Ceia do Verbo
Tenho
urgência de fomes.
Hoje,
dispenso as metáforas suaves;
invoco
bocas, o gume das unhas,
o
impacto branco dos dentes
sobre
a urgência da vida.
Haverá
tempo para as asas.
Haverá
tempo para o voo e para o azul.
Mas
agora, o sagrado é tátil.
Decifra-me
o espírito,
mas
não poupes a carcaça.
Devora
o que é denso e humano em mim.
Nesta
comunhão profana,
as
palavras se tornam sangue.
O
poema não habita mais a página:
ele
ocupa o meu peito, as minhas vísceras.
Não
busques o autor.
Hoje,
o poema é o sopro
e
eu sou a carne
onde
ele se faz verdade.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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