30 março 2009

MEMÓRIA DE PRIMEIROS VERSOS

 

Memória de Primeiros Versos

Uma lousa.
Dois sorrisos.
Três poemas na mesma folha.
Trocávamos papéis como quem entrega segredos.

Ela escrevia com perfume nas palavras.
Eu respondia com mãos suadas.
Tudo começava ali.

Agora, tudo parece longe,
mas a lembrança reaparece inteira
num segundo
em que ela me olha e desvia.

QUANDO TUDO COMEÇOU A PARTIR

 

Quando Tudo Começou a Partir

Foi um silêncio longo,
mas nenhum dos dois o nomeou.
Ela ficou ausente aos poucos.
Eu fui ficando inteiro demais — e pesado.

No último encontro do grupo,
ela não leu nada.
Eu li demais.

E ninguém entendeu.
Mas eu soube ali:
ela já havia partido.

14 março 2009

ACHADOS E PERDIDOS - GONZAGUINHA

MÚSICA
Artista: Gonzaguinha

Quem me dirá onde está
Aquele moço Fulano de Tal
(Filho, marido, irmão, namorado,
que não voltou mais)
Insiste o anúncio nas folhas
dos nossos jornais:
Achados, perdidos, morridos,
Saudades demais.

Mas eu pergunto e a resposta
é que ninguém sabe
ninguém nunca viu
Só sei que não sei
quão sumido ele foi
Sei é que ele sumiu

E quem souber algo
Acerca do seu paradeiro:
Beco das Liberdades
Estreita e esquecida
uma pequena marginal
dessa imensa Avenida Brasil.
.
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20 fevereiro 2009

CONGESTIONAMENTO

CONGESTIONAMENTO
CONGESTIONAMENTO


cá dentro

intenso
um trânsito de intenções
QUE TEIMA
em desmascarar
a calma aparente
do ambiente.
.
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Vicente
.
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03 fevereiro 2009

MISTÉRIO DESVELADO

 

**Mistério Desvelado**

 

No coração da cidade onde os relógios dançam, 

entre sombras e luzes que sussurram segredos, 

uma porta antiga, coberta de poeira e histórias, 

aguardava o toque de mãos curiosas. 

 

As paredes, testemunhas silenciosas, 

guardavam ecos de risos e suspiros, 

e no canto, um quadro esquecido, 

pintado com cores que nunca vi, 

parecia pulsar como um coração vivo. 

 

Ao abrir a porta, um aroma de café fresco, 

misturado ao perfume das flores noturnas, 

preencheu o ar, como se o passado e o presente 

se entrelaçassem em um abraço apertado. 

 

E ali estavam eles: personagens de contos esquecidos, 

sussurrando mistérios em línguas antigas, 

cada olhar uma chave para portas ocultas, 

cada gesto uma pista no labirinto do tempo. 

 

Um velho contador de histórias, com olhos brilhantes, 

revelou segredos sobre as estrelas que caíram do céu; 

disse que cada estrela é um desejo não realizado, 

e cada desejo uma luz que guia os perdidos. 

 

No meio da sala, um espelho distorcido refletia faces, 

não apenas as minhas, mas rostos de outros mundos; 

um jogo de realidades se desenrolava diante dos meus olhos— 

um mistério sendo desvendado em camadas sutis. 

 

E assim eu caminhei por corredores de memórias, 

onde os fantasmas dançavam sob a luz da lua; 

cada riso ecoava como um chamado à aventura, 

e cada lágrima era uma verdade esperando para ser revelada. 

 

Finalmente, compreendi: o mistério não era apenas o que estava oculto, 

mas a beleza do desconhecido que nos molda; 

e ao desvendar cada camada da vida e do tempo, 

descobri que o verdadeiro enigma é viver plenamente. 

