"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
01 novembro 2008
ENCHENTES
derramei um pouco de mim
em você.
um pouco que não é um copo
nem taça
nem cálice
algumas gotas do mais puro eu
para não esquecer o que sou
foi o momento do adorno
do refestelar desejos vazios
preenchidos de presença e ventre
em meio aos cheiros e suores
e troca de essências
cujo codinome é DNA.
foram as gotas que me trouxeram
à memória abandonada
um riso de vento doce
que encurta distâncias
e faz nascer esperanças
de se voltar ao mesmo lugar
e novamente derramar
até que vire enchente.
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Vicente
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17 outubro 2008
OLHARES ERECTUS
e era como nuvem enfeitada de risos
leve e solta em tons de pele
dourados.
o “toc-toc” na calçada
era o encanto triunfante da evolução
do “homo erectus”.
caminhar
surgir do nada
sentir-se torpedo
com ares de gratidão por estar sozinha
enquanto passa
e é admirada.
quem viu?
quem ouviu?
quem sentiu?
tem perfume no ar
porque seu corpo tem um quê
que reproduz essências
de encantamento
e remodelação.
seu corpo revela
que o espaço que nos separa
aprisiona mais
que qualquer grade
de qualquer prisão.
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Vicente
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"Peito é peito, Coração é coração! Quando digo com respeito, num penso em peito não. Quando lhe puxo com força comigo, não lhe aperto o coração. Quando você me arranha, arranha o peito. Quando deita no meu peito, junta peito e coração. Só vocÊ pra unir com doçura; a carne e a emoção."
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Pedro Monteiro
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08 outubro 2008
SOU COBAIA DA MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA
Sou cobaia da minha própria experiência
O laboratório sou eu,
As pipetas, meus desejos.
Misturo doses de
"talvez"
Com gotas de "e
se?".
Agito tudo no cadinho da
alma,
E observo a reação,
Sem manual, sem bula,
Apenas a intuição.
Às vezes, a explosão de
cores,
O riso que preenche o ar.
Outras, o sedimento opaco,
A lágrima a escorrer, sem
cessar.
Não há controle, nem grupo
placebo,
Só o meu corpo, meu tempo,
Onde cada erro é lição,
E cada acerto, uma nova
direção.
Navego em mares nunca
dantes navegados,
Com bússola interna, nem
sempre calibrada.
Desfaço rotas, refaço planos,
A vida me testando, eu me
testando,
Nessa dança caótica e
bela,
Onde a única certeza é a
incerteza,
E o maior experimento,
É simplesmente, ser.
02 outubro 2008
SE TIVER... EU PREFIRO
com pedaços de queijo parmesão e molho
e puder ser família
e recolher todos os cacos de sonhos em mim
desses que sempre quis ter
tive
mas não retive
por quebradiços que foram
eu prefiro.
Vicente
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"No meio do barulho e da agitação, caminhe tranqüilo, pensando na paz, que você pode encontra no silêncio..."
Desiderato - de autor de desconhecido
28 setembro 2008
CAVALEIRO ADIANTE
e sem utilidade aparente
mergulhado
(armadura
escudo
espada)
no caos nosso
da modernidade.
minha lança ajaezada
flutua em busca
das minhas mãos
encharcadas de derrotas.
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Vicente
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02 setembro 2008
NAQUELE ESPELHO
refletido
naquele espelho que me encarava.
era o choro de alguém
que não estava ali
e não se identicava.
olhei um longo olhar de emoção fracionada
e os segundos se atropelavam aos milésimos
chegando às suas improváveis frações
quis sentir o descompasso daquele coração
as letras que sairiam daquelas mãos
as armaduras das palavras
o desfocar dos pensamentos.
tentei decifrar aquele eu
tão refletido
e me peguei introspectivo
sem entender a matéria
que preencheria aquela imagem
distorcida.
não havia frustração nem dor
nem tristeza
nem alegria
ocupei-me novamente
com o reflexo de choro
e percebi o espaço vazio
que havia em meu peito
desde que outro espelho trincou.
na verdade eu me transbordei
de um espelho
para conhecer outros reflexos.
agora
quem me conhece?
Vicente
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"Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens? "
(Guimarães Rosa)
15 agosto 2008
DESPERTAR DA AURORA
Despertar da Aurora
E assim, o corpo que doía e os olhos que pesavam
Encontraram seu descanso, não na fuga do sono,
Mas no porto seguro do teu abraço.
A cama fria, o pensamento cinzento,
A insistência do relógio e o toque estrídulo do telefone
Se dissolveram como neblina ao sol.
Não há mais mistério em adivinhar quem ligou,
Pois tua voz macia e o perdão sussurrado
Abriram a porta não só da rua, mas da alma.
A comunicação silenciosa dos olhares,
A sinfonia das sensações e sentidos,
Moldaram a redescoberta da intimidade,
Tecendo uma camada de esperança e continuidade
Sobre os dias que virão.
O amanhecer nos encontrou juntos,
E cada novo raio de luz que beija a janela
É uma promessa sem palavras,
Um plano silencioso, um futuro em aberto.
