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"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
24 maio 2017
BELEZA E ATITUDE
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15 maio 2017
SÓLIDA SOLIDÃO
SÓLIDA SOLIDÃO
Meu
quarto inerte me deixa só,
e o frio (estúpido) se desprende da
vidraça fechada atrás das cortinas
de cetim amarelo-doentio.
Em meu
peito, meus braços me dizem
que já não suportam o vazio
que deixas quando não vejo nem toco
teus lábios.
Quisera
poder sugá-los
por todos os ângulos,
em todos os lugares:
em minha cama,
no cinema,
no drive-in,
em qualquer parque onde brotam
as vincas,
na rua,
na dura realidade do dia a dia.
Até sentir que não
morrerei
na (não nessa) solidão.
11 maio 2017
TÍTULO SEM NOME
Título Sem Nome
Amigo, sinto o vento dos fins se aproximando, como um sussurro na folhagem densa da tarde. O livro antigo, com suas páginas amareladas pelo tempo, ecoa uma promessa: Jesus virá. Não em um futuro distante, envolto em névoas de eras, mas agora, neste instante efêmero que nos veste. O tempo urge, amigo, pulsa em nossas veias como a melodia insistente de um chamado. É hoje o dia de desabrochar a flor mais íntima, aquela que reside no jardim secreto do peito. É hoje o momento de ofertar, sem reservas, o relicário frágil e precioso do teu coração a Ele, que na quietude da eternidade, espera. A espera não é ansiosa, mas compassiva, como a do jardineiro que aguarda o tempo certo para a colheita. Entrega, amigo, essa morada de sentimentos, com suas alegrias e sombras, suas canções e silêncios. Ele acolherá, com a ternura do sol que beija a terra, a singularidade da tua essência.
E a velha palavra insiste: Jesus, ele vem. Não amanhã, nem depois da curva do tempo.
Agora. Este rasgar de presente. O tempo sangra urgência.
É hoje, amigo. A mão aberta, o gesto puro. Dar.
A Ele, silencioso na vastidão, a pupila da espera.
Teu coração. Essa matéria bruta, esse tremor de vida. A entrega. Sem laços, sem nós. Só o ser exposto.
Haverá um dia, prenhe de um silêncio carregado, em que aqueles que percorrem os caminhos da existência alheios à presença divina sentirão o peso da ausência como um manto de chumbo. As lágrimas, antes represadas pela ilusão da autossuficiência, jorrarão como fontes amargas, inundando a alma com a percepção tardia de um vazio insondável. A luz se extinguirá para eles, e a escuridão, outrora ignorada, se fará morada constante, fria e opressora.
Naquele tempo sombrio, a melodia da vida se transformará em um coro de gemidos lancinantes. O riso emudecerá, substituído pelo eco doloroso da constatação. O ódio, cultivado nos recantos sombrios do espírito, e a dor, sua fiel companheira, romperão as barreiras do silêncio, propagando-se em ondas de aflição. A escuridão não será apenas a ausência de luz, mas a própria manifestação do sofrimento, um lugar onde a alma se debate em vão, prisioneira das consequências de um caminho percorrido sem a bússola da fé.
Sob o sol negro de um éon olvidado, onde a grama espectral sussurra lamentos antigos, os Desprovidos, almas errantes sem o farol celeste, irão provar o fel da noite eterna.
Lágrimas de obsidiana, não de contrição, mas de angústia cósmica, verterão dos seus olhos vazios, poças de sombra na terra desolada.
O ar rarefeito vibrará com um único som: o gemido gutural da perda primordial, ressoando pelas ruínas de mundos extintos.
Ódio, serpente de escamas fuliginosas, erguerá a cabeça hedionda, e sua voz, um raspar de pedras tumulares, será a única canção na vastidão sombria.
Dor, espectro de mil pontas geladas, dançará em torno dos Desprovidos, tecendo um sudário de agonia infinita na escuridão que os engolirá por completo.
Não haverá aurora, nem sussurro de perdão, apenas o reino espectral da Noite sem Deuses, onde o sofrimento é a moeda corrente e o eco dos gemidos, a única litania.
09 maio 2017
FLAGRADOS
Flagrados
não podia estar lá
quando queria estar aqui,
nesse jogo de abraços
que anseia pernas tocadas,
no risco de sermos descobertos.
não ousara dizer não ao momento,
ao encantamento,
ao toque de Midas
que transforma
o cinza da frente fria
em dourado
de calor generoso.
são bocas sabendo a graça
de se esconderem
uma na outra,
uma pra outra,
na exploração
que não conhece fadiga
e não suporta a tirania
dos ponteiros
dos relógios.
por isso, o escorregão
no atraso
denunciou os cheiros
e as perguntas
sem respostas,
sem explicações.
