"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
15 junho 2008
SÃO HOMENS
são palestinos de Nablus
Cisjordânia.
são homens.
ignoram o toque de recolher do exército israelense.
são homens.
saem ás ruas para comemorarem o atentado suicida
em Jerusalém.
Israel.
são homens.
o homem-bomba
um palestino de 16 anos
morreu.
são homens
cinco homens israelenses ficaram feridos.
são homens
sete homens israelenses morreram
são homens
dois deles tinham 5 anos de idade.
são homens
os outros cinco tinham apenas 2 anos.
são homens
a creche ficou destruída.
são homens?
.
.
Vicente
.
.
13 junho 2008
ESSÊNCIA RECONTADA
Essência Recontada
Eu sou uma paráfrase.
Não o original, a primeira
voz,
mas o eco que se
reinventa,
a mesma ideia em outro
tom.
Minha existência é
reflexo,
não espelho exato, mas
distorção gentil.
Pego o que já foi dito,
sentido,
e o visto com um tecido
novo,
mais meu, mais agora.
Não há plágio em minha
essência,
mas uma reverência ao que
inspirou.
Sou a tentativa de
entender de novo,
de sentir mais fundo,
o que uma vez apenas
passou.
E assim, em cada linha que
me redefine,
o velho e o novo se
abraçam.
Porque mesmo sendo
recontado,
o que pulsa em mim é a
vida
de uma verdade que se
permite
ser eternamente
revisitada.
22 maio 2008
FRAGMENTOS DE UM INSTANTE
Fragmentos de um Instante
Entre as luzes da cidade,
perco-me em reflexões fugazes,
cada rosto uma história,
cada passo, um destino.
A pressa é um manto pesado,
mas eu danço no compasso do agora,
onde o tempo se dissolve em risos
e a memória é feita de instantes.
Um café esfriando na mesa,
um olhar que se cruza e se despede,
fragmentos de vidas que se tocam,
como notas soltas em uma canção.
E no caos do cotidiano,
encontro beleza nas pequenas coisas:
o cheiro da chuva no asfalto,
o brilho da lua entre nuvens.
Esses momentos são ecos,
pedaços de eternidade que escorrem,
como areia entre os dedos,
mas deixo que fiquem gravados no coração.
20 maio 2008
MORADA
Morada
A
inspiração não grita,
ela sussurra da gaveta.
É o cheiro do café passado,
a dobra torta da coberta,
um nome que volta
sem que alguém chame.
Ela
mora perto.
Entre a fresta e o tempo.
Entre o quase e o pensamento.
Às vezes, veste o silêncio
e senta no sofá
sem fazer alarde.
Não
é preciso buscar longe.
Basta abrir a janela
com um pouco de alma,
deixar a porta encostada,
e o peito desarmado.
coração aberto.
Ela sempre volta
quando é bem recebido.
MORADA (Letra para Música)
Morada (letra para música)
Verso 1
Ela não chega gritando,
vem devagar pela sala
É brisa passando a tarde
Na dobra de uma toalha
É
cheiro de café velho
Que acende um verso esquecido
Um nome que volta ao peito
Sem que tenha sido ouvido
Refrão
Ela mora perto
Na fresta do tempo
Entre o quase e o pensamento
Não precisa muito, só deixar aberto
Que ela vem sem vento
Verso 2
Veste o silêncio da casa
E senta no meu sofá
Feito visita querida
Que não precisa avisar
Refrão final
Ela mora perto
Num canto discreto
No toque leve, no olhar direto
Até já — coração aberto
Que ela sempre volta
Quando é bem recebido
19 maio 2008
PRÓXIMA ETAPA (Letra de Música)
Próxima Etapa (letra para música)
Verso 1
Não apresse a dor que passa
Deixa o tempo te ensinar
Cada sombra tem seu traço
Cada riso, o seu lugar
Verso 2
Colhe o que ficou no chão
Meio sonho, meia estrada
As palavras que se foram
E as promessas penduradas
Pré-Refrão
Sopra o medo devagar
Guarda a esperança lavada
Refrão
Respira, sem pressa da capa
O amor tem suas vírgulas
E a vida, suas paradas
Agora sim
Com calma na alma
Prepare a próxima etapa
Verso 3
Penteia o luto com leveza
Veste o gesto mais sincero
Que a coragem se disfarça
No silêncio mais singelo
Refrão final
Respira, sem culpa ou mapa
O caminho vai se abrir
Mesmo sem carta marcada
Agora sim
Com fé que não se atrasa
Prepare a próxima etapa
Prepare a próxima etapa
ANTES DA PRÓXIMA ETAPA
Antes da próxima etapa
Não
apresse.