 


29 janeiro 2009

O CIRCO CHEGOU

seguro tuas mãos
em silêncio
arredio
perto das luzes
refletidas
do tablado
e do picadeiro
acima do brilho
incandescente
refletido em mim
quando e
como
rio
se ris
às gargalhadas.
.
Vicente
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" ...As coisas não deviam ser assim. Por ele eu lutei, por ele eu amei. Mas tudo se acabou na roda gasta do dia-a-dia, que fez virar tudo pura rotina, e me deixara cansada daquela vida, daquele amor..."
Arethuza
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11 janeiro 2009

APENAS PARTE

...mas os cômodos aos quais
nos remetemos
transformaram os (mais) improváveis sonhos
em doces realidades
de afagos e espelhos

ao alcance do olhar
para que
perpetuassem em nós
a satisfação dos
(insuspeitos)
desejos.
.
Vicente
.
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"Amo: música cantar alto meia com chinelo dormir de meia pintar esmaltes costura cinema jogar conversa fora filmes românticos artesanato"
.
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16 dezembro 2008

BÚSSOLA CAMBIANTE

 

Bússola Cambiante

 

O norte treme na pupila da alma,

um algoritmo incerto a recalcular a rota.

Os polos antes firmes, agora são palimpsestos,

apagando o caminho, a direção mais remota.

 

As antenas internas, antes tão precisas,

captam ondas de um tempo dissonante.

Vozes em eco, promessas imprecisas,

e o mapa da jornada, um instante hesitante.

 

No peito, o magnetismo falha, espasmos de metal,

atração por brilhos efêmeros, desvios do essencial.

A certeza, um espectro na neblina digital,

e eu, cativo da própria corrente, tão instável.

 

Não há mais a agulha convicta, o fio condutor,

apenas o girassol confuso, buscando um sol interior.

E nessa dança tonta, nesse estranho tremor,

talvez se revele um novo horizonte, um inédito amor.

 

Pois na falha da engrenagem, no curto-circuito da razão,

reside a chance de um novo arranjo, outra constelação.

De sentir o vento, sem a camisa de força da obrigação,

e encontrar, no desvio, a mais autêntica direção.

 

13 dezembro 2008

CHAMA(RISCO)

...
ardia-me
do alto
das mais altas chamas
esse Amor
que se pronunciava
em línguas
que se atritavam
sem nada pronunciarem
.
.
Vicente
.
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24 novembro 2008

A FUGA

(O Outro Lado da Poesia)

Ela fugiu do quarto-e-sala sentindo-se vazia
Pisando nos cacos que cortavam seu sentimento.
Sua casa fria sempre lhe parecera doentia.
Estava descalça e a rua era de chuva e vento.

Logo ali, depois do meio-fio, havia a floresta:
De casas, e asfalto, e pontes, e viadutos, pensava
Que naquele lugar seus sentidos estariam em festa
Porque ali moravam todas as feras, imaginava.

Rezou, de joelhos, aos seus anjos, e quase chora.
Rezou aos santos guerreiros e às santas benditas,
Para que se fizessem presentes naquela hora,
Perdulários com milagres diante da sua desdita.

Que entrassem rápidos e sem entraves
Em suas grades interiores, e pisando leve
Libertassem-na de seus padecimentos graves
E que a deixassem sorrindo em breve.

Quando ela fugiu, sentiu-se aliviada e liberta,
Livre e ligeira, ligeiramente liberada.
Acabara de fazer sua última descoberta:
Vivera sempre em lágrimas e fora por nada.

Foi então que finalmente encontrou seu eu
E se imaginou em toques que alguém lhe dera
E trocou o tempo e pensou que alguém lhe deu
(os toques) nos cabelos e era apenas uma quimera.

Os toques pela pele, pela cor e pelos pêlos,
Pelos tantos despropósitos que viveu em vão,
Pelos nervos de ferro, pedra e cubos de gelo
Que jamais deixaram de atingir seu coração.

Quando fugiu, correu na fuga e não olhou pra trás,
Correu, sentindo-se completamente nua
E se sentou em frente ao seu próprio cadafalso,
E nem percebeu que sentara ali na rua.

Na fuga ainda a esperança de sentir em si um olhar
Um carinho, um beijo, ou dois, ou três e até mais,
Até se sentir olhada, acariciada, beijada de enfastiar,
Até encontrar dentro de si um recanto de paz.


E veio um choro que saiu em lágrimas, aos borbotões
Até seus olhos se sentirem vazios das piedades,
Dos ressentimentos, dos cosméticos, dos bordões,
Até se livrar de todas as suas iniquidades.

As lágrimas, como chuva, encharcavam o corpo doído
Queimavam a alma, ardiam em ânsias de se encontrar,
Quebravam o silêncio com um choro espremido.
Gritou como ostra para que se fizesse notar.

