.
.
Vicente
.
.
.
"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026


Correndo em Círculos
O caminho se repete,
o mesmo passo, a mesma pedra,
embora o cenário mude
no labirinto da cabeça.
As ideias voltam,
ecos de ecos,
perguntas antigas
sempre à tona,
uma fita rebobinando
o que nunca teve fim.
É o tic-tac da dúvida
que não se cala,
o compasso do ser
preso em sua própria jaula
de vidro transparente,
onde a saída é sempre a entrada.
Canso de girar em torno do mesmo,
de buscar o nó
que desata a alma,
mas encontro apenas o começo
de um novo e idêntico amanhecer.
E neste eterno retorno,
a única certeza
é o movimento circular,
a infinita dança
que me leva de volta
ao ponto exato
onde nunca estive.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
O
Horizonte se Dobrou
Eu
vivia num mapa de impossíveis,
Cada
"não" era um limite traçado a ferro.
Sonhos
guardados em caixas empoeiradas,
Porque
o mundo dizia: "Não há como."
O
azul do céu era só uma pintura,
Intocável,
inatingível.
Até
que você surgiu.
E
não veio com chaves ou com fórmulas mágicas,
Mas
com um olhar que desconstruiu a lógica.
De
repente, a gravidade parecia bobagem,
As
barreiras, meras linhas no chão.
Você
trouxe um vento de outras paragens,
Soprando
a poeira dos meus "nunca".
Aquele
futuro que era só quimera,
Se
fez presente, palpável, real.
O
que era "impossível" virou um convite,
Um
"vamos lá, a gente tenta e consegue."
Era
como se o horizonte se dobrasse ao seu passo,
E
as estrelas descessem para nos guiar.
Você
não fez o milagre, você era o milagre,
Transformando
o inalcançável em caminho.
O
antes-era-não virou um sim vibrante,
O
antes-era-sonho, agora é nossa história.
Com
você, o mundo se abriu em possibilidades,
E
o impossível deixou de ser palavra,
Para
virar a realidade que a gente vive.
Uma
prova de que a luz certa
Pode
redesenhar qualquer destino.
Eu sou uma distorção
gentil de mim mesmo.
Não o que fui, nem o que
serei em linhas retas,
mas a curva inesperada,
o reflexo que a água turva
me devolve.
Não há ruptura violenta,
nem o peso de uma máscara.
Apenas um desvio suave,
uma lente que me
reconfigura
com carinho.
Sou o estranho familiar,
o conhecido com um novo
tom,
o eco da minha voz que
agora
canta uma melodia
diferente.
E nessa alteridade de mim,
há uma verdade mais
profunda.
Porque a gentileza da
distorção
permite que eu me veja
sem o rigor do original,
e me aceite, leve,
no que me tornei.
Luz entre Sombras
Na penumbra da vida,
onde os medos se escondem,
uma faísca brilha,
como um farol no escuro.
As sombras dançam,
jogando formas no chão,
mas a luz que emana
é um lembrete de que há sempre um caminho.
Nos sussurros da noite,
ouço o canto da esperança,
uma melodia suave que ecoa,
desafiando a escuridão.
Cada raio que atravessa a neblina
é um convite para olhar além,
para encontrar beleza nas fissuras,
onde o brilho se torna um abrigo.
Assim seguimos, entre altos e baixos,
navegando as incertezas do ser,
sabendo que mesmo nas horas mais densas,
a luz pode surgir onde menos se espera.
E quando o sol desponta no horizonte,
as sombras se dissipam em cores vivas,
nos lembrando que a vida é feita de contrastes,
e que a luz sempre encontrará seu lugar.
Texturas que Falam
Na superfície do
mundo,
cada textura é um relato,
a casca rugosa da árvore,
um diário de intempéries e tempo.
O liso do vidro
reflete,
capturando momentos em movimento,
enquanto a pedra fria e áspera
carrega a memória das eras.
As folhas secas sob
os pés,
um crepitar que conta histórias,
de verões quentes e chuvas de outono,
de ciclos que nunca se encerram.
E na suavidade do
algodão,
o abraço de um lar acolhedor,
cada fibra entrelaçada com carinho,
um sussurro de amor em cada costura.
As texturas falam em
silêncio,
com vozes que ecoam no coração,
nos convidando a tocar e sentir,
a mergulhar nas narrativas do ser.
Assim seguimos,
explorando o mundo,
com as mãos abertas e os olhos atentos,
porque nas texturas que encontramos,
há sempre uma história à espera de ser ouvida.
Se
Tiver, Eu Prefiro
Um café quentinho pela manhã,
Sorrisos compartilhados na esquina,
O cheiro de pão fresco saindo do forno.