Deixa a água ferver no tempo certo.
A vida não é receita de bolo,
mas exige fermento.
Colhe
o que ficou no chão,
as palavras que ninguém usou,
as promessas pela metade,
os silêncios que disseram mais.
Penteia
a dor com cuidado,
guarda a esperança limpa,
sopra o medo devagar.
Respira.
O amor tem suas vírgulas.
A coragem, seus intervalos.
Agora,
sim —
com calma no peito
e o coração de manga arregaçada:
prepare a próxima etapa.
18 maio 2008
SEM TEMPO
no entanto, o beijo eu trouxe...
beija-me, beija-me, beija.
sem tempo para cantar,
no entanto, a esperança está comigo...
cante-me, cante-me, cante.
sem tempo para divagar,
no entanto, o amor está por aqui...
ama-me, ama-me, ama.
sem tempo para perdoar,
no entanto, o grito se desfaz na garganta...
grita-me, grita-me, grita.
sem tempo para ter tempo,
no entanto vejo a luz no fim do túnel.
então vê.
.
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Vicente
.
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10 maio 2008
FLASH BACK
e ouvir
que acabei me calando
e tapando os ouvidos.
deu-se aquele silêncio
ousado
que me fez andar
pelas minhas ruas
descalças
descalço
e passei a entender
a nobreza do barulho
a necessidade do burburinho.
eu ando com fome de carinho
mas não me fiz de rogado.
.
Vicente
.
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.
"decididamente não acredito em destino. A gente pode sim se desviar dele, mudar o curso. O problema é que nem sempre a gente quer, e fica arrumando um monte de problemas. Não precisava. Destino. É só dizer não. E seguir o caminho."
Cláudia - http://leve1.zip.net/
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"Não há poema em si, mas em mim ou em ti."
(Octavio Paz)
18 abril 2008
INÍCIO
por isso conto
em canto)
um tanto a ti
o que me reflita
e tu sorris
risos
fartos
doces
com cheiro de alecrim.
rodeiam-me as suas vontades
envoltas em farto querer
de que não se abram
(em mim}
as flores da timidez
e o encanto se faça perceber.
.
.
Vicente
.
.
08 abril 2008
SUSSURROS DO IPÊ AMARELO
Sussurros do Ipê Amarelo
Eu
caminho sob a copa do ipê,
meus
pés afundando levemente
na
manta amarela das flores caídas.
Cada
pétala, uma pequena vela,
apagada
pelo vento.
O
cheiro de terra úmida
mistura-se
ao perfume doce e efêmero
que
as abelhas ainda buscam.
Eu
toco o tronco rugoso,
sinto
a vida pulsando em suas raízes profundas,
invisíveis.
Como
eu, ele se ergue,
resistindo
às estações,
às
chuvas que lavam,
ao
sol que queima.
Minhas
mãos se perdem
nas
fissuras da casca,
linhas
que contam histórias
de
invernos e primaveras renascidas.
Olho
para o céu,
azul
intenso entre os galhos vazios,
e
vejo meu próprio reflexo
na
folha verde que ainda se agarra, teimosa.
Um
sopro, um murmúrio,
e
ela também se solta,
girando
em sua dança final,
antes
de se juntar ao tapete dourado.
Eu
me agacho, pego uma flor,
sua
textura macia entre meus dedos.
É
tão frágil, tão vibrante,
tão
presente.
É
o instante.
O
ipê não pergunta
por
que suas flores caem.
Ele
apenas as entrega.
E
eu, em meio a essa beleza que se despede,
sinto
uma paz estranha,
como
se cada pétala fosse
um
pequeno adeus
que
me ensina a aceitar
o
fluxo constante das coisas.
E
meu coração, um pouco mais leve,
sussurra
de volta:
"Obrigado."
31 março 2008
DESAFIO
que doía na garganta
ainda engasgava
a traquéia entalada.
meu grito me doía
na saída.
meu corpo me aliviava
a revolta insensata.
recomeçar sem perceber
que se perdeu
olhar nos próprios olhos
sem se arrepender.
esmiuçar a bagagem
e retirar somente
o necessário para recomeçar.
esse é o desafio.
