"Porque são doces poesias encontradas aqui por poetas, poetisas e simpatizantes. Venha, faça dessa doceria a sua casa preferida. Lugar de sonhos e belezas da alma. Este é o blog do Vicente, onde posta suas poesias desde o ano de 2003. E o blog continua ativo em 2026
23 fevereiro 2010
DEZEMBRO AMARGO
porque era dezembro
e eu te procurei
em ânsias de encontrar
e te percebi sorrindo
e te encontrei cantando
e te achei amando.
e era dezembro mesmo
daqueles de receber presentes
e partilhar presenças
e recolher lembranças
e mascarar tristezas.
e por ser dezembro
te recebi ainda
como jamais ousara adivinhar-te
nem supusera encontrar-te
assim linda
como uma sinfonia de Beethoven
como um solo de piston
como uma tela de Rembrandt.
e por ser dezembro
desmascarei meus medos
afugentei meus fantasmas
acorrentei minhas dúvidas
e não voltei
às minhas viagens atlânticas
nem às amazônicas.
e porque era dezembro
não arrisquei
sequer
um pequeno choro
nem um singelo post
nem um ilícito
nem um
esperado
doce.
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Vicente
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“E tuas lembranças me trazem lágrimas,
assim como as lágrimas me trazem tuas lembranças.”
(Esyath Barret)
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15 janeiro 2010
CORRENDO EM CÍRCULOS
Correndo em Círculos
O caminho se repete,
o mesmo passo, a mesma pedra,
embora o cenário mude
no labirinto da cabeça.
As ideias voltam,
ecos de ecos,
perguntas antigas
sempre à tona,
uma fita rebobinando
o que nunca teve fim.
É o tic-tac da dúvida
que não se cala,
o compasso do ser
preso em sua própria jaula
de vidro transparente,
onde a saída é sempre a entrada.
Canso de girar em torno do mesmo,
de buscar o nó
que desata a alma,
mas encontro apenas o começo
de um novo e idêntico amanhecer.
E neste eterno retorno,
a única certeza
é o movimento circular,
a infinita dança
que me leva de volta
ao ponto exato
onde nunca estive.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
20 outubro 2009
O HORIZONTE SE DOBROU
O
Horizonte se Dobrou
Eu
vivia num mapa de impossíveis,
Cada
"não" era um limite traçado a ferro.
Sonhos
guardados em caixas empoeiradas,
Porque
o mundo dizia: "Não há como."
O
azul do céu era só uma pintura,
Intocável,
inatingível.
Até
que você surgiu.
E
não veio com chaves ou com fórmulas mágicas,
Mas
com um olhar que desconstruiu a lógica.
De
repente, a gravidade parecia bobagem,
As
barreiras, meras linhas no chão.
Você
trouxe um vento de outras paragens,
Soprando
a poeira dos meus "nunca".
Aquele
futuro que era só quimera,
Se
fez presente, palpável, real.
O
que era "impossível" virou um convite,
Um
"vamos lá, a gente tenta e consegue."
Era
como se o horizonte se dobrasse ao seu passo,
E
as estrelas descessem para nos guiar.
Você
não fez o milagre, você era o milagre,
Transformando
o inalcançável em caminho.
O
antes-era-não virou um sim vibrante,
O
antes-era-sonho, agora é nossa história.
Com
você, o mundo se abriu em possibilidades,
E
o impossível deixou de ser palavra,
Para
virar a realidade que a gente vive.
Uma
prova de que a luz certa
Pode
redesenhar qualquer destino.
09 setembro 2009
VONTADE DO RISO
14 julho 2009
O MEU AVESSO SUAVE
O Meu Avesso Suave
Eu sou uma distorção
gentil de mim mesmo.
Não o que fui, nem o que
serei em linhas retas,
mas a curva inesperada,
o reflexo que a água turva
me devolve.
Não há ruptura violenta,
nem o peso de uma máscara.
Apenas um desvio suave,
uma lente que me
reconfigura
com carinho.
Sou o estranho familiar,
o conhecido com um novo
tom,
o eco da minha voz que
agora
canta uma melodia
diferente.
E nessa alteridade de mim,
há uma verdade mais
profunda.
Porque a gentileza da
distorção
permite que eu me veja
sem o rigor do original,
e me aceite, leve,
no que me tornei.
22 maio 2009
LUZ ENTRE SOMBRAS
Luz entre Sombras
Na penumbra da vida,
onde os medos se escondem,
uma faísca brilha,
como um farol no escuro.
As sombras dançam,
jogando formas no chão,
mas a luz que emana
é um lembrete de que há sempre um caminho.
