"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
15 junho 2007
REMARIA (PEDRO MONTEIRO)
Quem me acompanha desde 2005 sabe que já passei pela desagradável experiência de refazer meu blog devido a alguns contratempos provocados por alguns anônimos invejosos.
Com mais cautela pretendo inaugurar um novo tempo e para isso desejo a colaboração de vocês.
Quem for contrário à publicação de seus trabalhos (juntos com os meus) em meu blog, com todos os créditos, etc... etc..., manifeste-se, por favor.
O início vai ser esse excelente "Remaria" do Pedro, que eu considero um dos melhores.
Na caixinha de comentários, manifestem-se quanto ao conteúdo da poesia do Pedro e, por favor, se são contra, afirmem que não querem ver seus trabalhos publicados aqui, e que o atual esquema de apenas pequenas citações, como tenho feito, já é suficiente, ou digam se são contrários também a esse esquema.
OK? Conto com vocês.
Doces.
.
Vicente
.
Remaria
Remaria no mar é o passar do dia
Remaria é re-ser a mãe da poesia
Ver por cima das ondas o sol nascer
Uma onda atrás da outra, uma manhã atrás da outra
Remaria noite e dia.
Ver no fundo após as ondas, onde o mar é calmaria
É ser o mar dentro e a areia fora
Onde a vida partiria
E às vezes ver a praia como partida
Na maré salgada e tarde ardida
É ter de chão a areia
E ter de lar a maresia
Remaria, remaria.
.
Pedro Monteiro
.
COMEÇAR CHORARE
sobraram o que começamos:
o carinho
o cuidado
a pouca vontade de deixar
tudo de lado.
sobraram atos e fatos
consumados
conversas esquecidas e
não retomadas
devidamente não esclarecidas.
sobraram a censura
a falta do bom senso
a falta de enredo
de opiniões
de desapego ao antigo.
faltaram
a coragem para recomeçar
o carinho que devia continuar
e sobretudo
a vergonha por deixar
tudo acabar.
.
Vicente
.
.
.
Meus olhos se desencontram na paisagem interrompida. Não há continuidade, em nada, em lugar nenhum, senão no perfume que o ar transporta. Na íris que se desdobra sobre o dia. Estremeço, torpor e prazer impelindo-me a dançar entre os instantes fragmentados. E danço, porque isso faz levantar a poeira dourada das horas, e descobre movimento onde reinava a quietude inteira..."
13 junho 2007
SEM SINAL
Sem sinal, mas sem
estresse
O silêncio do chip, a tela
escura,
Nenhuma barra, nada de
frescura.
O mundo lá fora, um
burburinho distante,
Aqui dentro, a paz, um
instante constante.
Sem pings, sem likes, sem
notificações,
A mente livre de mil
tentações.
O ar puro entra, a brisa
me toca,
A vida real, que a tela
sufoca.
O passarinho canta, a flor
se abre,
Detalhes que o online
quase não sabe.
O livro na mão, a conversa
sem pressa,
Sem sinal, sim, mas sem
nenhum estresse.
Desconectar é preciso, é
vital,
Para o coração, um sinal
especial.
Ainda que o mundo corra em
disparada,
A minha calma aqui não é
alterada.
DESCULPE, FOI ENGANO
imprime louca cadência
em minha vida
e quando menos espero
já é tempo
de outro dia
já é aquele lugar
de desassossego
e lençóis amassados.
dalgum lugar repentino
a campainha rouca
abre espaços em meu sobressalto
de acordado sonambúlico
que tateia
em busca de um telefone mal instalado
à cabeceira.
após o “alô” de praxe
teimando em entender o que está acontecendo
do outro lado a voz
sobressaltada: “quem fala?”
após irresoluta indecisão afirmo
meio sem convicção:
“é o vicente...”
“desculpe
foi engano”
tumtumtum...
.
Vicente
.
Hoje não quero um texto bonito.Nem quero me preocupar com rimas ou concordâncias, só quero dizer que estou sentindo a sua falta.Horas já não são suficientes e a despedida se tornou insuportável.
.
Rosângela.
11 junho 2007
LENCINHO
de algodãozinho vagabundo
irrisoriamente vagabundo
e barato
acrescentaria eu.
pois foi com ele que acenei
esfuziantemente
e ela me percebeu
no meio da multidão
retribuindo o aceno.
daí a importância
emprestada ao meu rico lencinho
que guardo qual tesouro
numa caixa
com naftalina.
.
.
Vicente
.
.
10 junho 2007
TARJA PRETA
(acidentalmente)
acidentada
não me deixa esquecer
da falta que a sua (grave) voz
faz
aos meus ouvidos
já entediados
de tanta ausência
a pedir em mim
um remédio
controlado:
você.
.
.
