13 abril 2026

A GRAMÁTICA DO EFÊMERO

 

A Gramática do Efêmero

Existem frestas no tempo

onde o olho não alcança,

mas a alma pressente.

É o instante em que o invisível

decide, por um descuido,

roçar o que em nós é intocável.

 

Nesse átomo de luz,

os sentidos se confundem:

o que eu vejo, já é tato;

o que eu sinto, já é visão.

 

Fico ali, suspenso,

com a boca cheia de abismos,

tateando o vocabulário das sombras.

É uma mudez que quase grita.

 

Por um triz,

o mistério não se faz frase.

Por um verso,

eu não domino o indizível.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ

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