01 abril 2026

MONÓLOGO DA ÍRIS

 

O Monólogo da Íris

Meus olhos perderam a gramática das ruas.

Desprezaram a vastidão das paisagens

e a distração das cores mundanas.

Eles se tornaram especialistas

em um único relevo: o teu.

 

Há uma monotonia sagrada no meu ver.

Uma insistência da pupila

que se recusa ao novo,

preferindo o conforto do conhecido.

 

Minha visão virou discurso.

Um vocabulário de luz e sombra

que, mesmo em silêncio,

não sabe pronunciar outros nomes.

 

Sou um prisioneiro voluntário

desse horizonte restrito.

Pois, de tanto te buscarem,

meus olhos aprenderam que a beleza

não mora na variedade,

mas na precisão de onde decidem

pousar.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



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