Vicente
.
.
.
"Meus amigos, eu peguei o buquê, heheheheheheheh. No meio de tantas que se amontoaram pra pegá-lo, ele veio assim como se flutuasse ao meu encontro, ele fez uma curva pra chegar até minhas mãos, rsss...
Deia
.
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Continua aqui: http://www.muitomaisdemim.blogspot.com///
.
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26 fevereiro 2008
A TINTA DA ALMA
A Tinta da Alma
Havia
um vazio, um espaço sem cor,
Onde
a palavra indelével flutuava,
Sem
âncora, sem o peso do real.
Um
conceito bonito, sim, mas distante,
Como
uma estrela que se vê e não se toca.
Mas
aí seus olhos cruzaram os meus,
E
um estalo, um choque de cores,
Fez
o abstrato descer, fincar raízes.
Não
foi preciso um juramento solene,
Bastava
a curva do seu sorriso, o jeito
Que
sua mão se encaixava na minha.
Indelével,
entendi agora.
É
o eco da sua risada nos dias cinzentos,
A
lembrança do seu abraço que me aquece a pele,
Mesmo
quando a distância tenta nos impor seu frio.
É
a melodia de um instante, que ressoa,
Para
além do tempo, sem se desmanchar.
Não
é um rascunho em papel efêmero,
Mas
a tatuagem que a vida quis em nós.
Marcada
não por dor, mas por amor puro,
Cada
detalhe seu, um traço firme,
Infundido
na fibra mais íntima do meu ser.
Com
você, a teoria se dissolveu na prática,
E
o dicionário ganhou um novo sentido.
Indelével
é o que somos juntos,
A
essência que permanece, viva e pulsante,
Mesmo
que o mundo tente apagar nossa luz.
É
a prova de que certas coisas
Não
se desfazem, nunca.
Você
é a tinta que coloriu minha alma,
E
fez o indelével existir.
09 fevereiro 2008
EU TE PERCEBO
na colorida natureza
sem as necessidades monocromáticas
dos monitores que não te captam.
e nos altares erguidos
ao amor
que se faz insensato
pelo ciúme desmedido.
eu te concebo
sonho
de olhos que se fecham
no beijo longo
longínquo e demorado.
e nas poucas palavras
que trocamos
por segundos em células
de trânsito confuso
de toda manhã
pela cidade.
.
Vicente
.
.
.
09 janeiro 2008
PASSAGEM
no sono mais puro
se refez
ele já estava de saída.
abafou trânsitos
de olhos mal dormidos
porque não havia o mútuo calor
que inspira poemas
que justifica a poesia.
quando recolheu o nexo da vinda
que a liberdade
outrora sufocada
promovia
já não havia a necessidade da metamorfose
de um para outro estado
(e ela também sabia)
nem daquele torpor
nem daquela letargia
.
.
Vicente
.
.
.
"É melhor ser leão por um só dia, do que um carneiro toda a vida. .."
(Sister Elizabeth Kenny).
25 dezembro 2007
FLAGRADOS NO TEMPO
FLAGRADOS NO TEMPO
Não era mais ontem
mas também não era já,
era aquele meio instante
que se esconde nas frestas
onde o tempo esquece de contar.
nossos olhos, clandestinos,
gravaram na memória
o que o corpo não pôde guardar —
um toque,
um nome não dito,
um quase que ficou inteiro.
as horas correram ao contrário,
os ponteiros, cúmplices,
hesitaram um segundo a mais
só pra nos permitir
a eternidade breve
de um gesto.
depois, tudo voltou:
as vozes, os passos,
a pressa dos outros.
mas nós —
nós fomos flagrados no tempo,
na dobra do relógio,
onde o desejo é fósforo aceso
que ainda brilha
mesmo depois de apagado.
Vicente Siqueira
23 dezembro 2007
PRESENTE
com aquela manhã
imensa
e logo em seguida
me roubaste
uma tarde
que já me consolaria.
agora
só tenho essa noite
que teima em não amanhecer.
também
já sei
que não haverá madrugada
nenhuma.
.
.
Vicente
.
.
17 dezembro 2007
"AMIGUINHA"
Olhaqui, ó! Chamar você de amiguinha não tem nada de pejorativo. É a expressão mais carinhosa que eu reservei para um tratamento. Apenas duas pessoas em toda a minha vida, mereceram de mim essa expressão carinhosa, ao vivo.