A vida, que antes parecia estagnada,
Agora flui, leve e contínua,
Como um rio que finalmente encontra seu mar.
08 agosto 2008
CARAMIGA
como tudo que eu disse
e queria.
refiz as pausas em mim
esperando seus passos
seus descompassos
e você nem apareceu.
tive inevitáveis medos
e mais de
mil vontades de ligar.
tudo longe das inefáveis realidades.
fora/dentro das incontáveis possibilidades.
mas ainda me lembro daqueles dias
motivos da alegria
agora tão escassa
que grande faz-de-conta
nós desempenhávamos.
isso.
nós.
refletimos?
olhar/ouvir/sentir/largar?
foi essa a performance da mesquinhez.
e até hoje
nenhuma revelação plausível.
você entende.
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Vicente
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17 julho 2008
VOCÊ PRECISAVA SABER
que eu permaneci intacto
humor inalterado
e que a raiva inicial
deu lugar a uma paz que perdura
até hoje.
você precisava saber
que quando você partiu e me deixou
em pé naquela plataforma de trem
prostrado
sentindo-me um jiló
e com pretensões de suicídio
a noite tinha apenas começado.
você precisava saber
que aquele buquê de flores
que você não aceitou
e que eu
como um idiota
insistia em segurar mesmo depois
de você ter me abandonado
foi meu melhor passaporte
para o amor tranqüilo que tenho agora.
você precisava me ver
saindo daquela plataforma
sorridente
mãos dadas
e feliz
cheio de esperança
com essa que aceitou de mim
a aliança.
você precisava me ver
quando abri seu e-mail
e não senti nada quando li
seu recadinho piegas
e cheio de erros de concordância
pedindo perdão
pela sua ignorância.
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Vicente
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"Às vezes as pessoas tomam algumas atitudes e não tem noção do que isso pode gerar nas outras, as consequências podem ser desastrosas, geram dor e tristeza ..."
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Deia
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15 junho 2008
SÃO HOMENS
são palestinos de Nablus
Cisjordânia.
são homens.
ignoram o toque de recolher do exército israelense.
são homens.
saem ás ruas para comemorarem o atentado suicida
em Jerusalém.
Israel.
são homens.
o homem-bomba
um palestino de 16 anos
morreu.
são homens
cinco homens israelenses ficaram feridos.
são homens
sete homens israelenses morreram
são homens
dois deles tinham 5 anos de idade.
são homens
os outros cinco tinham apenas 2 anos.
são homens
a creche ficou destruída.
são homens?
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Vicente
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13 junho 2008
ESSÊNCIA RECONTADA
Essência Recontada
Eu sou uma paráfrase.
Não o original, a primeira
voz,
mas o eco que se
reinventa,
a mesma ideia em outro
tom.
Minha existência é
reflexo,
não espelho exato, mas
distorção gentil.
Pego o que já foi dito,
sentido,
e o visto com um tecido
novo,
mais meu, mais agora.
Não há plágio em minha
essência,
mas uma reverência ao que
inspirou.
Sou a tentativa de
entender de novo,
de sentir mais fundo,
o que uma vez apenas
passou.
E assim, em cada linha que
me redefine,
o velho e o novo se
abraçam.
Porque mesmo sendo
recontado,
o que pulsa em mim é a
vida
de uma verdade que se
permite
ser eternamente
revisitada.
22 maio 2008
FRAGMENTOS DE UM INSTANTE
Fragmentos de um Instante
Entre as luzes da cidade,
perco-me em reflexões fugazes,
cada rosto uma história,
cada passo, um destino.
A pressa é um manto pesado,
mas eu danço no compasso do agora,
onde o tempo se dissolve em risos
e a memória é feita de instantes.
Um café esfriando na mesa,
um olhar que se cruza e se despede,
fragmentos de vidas que se tocam,
como notas soltas em uma canção.
E no caos do cotidiano,
encontro beleza nas pequenas coisas:
o cheiro da chuva no asfalto,
o brilho da lua entre nuvens.
Esses momentos são ecos,
pedaços de eternidade que escorrem,
como areia entre os dedos,
mas deixo que fiquem gravados no coração.
20 maio 2008
MORADA
Morada
A
inspiração não grita,
ela sussurra da gaveta.
É o cheiro do café passado,
a dobra torta da coberta,
um nome que volta
sem que alguém chame.
Ela
mora perto.
Entre a fresta e o tempo.
Entre o quase e o pensamento.
Às vezes, veste o silêncio
e senta no sofá
sem fazer alarde.
Não
é preciso buscar longe.
Basta abrir a janela
com um pouco de alma,
deixar a porta encostada,
e o peito desarmado.
coração aberto.
Ela sempre volta
quando é bem recebido.