De pé sobre o piso frio a decisão estava tomada:
Queria ouvir seus passos atravessando a avenida
Seu olhar encontrou o vazio do pulo, transtornada.
Calçada, amurada, pulo, vontade vencida.

E o salto, ressalte-se, não era assim tão alto,
Tanto que o baque surdo de corpo no asfalto
Não foi ouvido nem mesmo pelas redondezas,
Somente ali, além do seu mundo de incertezas.

Havia sangue, mas a mancha estava disfarçada.
Envolta em seus silêncios foi encontrada
Afogada em sonhos a poucos metros do nada,
Que era o destino da sua fuga desesperada.

Vicente
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"Desconfia da tristeza de certos poetas. É uma tristeza profissional e tão suspeita como a exuberante alegria das coristas."
(Mario Quintana)
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01 novembro 2008

ENCHENTES


derramei um pouco de mim
em você.
um pouco que não é um copo
nem taça
nem cálice
algumas gotas do mais puro eu
para não esquecer o que sou

foi o momento do adorno
do refestelar desejos vazios
preenchidos de presença e ventre
em meio aos cheiros e suores
e troca de essências
cujo codinome é DNA.

foram as gotas que me trouxeram
à memória abandonada
um riso de vento doce
que encurta distâncias
e faz nascer esperanças
de se voltar ao mesmo lugar
e novamente derramar
até que vire enchente.
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Vicente
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17 outubro 2008

OLHARES ERECTUS

passou por mim
e era como nuvem enfeitada de risos
leve e solta em tons de pele
dourados.

o “toc-toc” na calçada
era o encanto triunfante da evolução
do “homo erectus”.

caminhar
surgir do nada
sentir-se torpedo
com ares de gratidão por estar sozinha
enquanto passa
e é admirada.

quem viu?
quem ouviu?
quem sentiu?
tem perfume no ar
porque seu corpo tem um quê
que reproduz essências
de encantamento
e remodelação.
seu corpo revela
que o espaço que nos separa
aprisiona mais
que qualquer grade
de qualquer prisão.
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Vicente
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"Peito é peito, Coração é coração! Quando digo com respeito, num penso em peito não. Quando lhe puxo com força comigo, não lhe aperto o coração. Quando você me arranha, arranha o peito. Quando deita no meu peito, junta peito e coração. Só vocÊ pra unir com doçura; a carne e a emoção."
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Pedro Monteiro
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08 outubro 2008

SOU COBAIA DA MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA

 

Sou cobaia da minha própria experiência

 

O laboratório sou eu,

As pipetas, meus desejos.

Misturo doses de "talvez"

Com gotas de "e se?".

Agito tudo no cadinho da alma,

E observo a reação,

Sem manual, sem bula,

Apenas a intuição.

 

Às vezes, a explosão de cores,

O riso que preenche o ar.

Outras, o sedimento opaco,

A lágrima a escorrer, sem cessar.

Não há controle, nem grupo placebo,

Só o meu corpo, meu tempo,

Onde cada erro é lição,

E cada acerto, uma nova direção.

 

Navego em mares nunca dantes navegados,

Com bússola interna, nem sempre calibrada.

Desfaço rotas, refaço planos,

A vida me testando, eu me testando,

Nessa dança caótica e bela,

Onde a única certeza é a incerteza,

E o maior experimento,

É simplesmente, ser.

 

02 outubro 2008

SE TIVER... EU PREFIRO

se tiver macarronada com sabor de domingo
com pedaços de queijo parmesão e molho
e puder ser família
e recolher todos os cacos de sonhos em mim
desses que sempre quis ter
tive
mas não retive
por quebradiços que foram
eu prefiro.

Vicente
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"No meio do barulho e da agitação, caminhe tranqüilo, pensando na paz, que você pode encontra no silêncio..."
Desiderato - de autor de desconhecido

28 setembro 2008

CAVALEIRO ADIANTE

sou um ser solitário
e sem utilidade aparente
mergulhado
(armadura
escudo
espada)
no caos nosso
da modernidade.

minha lança ajaezada
flutua em busca
das minhas mãos
encharcadas de derrotas.
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Vicente
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02 setembro 2008

NAQUELE ESPELHO

ouvi um choro longínquo
refletido
naquele espelho que me encarava.

