CONGESTIONAMENTO
CONGESTIONAMENTO
cá dentro
há
intenso
um trânsito de intenções
QUE TEIMA
em desmascarar
a calma aparente
do ambiente.
.
.
.
Vicente
.
.
"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
No coração da cidade onde
os relógios dançam,
entre sombras e luzes que
sussurram segredos,
uma porta antiga, coberta
de poeira e histórias,
aguardava o toque de mãos
curiosas.
As paredes, testemunhas
silenciosas,
guardavam ecos de risos e
suspiros,
e no canto, um quadro
esquecido,
pintado com cores que
nunca vi,
parecia pulsar como um
coração vivo.
Ao abrir a porta, um aroma
de café fresco,
misturado ao perfume das
flores noturnas,
preencheu o ar, como se o
passado e o presente
se entrelaçassem em um
abraço apertado.
E ali estavam eles:
personagens de contos esquecidos,
sussurrando mistérios em
línguas antigas,
cada olhar uma chave para
portas ocultas,
cada gesto uma pista no
labirinto do tempo.
Um velho contador de
histórias, com olhos brilhantes,
revelou segredos sobre as
estrelas que caíram do céu;
disse que cada estrela é
um desejo não realizado,
e cada desejo uma luz que
guia os perdidos.
No meio da sala, um
espelho distorcido refletia faces,
não apenas as minhas, mas
rostos de outros mundos;
um jogo de realidades se
desenrolava diante dos meus olhos—
um mistério sendo
desvendado em camadas sutis.
E assim eu caminhei por
corredores de memórias,
onde os fantasmas dançavam
sob a luz da lua;
cada riso ecoava como um
chamado à aventura,
e cada lágrima era uma
verdade esperando para ser revelada.
Finalmente, compreendi: o
mistério não era apenas o que estava oculto,
mas a beleza do
desconhecido que nos molda;
e ao desvendar cada camada
da vida e do tempo,
descobri que o verdadeiro
enigma é viver plenamente.
Bússola Cambiante
O norte treme na pupila da
alma,
um algoritmo incerto a
recalcular a rota.
Os polos antes firmes,
agora são palimpsestos,
apagando o caminho, a
direção mais remota.
As antenas internas, antes
tão precisas,
captam ondas de um tempo
dissonante.
Vozes em eco, promessas
imprecisas,
e o mapa da jornada, um
instante hesitante.
No peito, o magnetismo
falha, espasmos de metal,
atração por brilhos
efêmeros, desvios do essencial.
A certeza, um espectro na
neblina digital,
e eu, cativo da própria
corrente, tão instável.
Não há mais a agulha
convicta, o fio condutor,
apenas o girassol confuso,
buscando um sol interior.
E nessa dança tonta, nesse
estranho tremor,
talvez se revele um novo
horizonte, um inédito amor.
Pois na falha da
engrenagem, no curto-circuito da razão,
reside a chance de um novo
arranjo, outra constelação.
De sentir o vento, sem a
camisa de força da obrigação,
e encontrar, no desvio, a
mais autêntica direção.
O laboratório sou eu,
As pipetas, meus desejos.
Misturo doses de
"talvez"
Com gotas de "e
se?".
Agito tudo no cadinho da
alma,
E observo a reação,
Sem manual, sem bula,
Apenas a intuição.
Às vezes, a explosão de
cores,
O riso que preenche o ar.
Outras, o sedimento opaco,
A lágrima a escorrer, sem
cessar.
Não há controle, nem grupo
placebo,
Só o meu corpo, meu tempo,
Onde cada erro é lição,
E cada acerto, uma nova
direção.
Navego em mares nunca
dantes navegados,
Com bússola interna, nem
sempre calibrada.
Desfaço rotas, refaço planos,
A vida me testando, eu me
testando,
Nessa dança caótica e
bela,
Onde a única certeza é a
incerteza,
E o maior experimento,
É simplesmente, ser.
Despertar da Aurora
E assim, o corpo que doía e os olhos que pesavam
Encontraram seu descanso, não na fuga do sono,
Mas no porto seguro do teu abraço.
A cama fria, o pensamento cinzento,
A insistência do relógio e o toque estrídulo do telefone
Se dissolveram como neblina ao sol.
Não há mais mistério em adivinhar quem ligou,
Pois tua voz macia e o perdão sussurrado
Abriram a porta não só da rua, mas da alma.
A comunicação silenciosa dos olhares,
A sinfonia das sensações e sentidos,
Moldaram a redescoberta da intimidade,
Tecendo uma camada de esperança e continuidade
Sobre os dias que virão.
O amanhecer nos encontrou juntos,
E cada novo raio de luz que beija a janela
É uma promessa sem palavras,
Um plano silencioso, um futuro em aberto.
A vida, que antes parecia estagnada,
Agora flui, leve e contínua,
Como um rio que finalmente encontra seu mar.
Eu sou uma paráfrase.
Não o original, a primeira
voz,
mas o eco que se
reinventa,
a mesma ideia em outro
tom.
Minha existência é
reflexo,
não espelho exato, mas
distorção gentil.
Pego o que já foi dito,
sentido,
e o visto com um tecido
novo,
mais meu, mais agora.
Não há plágio em minha
essência,
mas uma reverência ao que
inspirou.
Sou a tentativa de
entender de novo,
de sentir mais fundo,
o que uma vez apenas
passou.
E assim, em cada linha que
me redefine,
o velho e o novo se
abraçam.
Porque mesmo sendo
recontado,
o que pulsa em mim é a
vida
de uma verdade que se
permite
ser eternamente
revisitada.
Fragmentos de um Instante
Entre as luzes da cidade,
perco-me em reflexões fugazes,
cada rosto uma história,
cada passo, um destino.
A pressa é um manto pesado,
mas eu danço no compasso do agora,
onde o tempo se dissolve em risos
e a memória é feita de instantes.
Um café esfriando na mesa,
um olhar que se cruza e se despede,
fragmentos de vidas que se tocam,
como notas soltas em uma canção.
E no caos do cotidiano,
encontro beleza nas pequenas coisas:
o cheiro da chuva no asfalto,
o brilho da lua entre nuvens.
Esses momentos são ecos,
pedaços de eternidade que escorrem,
como areia entre os dedos,
mas deixo que fiquem gravados no coração.
A
inspiração não grita,
ela sussurra da gaveta.
É o cheiro do café passado,
a dobra torta da coberta,
um nome que volta
sem que alguém chame.
Ela
mora perto.
Entre a fresta e o tempo.
Entre o quase e o pensamento.
Às vezes, veste o silêncio
e senta no sofá
sem fazer alarde.
Não
é preciso buscar longe.
Basta abrir a janela
com um pouco de alma,
deixar a porta encostada,
e o peito desarmado.