06 maio 2017
PENSAMENTOS ATROPELADOS
Pensamentos
Atropelados
Corri sem
rumo,
e as palavras tropeçaram nos meus pés.
Pensei em
te dizer tudo,
mas os pensamentos se atropelaram,
uns batendo nos outros,
desabando em silêncio.
Era amor,
era medo,
era urgência,
era não saber ser.
No meio
da confusão,
eu te olhei —
e bastou.
O que não
cabia na fala,
se ajeitou no brilho dos olhos.
PENSAMENTOS ATROPELADOS (Versão Livre)
Pensamentos
Atropelados (versão
livre)
atropelo
—
esbarro nas palavras
corto esquinas do que sinto
não encaixo frases,
não domino o caos.
te penso
— te fujo — te busco
tudo junto,
sem linha reta,
sem ponto final.
uma ideia
atravessa a outra,
feito carros numa rua sem semáforo,
e eu no meio,
tentando lembrar
por que mesmo eu queria falar?
(aí você
sorri)
e a
cidade inteira silencia.
PENSAMENTOS ATROPELADOS (Versão Minimalista)
Pensamentos
Atropelados (versão
minimalista)
penso —
tropeço — calo.
te vejo
e o mundo desaba
num piscar.
sem mapa,
sem aviso,
sem defesa.
só você,
e eu
esquecendo
tudo.
08 abril 2017
OS QUE OUVIRAM, OS QUE FUGIRAM
Os Que Ouviram, Os Que Fugiram - Capítulo IV
A voz
havia sido lançada
como raio que não toca a pele,
mas arde por dentro da essência.
E a Terra
estremeceu —
não por terremoto,
mas porque corações se dividiram
como mares diante do vento antigo.
Os que
ouviram…
pararam no meio de seus caminhos.
Sentiram a espinha gelar com ternura,
e os olhos se encheram de memória
sem saber do quê.
Um
lavrador largou sua enxada,
e ajoelhou sem saber por que.
Uma
criança, sem entender o que era fé,
sorriu para o céu e disse “eu lembro”.
Um velho
cego, num banco de praça,
chorou, porque viu.
Mas nem
todos quiseram escutar.
Alguns
taparam os ouvidos com promessas vazias.
Outros riram —
como se a Eternidade fosse brincadeira
inventada por homens cansados de viver.
“É só
vento”, diziam.
“É só emoção.”
E
voltaram a dormir
em camas que não os sonhavam mais.
Mas para
os que ouviram,
mesmo sem entender,
algo mudou.
As
árvores pareciam dizer seus nomes.
O tempo caminhava ao lado deles.
E onde antes havia ruína,
brotavam janelas para o alto.
Na Cidade
Suspensa,
os sinos tocaram sozinhos.
No Trono
Vivo,
Cristo sorriu —
pois a Palavra não volta vazia.
12 março 2017
O SEDIMENTO DO SER
O Sedimento
do Ser
Você me
pergunta o que é feito delas,
dessas
camadas que cultivou no escuro,
sob a dobra
do tempo e o abrigo da pele.
Eu te digo:
elas viraram solo.
Não se
perdem as águas que passaram,
nem o sal
que ardeu nos olhos de outrora;
eles
decantaram em silêncio,
transformando
a carne em território,
e a memória
em geologia.
O que você
chama de sensibilidade
é, agora, a
sua fundação.
É o que
impede que o vento te leve
quando o
mundo sopra desordem.
É a matéria
que amortece o impacto,
que
transforma a pancada em eco
e o grito em
melodia mansa.
Essas
camadas são o seu "Doces Poesias":
o açúcar que
cura o amargor do chumbo,
a lente que
filtra a luz que seria incêndio.
Elas são o
que te permite olhar para o vão
e, em vez de
abismo,
enxergar
apenas um lugar para descansar.
Nada se
desperdiçou.
Você não
apenas carregou o tempo;
você o
transformou em abrigo.
E hoje,
quando você respira,
são todas
essas camadas que, juntas,
ajudam o seu
peito a se expandir.