MORADA (Letra para Música)
Morada (letra para música)
Verso 1
Ela não chega gritando,
vem devagar pela sala
É brisa passando a tarde
Na dobra de uma toalha
É
cheiro de café velho
Que acende um verso esquecido
Um nome que volta ao peito
Sem que tenha sido ouvido
Refrão
Ela mora perto
Na fresta do tempo
Entre o quase e o pensamento
Não precisa muito, só deixar aberto
Que ela vem sem vento
Verso 2
Veste o silêncio da casa
E senta no meu sofá
Feito visita querida
Que não precisa avisar
Refrão final
Ela mora perto
Num canto discreto
No toque leve, no olhar direto
Até já — coração aberto
Que ela sempre volta
Quando é bem recebido
19 maio 2008
PRÓXIMA ETAPA (Letra de Música)
Próxima Etapa (letra para música)
Verso 1
Não apresse a dor que passa
Deixa o tempo te ensinar
Cada sombra tem seu traço
Cada riso, o seu lugar
Verso 2
Colhe o que ficou no chão
Meio sonho, meia estrada
As palavras que se foram
E as promessas penduradas
Pré-Refrão
Sopra o medo devagar
Guarda a esperança lavada
Refrão
Respira, sem pressa da capa
O amor tem suas vírgulas
E a vida, suas paradas
Agora sim
Com calma na alma
Prepare a próxima etapa
Verso 3
Penteia o luto com leveza
Veste o gesto mais sincero
Que a coragem se disfarça
No silêncio mais singelo
Refrão final
Respira, sem culpa ou mapa
O caminho vai se abrir
Mesmo sem carta marcada
Agora sim
Com fé que não se atrasa
Prepare a próxima etapa
Prepare a próxima etapa
ANTES DA PRÓXIMA ETAPA
Antes da próxima etapa
Não
apresse.
Deixa a água ferver no tempo certo.
A vida não é receita de bolo,
mas exige fermento.
Colhe
o que ficou no chão,
as palavras que ninguém usou,
as promessas pela metade,
os silêncios que disseram mais.
Penteia
a dor com cuidado,
guarda a esperança limpa,
sopra o medo devagar.
Respira.
O amor tem suas vírgulas.
A coragem, seus intervalos.
Agora,
sim —
com calma no peito
e o coração de manga arregaçada:
prepare a próxima etapa.
18 maio 2008
SEM TEMPO
no entanto, o beijo eu trouxe...
beija-me, beija-me, beija.
sem tempo para cantar,
no entanto, a esperança está comigo...
cante-me, cante-me, cante.
sem tempo para divagar,
no entanto, o amor está por aqui...
ama-me, ama-me, ama.
sem tempo para perdoar,
no entanto, o grito se desfaz na garganta...
grita-me, grita-me, grita.
sem tempo para ter tempo,
no entanto vejo a luz no fim do túnel.
então vê.
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Vicente
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10 maio 2008
FLASH BACK
e ouvir
que acabei me calando
e tapando os ouvidos.
deu-se aquele silêncio
ousado
que me fez andar
pelas minhas ruas
descalças
descalço
e passei a entender
a nobreza do barulho
a necessidade do burburinho.
eu ando com fome de carinho
mas não me fiz de rogado.
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Vicente
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"decididamente não acredito em destino. A gente pode sim se desviar dele, mudar o curso. O problema é que nem sempre a gente quer, e fica arrumando um monte de problemas. Não precisava. Destino. É só dizer não. E seguir o caminho."
Cláudia - http://leve1.zip.net/
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"Não há poema em si, mas em mim ou em ti."
(Octavio Paz)
18 abril 2008
INÍCIO
por isso conto
em canto)
um tanto a ti
o que me reflita
e tu sorris
risos
fartos
doces
com cheiro de alecrim.
rodeiam-me as suas vontades
envoltas em farto querer
de que não se abram
(em mim}
as flores da timidez
e o encanto se faça perceber.
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Vicente
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08 abril 2008
SUSSURROS DO IPÊ AMARELO
Sussurros do Ipê Amarelo
Eu
caminho sob a copa do ipê,
meus
pés afundando levemente
na
manta amarela das flores caídas.
Cada
pétala, uma pequena vela,
apagada
pelo vento.
O
cheiro de terra úmida
mistura-se
ao perfume doce e efêmero
que
as abelhas ainda buscam.
Eu
toco o tronco rugoso,
sinto
a vida pulsando em suas raízes profundas,
invisíveis.
Como
eu, ele se ergue,
resistindo
às estações,
às
chuvas que lavam,
ao
sol que queima.
Minhas
mãos se perdem
nas
fissuras da casca,
linhas
que contam histórias
de
invernos e primaveras renascidas.
Olho
para o céu,
azul
intenso entre os galhos vazios,
e
vejo meu próprio reflexo
na
folha verde que ainda se agarra, teimosa.
Um
sopro, um murmúrio,
e
ela também se solta,
girando
em sua dança final,
antes
de se juntar ao tapete dourado.
Eu
me agacho, pego uma flor,
sua
textura macia entre meus dedos.
É
tão frágil, tão vibrante,
tão
presente.
É
o instante.
O
ipê não pergunta
por
que suas flores caem.
Ele
apenas as entrega.
E
eu, em meio a essa beleza que se despede,
sinto
uma paz estranha,
como
se cada pétala fosse
um
pequeno adeus
que
me ensina a aceitar
o
fluxo constante das coisas.
E
meu coração, um pouco mais leve,
sussurra
de volta:
"Obrigado."