Código do Tato
Entre
um hiato e outro,
o
silêncio não é vazio:
é
uma arquitetura de esperas.
Ali,
onde a fala desiste,
a
língua inventa outra semântica.
Um
léxico tátil que percorre o mapa
do
corpo
e
traduz o desejo em calafrio.
Cem
palavras se anulam.
Sem
palavras, o verbo se torna
puro
pulso.
O
mutismo não é falta;
é
a ciência de quem decifrou
a
cifra sagrada do encontro.
O
universo, que antes era imenso,
agora
se condensa.
Ele
pulsa,
secreto
e vasto,
bem
debaixo da nossa pele.
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