Vicente
Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
19 agosto 2016
EM ESTADO DE CHAMA
EM ESTADO DE CHAMA
desejar é
verbo que transborda
não se conjuga com calma
nem com censura
o corpo
pede
mas é a alma que responde
e o que
sinto
não cabe em pele
nem em perfume
nem em moldura de noites a dois
é algo
entre o milagre
e o susto
como se
teu riso
fosse a centelha
que acende um universo
em combustão controlada
e eu,
devoto dessa alquimia,
só sei arder
porque
desejar-te
é estar vivo demais.
23 julho 2016
CORTE III
24 junho 2016
CORTE II
14 junho 2016
ORVALHO NA PELE
Orvalho na Pele
Sou herbáceo de nascença,
feito de terra e umidade.
Sinto o orvalho na pele e
me resfrio,
não de temor, mas de
verdade.
É a natureza em mim,
o que me liga ao chão e ao
céu.
Cada gota que me toca,
um beijo gélido, um véu
de amanhecer que me
abraça.
A pele arrepiada,
mas a raiz, firme.
É o ciclo que se completa,
a vida que se afirma.
No frescor da manhã,
sou folha que respira,
e em cada fibra, sinto
a promessa que a terra
inspira.
23 maio 2016
PEGADAS NA AREIA DO TEMPO
Pegadas na Areia do Tempo
Eu
caminho pela praia deserta da minha memória,
os
pés afundando levemente
na
areia fina e macia.
As
ondas do esquecimento vêm e vão,
apagando
e revelando as pegadas que deixei.
Algumas
são profundas, marcadas a ferro e fogo,
outras,
apenas leves depressões,
quase
imperceptíveis.
Eu
me inclino para ver melhor.
Aqui,
a pegada de um riso alto,
um
dia de sol que nunca mais volta,
mas
que ainda me aquece o peito.
Mais
à frente, a marca de uma lágrima solitária,
um
momento de dor que me ensinou a força,
a
resiliência que eu não sabia que tinha.
Há
rastros de mãos dadas,
de
companhias que me acompanharam por um trecho,
e
depois seguiram outros caminhos.
E
há as minhas próprias pegadas,
solitárias
em alguns trechos,
firmes
em outros,
revelando
a jornada que é só minha.
Eu
olho para trás,
para
a vastidão do percorrido.
O
vento da vida, às vezes,
traz
o cheiro de maresia do passado,
e
eu sinto a nostalgia suave que me invade.
Mas
sei que não posso voltar,
apenas
observar, reconhecer.
E
então, eu olho para a frente.
A
areia virgem se estende, infinita,
esperando
por novas marcas.
Não
sei que ventos soprarão,
que
marés virão para apagar ou aprofundar.
Mas
eu sigo em frente,
deixando
minhas novas pegadas,
caminho
a caminho,
sabendo
que cada passo é um verso
escrito
na areia do tempo,
único
e irrepetível.
11 maio 2016
O VENTO NOTURNO NA JANELA VELHA
O Vento Noturno na Janela Velha
A cortina fina dança sem rumo (no ar frio que entra).
Lá fora, a cidade dorme,
mas o vento conta segredos antigos
nas folhas das árvores.
Há um cheiro de terra molhada
e memórias distantes pairando no ar.
As estrelas piscam,
indiferentes ao murmúrio invisível
que percorre a noite.
Dentro do quarto,
a penumbra guarda
silêncios e
esperanças.
09 maio 2016
PARÁGRAFOS
PARÁGRAFOS
tenho
umas mãos fartas de desejos,
que se encaixam em todas
as tuas reentrâncias,
teus ângulos,
tuas medidas
mais exatas.
percorrem todos os poros,
todos os pelos,
todos os sonhos,
até o interior das
tuas ranhuras.
com essas
ferramentas me preparo,
abestalhado pela descoberta
das tuas belezas,
para invadir-te
os parágrafos que me guiarão
pelo interior
de novas palavras,
que formam frases
e denunciam dicionários.
01 maio 2016
BÚSSOLA INTERNA
BÚSSOLA INTERNA
Minha bússola interna anda se desequilibrando
Que forte! Sentir a bússola interna desequilibrada é uma sensação bem comum e, por vezes, angustiante. É como se o chão sumisse um pouco, não é? A gente se vê sem direção, sem saber qual o próximo passo ou qual caminho seguir.
Entendendo o Desequilíbrio
Esse desequilíbrio pode vir de várias coisas:
Excesso de informações: Vivemos em um mundo onde somos bombardeados por opiniões, "verdades" e caminhos que outros seguem. Isso pode nos confundir sobre o que realmente nós queremos.
