Geometria da Inércia
Estou
suspenso.
Habito esse
hiato,
essa fresta
de in/atividade
onde o tempo
não escorre,
apenas
acumula.
O meu
silêncio deixou de ser pausa.
Agora, ele
tem massa,
tem gume,
tem o peso
de uma armadura
que se fecha
pelo lado de dentro.
Dói com uma
precisão cirúrgica.
Não é uma
chaga aberta,
não há o
vermelho do sangue,
há apenas
essa pulsação surda
de algo que
se prepara para romper.
É um
ferimento em estado de espera.
Uma dor que
ainda não tem nome,
mas que já
ocupa o corpo todo,
tateando a
pele,
procurando o
lugar exato
onde o grito
vai nascer.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
(a)Temporal
nuvens
de flores
brisa
de perfumes
chuva
de pétalas
em noites
de sol
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