
sob a pele, na raiz dos gestos:
não é por aqui,
não é por este caminho,
as cores desbotam antes de secar.
As coisas deveriam ser de outro modo,
sinto a trama desfiando,
o chão falso sob os pés,
e nada,
nada se encaixa no seu devido lugar.
Onde foi morar a esperança que prometia verões sem fim,
noites de estrelas caídas em nossas mãos?
Evaporou como orvalho, ou se escondeu
sob a poeira das rotinas que nos moldam?
Procuro vestígios em cada canto,
mas encontro apenas o eco da sua ausência,
um vazio que insiste em ecoar
nesse sorriso que ainda treino,
nessa certeza de que o compasso está errado.
... onde foi parar a esperança?...
Vicente Siqueira - Doces Poesias
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