Mudanças grandes: Transições de carreira, novos relacionamentos, perdas ou até mesmo a chegada de novas fases da vida podem balançar a nossa percepção.
Pressões externas: Expectativas da família, amigos ou da sociedade podem nos levar a agir de formas que não ressoam com quem somos de verdade.
Autoconhecimento em xeque: Às vezes, o desequilíbrio indica que é hora de revisitar o que realmente importa para você, seus valores e seus propósitos.
O Que Fazer Quando a Bússola Falha
Quando a bússola interna começa a girar sem parar, algumas coisas podem ajudar a recalibrá-la:
Respire e observe: Não se desespere. O primeiro passo é reconhecer que ela está desequilibrada. Tire um tempo para si, sem julgamentos, e observe o que está acontecendo dentro de você.
Conecte-se com o que te faz bem: Lembre-se de atividades, pessoas ou lugares que te trazem paz e clareza. Isso pode ser meditar, caminhar na natureza, ouvir música, ou conversar com alguém que você confia.
Pequenos passos: Em vez de tentar enxergar todo o mapa, foque em um pequeno trecho. Qual é o próximo pequeno passo que você pode dar para se sentir um pouco melhor ou mais alinhado?
Reavalie seus valores: O que é realmente importante para você? Seus princípios, sua ética, o que te move. Refletir sobre isso pode trazer de volta a clareza sobre suas prioridades.
Permita-se errar: Faz parte do processo. Não há uma bússola perfeita. O importante é a intenção de buscar o seu próprio norte.
Lembre-se que essa é uma fase, e fases passam. O fato de você ter notado que a bússola está desequilibrada já é um grande passo para ajustá-la.
O que você sente que mais contribui para esse desequilíbrio na sua bússola neste momento?
Conecte-se com o que te faz bem: Lembre-se de atividades, pessoas ou lugares que te trazem paz e clareza. Isso pode ser meditar, caminhar na natureza, ouvir música, ou conversar com alguém que você confia.
Sempre que precisar se reconectar com o que te faz bem, lembre-se destas sugestões:
Atividades para buscar paz e clareza:
Meditar e praticar mindfulness para acalmar a mente.
Caminhar na natureza, absorvendo a tranquilidade do ambiente.
Ouvir música que te inspire e relaxe.
Ler um bom livro que te transporte para outros mundos.
Praticar um hobby que te traga alegria e satisfação, como pintar, escrever ou cozinhar.
Fazer exercícios físicos para liberar tensões e energizar o corpo.
Pessoas que te inspiram e apoiam:
Conversar com alguém de confiança – um amigo, familiar ou terapeuta.
Passar tempo com pessoas que te fazem rir e te apoiam.
Conectar-se com comunidades ou grupos que compartilham seus interesses.
Lugares que te trazem serenidade:
Um canto tranquilo em sua casa, onde você possa relaxar e se isolar.
Um parque, jardim ou praia, onde você possa se conectar com a natureza.
Um café acolhedor ou biblioteca, para um momento de introspecção.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
07 abril 2016
O ECO DO AGORA
O eco do agora
Ontem não se vai,
mas se aninha
na pele do hoje.
Um sussurro do vento
traz a memória
de um riso esquecido.
Um toque, leve,
quase imperceptível,
desperta a ausência
de mãos que já foram.
E um olhar,
mesmo sem face,
projeta a imagem
do que ainda habita,
profundo,
no presente.
O passado
não é uma porta fechada,
mas um rio que flui
por entre as margens
do que somos.
11 fevereiro 2016
A CALMA QUE ACOLHE
A Calma que Acolhe
A voz embarga, o passo
lento,
O olhar distante, o
pensamento
Voa pra longe, sem chegar.
Não é defeito, é só
cansar.
A pilha baixa, o fio
quebra,
A mente pede uma trégua.
A força some, o riso some,
Não é fraqueza, tem um
nome:
É só cansaço, a alma pede,
Um tempo, um colo, uma
parede
Pra encostar, pra
respirar,
Pra o corpo e a mente
alinhar.
O mundo cobra, a vida
corre,
Mas a exaustão, ela não
morre
Com força bruta, com
lutar.
É preciso se escutar.
Permita-se o silêncio, o
nulo,
O abraço morno, o
acalanto.
A pausa cura, reconstrói,
E o que hoje dói, amanhã
já foi.
Não se culpe por sentir,
Por precisar de um canto
pra existir.
Não é defeito, é só
cansaço,
E a vida te oferece um
novo espaço.


