A Gramática do Efêmero
Existem
frestas no tempo
onde o olho
não alcança,
mas a alma
pressente.
É o instante
em que o invisível
decide, por
um descuido,
roçar o que
em nós é intocável.
Nesse átomo
de luz,
os sentidos
se confundem:
o que eu
vejo, já é tato;
o que eu
sinto, já é visão.
Fico ali,
suspenso,
com a boca
cheia de abismos,
tateando o
vocabulário das sombras.
É uma mudez
que quase grita.
Por um triz,
o mistério
não se faz frase.
Por um
verso,
eu não
domino o indizível.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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