era o choro de alguém
que não estava ali
e não se identicava.
olhei um longo olhar de emoção fracionada
e os segundos se atropelavam aos milésimos
chegando às suas improváveis frações

quis sentir o descompasso daquele coração
as letras que sairiam daquelas mãos
as armaduras das palavras
o desfocar dos pensamentos.

tentei decifrar aquele eu
tão refletido
e me peguei introspectivo
sem entender a matéria
que preencheria aquela imagem
distorcida.

não havia frustração nem dor
nem tristeza
nem alegria

ocupei-me novamente
com o reflexo de choro
e percebi o espaço vazio
que havia em meu peito
desde que outro espelho trincou.
na verdade eu me transbordei
de um espelho
para conhecer outros reflexos.

agora
quem me conhece?

Vicente
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"Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens? "
(Guimarães Rosa)

15 agosto 2008

DESPERTAR DA AURORA

  

Despertar da Aurora

 

E assim, o corpo que doía e os olhos que pesavam

Encontraram seu descanso, não na fuga do sono,

Mas no porto seguro do teu abraço.

A cama fria, o pensamento cinzento,

A insistência do relógio e o toque estrídulo do telefone

Se dissolveram como neblina ao sol.

 

Não há mais mistério em adivinhar quem ligou,

Pois tua voz macia e o perdão sussurrado

Abriram a porta não só da rua, mas da alma.

A comunicação silenciosa dos olhares,

A sinfonia das sensações e sentidos,

Moldaram a redescoberta da intimidade,

Tecendo uma camada de esperança e continuidade

Sobre os dias que virão.

 

O amanhecer nos encontrou juntos,

E cada novo raio de luz que beija a janela

É uma promessa sem palavras,

Um plano silencioso, um futuro em aberto.

A vida, que antes parecia estagnada,

Agora flui, leve e contínua,

Como um rio que finalmente encontra seu mar.

08 agosto 2008

CARAMIGA

e foi assim mesmo
como tudo que eu disse
e queria.
refiz as pausas em mim
esperando seus passos
seus descompassos
e você nem apareceu.

tive inevitáveis medos
e mais de
mil vontades de ligar.

tudo longe das inefáveis realidades.
fora/dentro das incontáveis possibilidades.

mas ainda me lembro daqueles dias
motivos da alegria
agora tão escassa

que grande faz-de-conta
nós desempenhávamos.

isso.

nós.

refletimos?
olhar/ouvir/sentir/largar?
foi essa a performance da mesquinhez.
e até hoje
nenhuma revelação plausível.
você entende.
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Vicente
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17 julho 2008

VOCÊ PRECISAVA SABER

você precisava saber
que eu permaneci intacto
humor inalterado
e que a raiva inicial
deu lugar a uma paz que perdura
até hoje.

você precisava saber
que quando você partiu e me deixou
em pé naquela plataforma de trem
prostrado
sentindo-me um jiló
e com pretensões de suicídio
a noite tinha apenas começado.

você precisava saber
que aquele buquê de flores
que você não aceitou
e que eu
como um idiota
insistia em segurar mesmo depois
de você ter me abandonado
foi meu melhor passaporte
para o amor tranqüilo que tenho agora.

você precisava me ver
saindo daquela plataforma
sorridente
mãos dadas
e feliz
cheio de esperança
com essa que aceitou de mim
a aliança.

você precisava me ver
quando abri seu e-mail
e não senti nada quando li
seu recadinho piegas
e cheio de erros de concordância
pedindo perdão
pela sua ignorância.
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Vicente
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"Às vezes as pessoas tomam algumas atitudes e não tem noção do que isso pode gerar nas outras, as consequências podem ser desastrosas, geram dor e tristeza ..."
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Deia
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15 junho 2008

SÃO HOMENS

são homens.
são palestinos de Nablus
Cisjordânia.
são homens.
ignoram o toque de recolher do exército israelense.
são homens.
saem ás ruas para comemorarem o atentado suicida
em Jerusalém.
Israel.

são homens.
o homem-bomba
um palestino de 16 anos
morreu.

são homens
cinco homens israelenses ficaram feridos.
são homens
sete homens israelenses morreram
são homens
dois deles tinham 5 anos de idade.
são homens
os outros cinco tinham apenas 2 anos.
são homens
a creche ficou destruída.
são homens?
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Vicente
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