Vicente
.
.
.
"E como em um passe de mágica suas palavras tomaram o lugar dos beijos e das carícias dele..."
.
Nanda
.
06 junho 2007
CADÊ ALESSANDRO?!?
não tem
horário de verão
por essas latitudes temperadas
a nos acusar
que daqui a pouco desaba a noite
(pelas cachoeiras do tempo.
parado à beira do nada
que antecede
a semi-escuridão vulgar
já me precavia dos efeitos do etílico
que (com certeza) viriam
quando
à queima-roupa me perguntam
em belíssimo espanhol se:
“usted es Alejandro?”.
ainda assustado
pela aparição de beleza
tão esguia
arrisco
meu envergonhado portunhol
e digo que “no”
e
tantas besteiras “más”.
...só quando rompia a manhã
estrangulando a madrugada decadente
demo-nos conta da incoerência do encontro
que nos levou a esquecer diferenças
de idiomas
para conferirmos
nossas línguas
simplesmente...
.
Vicente
.
.
.
"Sintonia
o poeta às vezes deixa o Poema escrever-se. o Poema às vezes deixa o poeta escreve-lo."
.
Wilson Guanais
.
04 junho 2007
SONHO DA PELE
Sonho
da Pele
minha
pele
sonha
seus
toques morenos
repletos
da imaginação
de
chuva
em
dia de sol
de
verão.
.
. .
Vicente
Reflexão
Complementar
"O
futuro depende de muitas coisas, mas de apenas uma pessoa: você.
Não
importa que se esconda, ou renegue sua face,
em
algum momento, a capa cairá. A verdade, sempre surgirá!"
—
Esyath Barret
03 junho 2007
DEMORAS
demoro para entender palavras
intenções
eloqüências
que prenunciam conquistas
viagens para descobrir mundos
que estão em minhas mãos
... Cheias.
demoro para perceber olhares
e trocas
de gente que chega
e quer ficar
e espalha poesia
e que se sair
tem vontade de voltar
e se realmente vai
não demoro
a chorar.
.
.
.
Vicente
.
.
02 junho 2007
EFEITO ESTUFA
que poente alaranjado
são raios de sol
são viagem
são reflexos de histórias
Divido esse espectro
Em pigmentos
Do prisma o arco-íris
Preso num pedaço de velcro.
Vestígios
Que refletem na terceira margem
Minhas cores em harmonia
Extraindo no fundo os cristais
Que compoem a minha vida."
.
Rafaela Silva Santos
.
31 maio 2007
FIZ UM POEMA
fiz um poema
sobre a emoção
que se perdeu sabe-se lá onde
em que folha branca
em que sarjeta esburacada
em que lufada de qual vento.
falava de você
da sua delicadeza
da sua beleza arrebatadora
dos seus traços
que a palma da minha mão
ousara tocar
(com essas mãos tão minhas)
falava da maciez do seu carinho
dos reflexos dos seus cabelos nos meus
dos abismos que se abriam entre nós
toda vez que pensávamos bem.
aquele poema
não existe mais
não resistiu sequer
às primeiras linhas.
sucumbiu
ao primeiro passar da borracha.
.
Vicente
.
.
.
"...Quebrei a ampulheta da vidajoguei fora as areias do tempo..."
.
Claudinha
.
30 maio 2007
UM FLAGRANTE
30
setembro 2007
UM FLAGRANTE
porque houve a vontade de escrever
e guardar o instante
que se fazia em palavras
emoção
risos
e cuidados para que ele
não desconfiasse.
e as tantas frases
que permaneceriam ocultas
foram identificadas e traduzidas
e descobertas
as formas das imensas delicadezas
com que nos tratávamos
o descuido que tirou o escudo
dos instantes de cuidados
e quebrou as barreiras
do pecado oculto
custou-nos esses muitos
sofreres
com os quais agora nos remoemos.
.
Vicente
.
.
.
"in finita mente
(a partir de um "conceito" desgastado)
os seres
as coisas
tudo perecível
não cabe no instante
o amanhã:
é imenso.
.
Wilson Guanais
.
.
.
By Vicente às setembro 30, 2007
28 maio 2007
NÃO É BEM ASSIM
calei-me o peito
por conta da loucura do faz-de-conta
rebelei’me os sonhos
que insistiam em seguir vida própria.
eu falo de sonhos dentro de um ser
que não sonha mais
aqueles sonhos de menino
DE HOMEM ADULTO QUE DESEJA
eu falo de desejos.
de todos os desejos
que se confundem com todos os sonhos.
todos:
dos Minúsculos aos estratosféricos
daqueles que te remetem às vontades
de ter alguém para amar
de ser amado
de fazer planos
e
de trocar carinhos.
falo de sair
no meio da tarde
e juntos
na livraria
escolher o próximo livro
que se vai ler
a dois.