E você É UMA DELAS.
Não tem nada de achar-se criança, chata, etc... etc..
Ser amiguinha é um estado. Uma leveza. Um não-sei-o-quê de cumplicidade e graça. Ser amiguinha, é ser aquela pessoa a quem a gente sabe que pode recorrer, seja num momento de dúvidas, de incerteza, seja num momento de querer alguém para dividir um beijo suculento ou uma torta de limão.
Ser amiguinha é usufruir do carinho do amigo, do amante, do marido, do colega.
Ser amiguinha é sentir-se musa sem jamais ter tido essa vontade de ser, sem ter apresentado qualquer motivo para ser idolatrada além do óbvio motivo das formas e cores bem acabadas.
Ser amiguinha é deixar-se conduzir pelo carinho mais afetuoso do amigo distante, renitente e sonhador, que ainda se delicia com algum risinho que teima em brotar ao ler a resposta dizendo que não gosta do termo.
Ser amiguinha é ler tudo isso aí e achar que faz sentido, que está robustamente de acordo com o que deve ser encarado como amizade à distância.
Ser amiguinha é não considerar-se diminuída assim que o amigo deixar de chamá-la de "amiguinha" só porque ela não gosta e sente-se encucada.
Ser amiguinha é considerar que o termo pode ser trocado de "amiguinha" para "Doce Amiga" e que, aí sim, estará de acordo com a ocasião "solene" de ler um zap de um mané.
Eu, por mim, queria ser seu amiguinho. Não me importaria. Mesmo.
Beijos, "Querida Amigona".
Doces prá você...
Vicente
06 dezembro 2007
06 dezembro 2007
CALÇADAS
eu lhe encontrei
ao abrir-se
de calçadas
e supermercados
conforme o combinado
com os nossos destinos.
encontro.
trouxe chegança de espera
em mim
e me vejo de braços
com a saudade.
você chega e traz a lembrança.
rima fresca
e boa
para
esperança.
.
Vicente
.
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"A vida se mantém um enigma, apesar das tentativas milenares de explicações, justificativas, esclarecimentos, elucidações. .."
Dora Vilela
.
publicado originalmente em 06/02/07
.
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6 comentários:
hummmmm
adorei os doces suculentos.
suculentos como os seus, não tinha provado ainda, rsssss.
muitos ....
poetamigo
rsssss
vc é demais amigos.
Com vc aqui tudo é bem mais legal, obrigada por td.
Sabe que to com muita saudades do blog, sem tempo pra ele,mas não sem tempo pros amigos.
Outros e outros
Vicente! "Estava eu posta em sossego..."rs, porque ninguém é de ferro, e não ando postando e nem comentando os amigos(férias bloguísticas...), quando vou dar uma olhadela rápida e vejo você no meu bloguinho!!! Caramba! Quase caí no teclado...rsrs Exageros à parte, pensei que você andasse longe!!!!!!!
Que delícia que está aqui, com a "doceria" em plena atividade!
E estou escondida (aqui)...porque não devia vir aqui e não ir aos demais...rs
Beijos, Vicente.
Logo voltarei.
Obrigada!!!!!! por tudo!
Dora
aiii
Se vc disse eu acredito...
Tb tenho um pouco de medo de mim, às vezes falo muito, deixo as pessoas acoadas...
Que bom saber que contigo foi diferente.
Muitos beijos amigo
Nao temer as palavras nao é fácil.palavras doces ,sao ótimas;palavras menos doce sao dificeis...mas palavras sao palavras e os poemas precisam de todas elas.Viajo pelos blogs e aqui e ali me encanto,me arrepio,me inqueito,me consolo,desconsolo,rio,quase choro...Sao as palavras(as ideias) que acabam abrindo a alma.Sem preconceito eu as recebo(nem sempre as minhas sao bem recebidas.Ossos do ofiício de poeta e humano!)Tudo bem>que tenham 3 a ouvir as bobeiras que digo...vai bem.Falar é exercicio de viver...difil,meu caro...mas nao temos outra arma tao poderosa como as palavras.Obrigadao pela força(sobreviver é comum aos poetas.)vou sobrevivendo.
Tá vendo amigo Vicente, você quase fez a Dora cair do teclado. Isso é bom, assim ela volta logo. MOntanhosoAbraço.
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