"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
01 julho 2018
CAIXA MÁGICA
29 junho 2018
UM PINGO É UMA GOTA?
Um Pingo é uma Gota?
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Vicente
SEXTO SENTIDO

SEXTO SENTIDO
Existe um sexto sentido que precisa ser vivido
dito
sem palavras
sem trapaças
sem textos
sem pretextos.
então:
que esse sentido exploda
e atinja o óbvio do alvo
e se afaste das camuflagens
e perceba as descobertas
e se sinta inquieto
e se encarregue do transformar.
que seja doce ainda que efêmero
e se confunda
com o coito das noites
penetrando as madrugadas
parindo dias
ressuscitando cores
ressurgindo em raios
de todas as luzes.
que todas as palavras
explodam
ressoem
maquiem as notícias
e se lancem
em busca do inédito
e deem crédito
a esse sexto sentido
que se chama
amor.
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Vicente
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26 junho 2018
25 junho 2018
LABIRINTO

:
27 maio 2018
INÍCIO DOS CACOS
Início dos Cacos
Estou bem no início dos
meus cacos.
Não a poeira, nem o fim da
queda,
mas o momento exato do
estilhaço.
Onde a forma antiga se
desfaz,
e a nova ainda não tem
nome.
Aqui, o corte é fresco,
a dor, pontiaguda,
e o mapa do estrago
se desenha em cada lasca.
Não há como esconder,
ou fingir que não quebrou.
É o instante cru,
a verdade desnudada
de que algo se partiu.
Mas também é a promessa,
quase imperceptível,
de que a reconstrução
começa bem aqui,
na primeira farpa,
no primeiro brilho
de um pedaço
que ainda pode ser.
23 maio 2018
PASSOS NA CALÇADA
Passos na
Calçada
Cada
passo é um verso
escrito no asfalto quente
histórias invisíveis
que se perdem no movimento
há passos
apressados
que fogem do tempo
e passos lentos
que saboreiam a cidade
calçadas
guardam segredos
de encontros e partidas
de risos esquecidos
e lágrimas sem nome
cada
pegada no chão
é um traço de vida
um convite silencioso
para ouvir o que ficou
e mesmo
na multidão,
sou único nesse caminhar
feito passos na calçada
que querem se encontrar
16 maio 2018
CAMISA DE FORÇA DA OBRIGAÇÃO
Camisa de Força da
Obrigação
Não te veste, mas te
prende.
Um tecido invisível, fio a
fio,
Tecido com os
"deverias", os "tens que",
Amarrando o corpo,
roubando o ar, o pio.
Sufoca o grito que quer
ser canção,
Apaga a cor que o desejo
pintou.
Cada nó, um
"não" à intenção,
À liberdade que um dia
sonhou.
É o peso do amanhã, o
temor do "se",
A sombra que se estende
sobre o agora.
E a alma, apertada, tenta
mover-se,
Prisioneira em sua própria
demora.
Mas sinto a fibra ceder,
frágil,
A cada "não" que
o coração permite.
Rasgando a trama, um gesto
ágil,
Buscando o espaço que a
vida me remite.
09 maio 2018
SOL NEGRO
Sol Negro
Sob o sol negro de um éon olvidado,
onde a grama espectral sussurra lamentos antigos,
os Desprovidos, almas errantes sem o farol celeste,
irão provar o fel da noite eterna.
Lágrimas de obsidiana, não de contrição,
mas de angústia cósmica,
verterão dos seus olhos vazios,
poças de sombra na terra desolada.
O ar rarefeito vibrará com um único som:
o gemido gutural da perda primordial,
ressoando pelas ruínas de mundos extintos.
Ódio, serpente de escamas fuliginosas,
erguerá a cabeça hedionda, e sua voz,
um raspar de pedras tumulares,
será a única canção na vastidão sombria.
Dor, espectro de mil pontas geladas,
dançará em torno dos Desprovidos,
tecendo um sudário de agonia infinita
na escuridão que os engolirá por completo.
Não haverá aurora, nem sussurro de perdão,
apenas o reino espectral da Noite sem deuses,
sem Deus,
onde o sofrimento é a moeda corrente ,
e o eco dos gemidos, a única litania.
A BÚSSOLA DA FÉ
A Bússola da Fé
Haverá um dia, prenhe de um silêncio carregado, em que aqueles que percorrem os caminhos da existência alheios à presença divina sentirão o peso da ausência como um manto de chumbo. As lágrimas, antes represadas pela ilusão da autossuficiência, jorrarão como fontes amargas, inundando a alma com a percepção tardia de um vazio insondável. A luz se extinguirá para eles, e a escuridão, outrora ignorada, se fará morada constante, fria e opressora.
Naquele tempo sombrio, a melodia da vida se transformará em um coro de gemidos lancinantes. O riso emudecerá, substituído pelo eco doloroso da constatação. O ódio, cultivado nos recantos sombrios do espírito, e a dor, sua fiel companheira, romperão as barreiras do silêncio, propagando-se em ondas de aflição. A escuridão não será apenas a ausência de luz, mas a própria manifestação do sofrimento, um lugar onde a alma se debate em vão, prisioneira das consequências de um caminho percorrido sem a bússola da fé.
