O Monólogo da Íris
Meus
olhos perderam a gramática das ruas.
Desprezaram
a vastidão das paisagens
e
a distração das cores mundanas.
Eles
se tornaram especialistas
em
um único relevo: o teu.
Há
uma monotonia sagrada no meu ver.
Uma
insistência da pupila
que
se recusa ao novo,
preferindo
o conforto do conhecido.
Minha
visão virou discurso.
Um
vocabulário de luz e sombra
que,
mesmo em silêncio,
não
sabe pronunciar outros nomes.
Sou
um prisioneiro voluntário
desse
horizonte restrito.
Pois,
de tanto te buscarem,
meus
olhos aprenderam que a beleza
não
mora na variedade,
mas
na precisão de onde decidem
pousar.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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