06 maio 2007

DESEMBARQUE

 

Desembarque

Aperte.

Não apenas a pele,

mas o avesso dela.

Faça-se o vácuo onde minha alma

se dissolve

na tua,

sem fronteiras geográficas.

 

A arquitetura do sempre

não se constrói com cimento,

mas com a dobra dos braços

no avesso do tempo.

Um nó cego

onde o antes e o depois

desistem de existir.

 

Lá fora, o mundo insiste

em sua rotação frenética.

Aqui, a física falha.

O ponteiro do relógio

pesa,

vacila,

e finalmente para,

atordoado de absoluto.

 

É verdade o sussurro antigo:

quando a paralisia for total,

não haverá mais estrada

nem destino.

Apenas nós,

desembarcando

na estação do agora.


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