A ELE
A ele
Amigo, o fim se achega. Não como um trovão distante, mas um passo na areia.
E a velha palavra insiste: Jesus,
ele vem.
Não amanhã,
nem depois da curva do tempo.
Agora.
Este rasgar de presente.
O tempo sangra urgência.
É hoje, amigo.
A mão aberta,
o gesto puro.
Dar.
A Ele,
silencioso na vastidão,
a pupila da espera.
Teu coração.
Essa matéria bruta,
esse tremor de vida.
A entrega.
Sem laços, sem nós.
Só o ser exposto.
O VENTO DOS FINS
O Vento dos Fins
Amigo, sinto o vento dos fins se aproximando, como um sussurro na folhagem densa da tarde. O livro antigo, com suas páginas amareladas pelo tempo, ecoa uma promessa: Jesus virá. Não em um futuro distante, envolto em névoas de eras, mas agora, neste instante efêmero que nos veste. O tempo urge, amigo, pulsa em nossas veias como a melodia insistente de um chamado. É hoje o dia de desabrochar a flor mais íntima, aquela que reside no jardim secreto do peito. É hoje o momento de ofertar, sem reservas, o relicário frágil e precioso do teu coração a Ele, que na quietude da eternidade, espera. A espera não é ansiosa, mas compassiva, como a do jardineiro que aguarda o tempo certo para a colheita. Entrega, amigo, essa morada de sentimentos, com suas alegrias e sombras, suas canções e silêncios. Ele acolherá, com a ternura do sol que beija a terra, a singularidade da tua essência.
27 abril 2018
GRITOS SEM ROSTO
Gritos Sem Rosto
Há um grito em mim que não
reconheço.
Não tem voz, não tem
rosto,
eco em paredes que não
existem.
É um desespero surdo,
uma urgência que não se explica.
Ele nasce, cresce,
mas não encontra caminho
para fora,
ou para dentro, onde eu o
pudesse nomear.
É um emaranhado de nó,
um mapa sem legenda,
e eu, o explorador perdido
na própria geografia da
alma.
Nem eu entendo meus
gritos.
São idiomas de dor
que minha mente não
traduz.
Apenas a reverberação de
um tremor
que me habita, secreto,
e me deixa à deriva
no oceano do que não sei
sobre mim.
08 fevereiro 2018
À PORTA
À Porta
Eis que
estou —
não longe, não oculto —
mas à porta.
Onde o silêncio ecoa
e a alma se conforta.
Bato sem
pressa,
sem arrombar os dias,
com a mansidão
de quem conhece
as chaves do coração.
Se
ouvires a minha voz
no vento da tarde,
no lampejo da dúvida,
no sussurro da verdade —
abre.
Não trago
fardos,
trago mesa.
Trago vinho,
trago pão,
trago a luz que acende
tua própria direção.
Entrarei
sem exigir,
cearei sem cobrar,
e a solidão que te cerca
irá me acompanhar —
e sumir,
como névoa diante
do olhar.
31 dezembro 2017
ONDE A VOZ ECOAVA AUSENTE
Onde a Voz Ecoava Ausente
A porta rangeu, um lamento breve No silêncio da casa antiga. Os móveis cobertos por lençóis brancos Pareciam espectros imóveis.
E Nem Havia o calor de um abraço, Apenas a frieza do ar parado. A poeira dançava em raios de sol tímidos, Iluminando o vazio eloquente.
A Saudade era um peso no peito, Uma melodia triste e repetida. Onde a voz ecoava ausente, Restava apenas o sussurro do vento.
Na memória, as palavras pairavam, Fragmentos de conversas perdidas. Onde a voz ecoava ausente, O silêncio gritava verdades nuas.
E Ninguém para preencher a lacuna, O espaço deixado por uma partida. Onde a voz ecoava ausente, A alma buscava um eco em vão.
Vicente Siqueira
01 novembro 2017
MISTO
Misto
Permaneço mistério e
presença.
Não sou decifrável,
nem me desfaço ao toque.
Há um véu invisível
que me veste,
mesmo quando estou nu.
Minha face se revela em
sombras,
minha voz, em sussurros.
Sou o enigma que pulsa,
o rastro que ninguém segue
até o fim.
E nessa dualidade,
onde o conhecido se funde
ao indizível,
eu habito.
Sou o que você vê e o que
não vê,
o que você sente
sem nunca compreender
totalmente.
Um segredo vivo,
sempre aqui,
sempre além.
04 outubro 2017
SOMBRAS QUE ABRAÇAM
Sombras que Abraçam
Quando a
luz se esconde
as sombras despertam
não para assustar
mas para envolver
elas são
braços longos
que acolhem o cansaço
e embalam o silêncio
com ternura escura
não há
medo aqui
só o toque suave
de quem sabe esperar
e abraçar sem julgar
as
sombras que abraçam
são refúgios secretos
onde o peito encontra
descanso e abrigo
e na
penumbra gentil
renasce a esperança
de um novo dia
