Termodinâmica do Amanhã
Somos
este banquete de urgências,
onde
a química do sangue
celebra
o encontro.
Um
motim de hormônios
que
não pede licença para arder.
As
palavras, todas elas,
entraram
em ponto de fusão.
Não
são mais signos,
são
lava,
são
hálito em ebulição
escrevendo
no escuro.
Dois
universos que se colidem
e,
em vez de caos,
geram
música.
Um
dueto de instantes
sustentando
o peso do mundo.
Fazemos
esse barulho de vida
para
que o tempo tome nota.
Pois
o amanhã não é espera:
é
este rastro de luz
que
deixamos agora.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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