.
.
.
Vicente
.
.
"...
...depois de muitos anos me sentia como uma borboleta, leve, brilhante, bonita, havia finalmente saído do casulo....
...Agora sinto as borboletas em meu estômago, que estranha sensação..."
Deia
.
23 maio 2007
VOZES NO VENTO
Vozes no Vento
sussurros
antigos
viajam sem rumo
levados pelo vento
que nunca se cansa
são vozes
de tempos
que ninguém esqueceu
contando histórias
de quem amou e partiu
elas
passam leves
tocam o ouvido
como um conselho
ou um chamado
no vento,
escuto
a canção invisível
de quem viveu antes
e vive ainda em mim
VOZES NO VENTO
Vozes no Vento
sussurros antigos
viajam sem rumo
levados pelo vento
que nunca se cansa
são vozes de tempos
que ninguém esqueceu
contando histórias
de quem amou e partiu
elas passam leves
tocam o ouvido
como um conselho
ou um chamado
no vento, escuto
a canção invisível
de quem viveu antes
e vive ainda em mim
22 maio 2007
PRESENÇA SILENCIOSA
Presença Silenciosa
Não
precisas falar alto
para que te escutemos
tua voz é semente
que brota no fundo
quando tudo cala
Tu és o
Deus que se senta
à mesa dos comuns
que anda na poeira da rua
que se deita com os cansados
e vela o sono dos que choram
não te
escondes nas alturas
mas desces —
ao meio da dor
ao centro da espera
ao instante em que ninguém vê
e mesmo
quando tudo parece ausente
há um sopro
uma paz sem razão
um calor que não vem do sol
é ali que
sabemos:
estás aqui
não por
merecimento nosso
mas por misericórdia tua
SENHOR, TU ESTÁS NO MEIO DE NÓS
Senhor, Tu Estás no Meio de Nós
Não
vieste de relâmpagos
nem de colunas de fogo
mas no leve aceno da manhã
no pão partilhado
no olhar que escuta
Tu estás
—
não como quem visita,
mas como quem mora
no intervalo das palavras
no espaço entre um passo e outro
estás no
cansaço das mães
na fé dos simples
no silêncio que consola
sem responder
estás
quando tudo parece ausente
e mesmo assim o coração
não desiste de crer
Tu estás
no meio de nós
como o centro de um círculo
como raiz no chão invisível
como brisa em tarde quente
não te
vemos,
mas te sabemos
porque onde há amor,
acolhimento,
respiro,
Tu estás
ECOS DO SILÊNCIO
Ecos do Silêncio
No coração da noite,
onde as estrelas sussurram,
ecoam os segredos guardados,
dos sonhos que nunca foram ditos.
A brisa dança entre as árvores,
carregando murmúrios de almas,
narrativas perdidas no tempo,
que se entrelaçam nas sombras.
Silêncio profundo como um abismo,
onde cada pensamento ressoa,
como ondas suaves na areia,
formando formas que logo se vão.
E no vazio do não-dito,
encontro a beleza da incerteza,
um espaço onde o amor floresce,
mesmo sem palavras para nomeá-lo.
Ecos do silêncio,
sussurros da vida que pulsa,
na cadência do instante presente,
um convite a ouvir o que não se vê.
09 maio 2007
INSÔNIAS
INSÔNIAS
Escancarou-se
a boca da noite,
a engolir-me em seus
deprimentes silêncios,
estilhaçando cristais.
Seus
tentáculos sustentados
em minha garganta,
tirando-me a calma
e a alma.
Lá,
não-sei-onde,
o badalar de não-sei-quantas
horas a avisar-me
que se avizinhava a manhã,
doentia,
grávida de sol.
Não é o tempo que não passa,
são os cães que não ladram,
as corujas que não piam,
o aquário que não borbulha,
(e os scotchs que não são mais
os mesmos,
definitivamente não são).
06 maio 2007
DESEMBARQUE
Desembarque
Aperte.
Não
apenas a pele,
mas
o avesso dela.
Faça-se
o vácuo onde minha alma
se
dissolve
na
tua,
sem
fronteiras geográficas.
A
arquitetura do sempre
não
se constrói com cimento,
mas
com a dobra dos braços
no
avesso do tempo.
Um
nó cego
onde
o antes e o depois
desistem
de existir.
Lá
fora, o mundo insiste
em
sua rotação frenética.
Aqui,
a física falha.
O
ponteiro do relógio
pesa,
vacila,
e
finalmente para,
atordoado
de absoluto.
É
verdade o sussurro antigo:
quando
a paralisia for total,
não
haverá mais estrada
nem
destino.
Apenas
nós,
desembarcando
na
estação do agora.