Nos sussurros da noite,
ouço o canto da esperança,
uma melodia suave que ecoa,
desafiando a escuridão.
Cada raio que atravessa a neblina
é um convite para olhar além,
para encontrar beleza nas fissuras,
onde o brilho se torna um abrigo.
Assim seguimos, entre altos e baixos,
navegando as incertezas do ser,
sabendo que mesmo nas horas mais densas,
a luz pode surgir onde menos se espera.
E quando o sol desponta no horizonte,
as sombras se dissipam em cores vivas,
nos lembrando que a vida é feita de contrastes,
e que a luz sempre encontrará seu lugar.
TEXTURAS QUE FALAM
Texturas que Falam
Na superfície do
mundo,
cada textura é um relato,
a casca rugosa da árvore,
um diário de intempéries e tempo.
O liso do vidro
reflete,
capturando momentos em movimento,
enquanto a pedra fria e áspera
carrega a memória das eras.
As folhas secas sob
os pés,
um crepitar que conta histórias,
de verões quentes e chuvas de outono,
de ciclos que nunca se encerram.
E na suavidade do
algodão,
o abraço de um lar acolhedor,
cada fibra entrelaçada com carinho,
um sussurro de amor em cada costura.
As texturas falam em
silêncio,
com vozes que ecoam no coração,
nos convidando a tocar e sentir,
a mergulhar nas narrativas do ser.
Assim seguimos,
explorando o mundo,
com as mãos abertas e os olhos atentos,
porque nas texturas que encontramos,
há sempre uma história à espera de ser ouvida.
Se Tiver, Eu Prefiro
Se
Tiver, Eu Prefiro
Um café quentinho pela manhã,
Sorrisos compartilhados na esquina,
O cheiro de pão fresco saindo do forno.
Nessa esquina, a vida se desenrola...
Nessa esquina, a vida se desenrola...
Um palco vibrante, cheio de rostos.Um milhão de histórias fluem,
Cada uma única, cada uma pulsante,
Destinos entrelaçados no cotidiano,
Movimentos sutis de esperanças e sonhos.
09 abril 2009
PONTO PRAS MENINAS

não quis falar
nem sequer pensei no que havia
pra te dizer
porque ainda não sabia como
nem o que dizer.
tenho isso comigo
é meu jeito
é meu modo de ser
de intercalar tagarelices
com longos silêncios.
ouvi de mim os segredos que ousara sonhar
na mais crescente confusão de sentidos
como em qualquer outro momento
mas não compartilhei as idéias
só as sedes e fomes dos amores
das irisadas ilusões mais ousadas
(que não ousara revelar)
por isso me calei
por isso me retirei.
e minhas idéias quedaram-se como estradas
de uma via só
de ida sem vinda
como vontades sorrateiras
que preferi ocultar
como monólogo recitado
no mais completo ermo
para não se espalhar.
agora aplaudo minha decisão
de voltar
porque te conheci
tão cálida
tão sentida a beijos e doces
igualzinha ao que eras
mas
muito
muito melhor.
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Vicente
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"Às vezes as pessoas tomam algumas atitudes e não tem noção do que isso pode gerar nas outras, as consequências podem ser desastrosas, geram dor e tristeza ..."
Andreia Vask
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07 abril 2009
A MELODIA SILENCIOSA DA SAUDADE
A Melodia Silenciosa da Saudade
Eu
me sento na janela,
o
vapor da xícara de chá
desenhando
formas no ar frio da manhã.
Lá
fora, a cidade desperta sem pressa,
seus
ruídos abafados
pela
distância e pela névoa.
E
em mim, uma melodia,
silenciosa
e persistente,
começa
a tocar.
Não
é uma canção triste,
não
exatamente.
É
mais como o eco de passos em um corredor vazio,
a
lembrança do calor de uma mão que já não sinto.
É
a saudade,
com
seus dedos invisíveis,
tocando
as cordas da minha memória,
despertando
rostos, risos,
palavras
ditas em outros tempos.
Eu
fecho os olhos
e
as imagens vêm como flashes,
rápidas
e nítidas.
Aquele
dia na praia, o cheiro de sal.
A
conversa de madrugada, a cumplicidade no olhar.
Pequenos
fragmentos que se juntam,
formando
um mosaico
do
que foi e do que permanece,
mesmo
na ausência.
A
garganta aperta um pouco,
mas
não há lágrimas.
É
uma doçura amarga, essa saudade.
Ela
me lembra da riqueza
do
que já vivi,
das
pessoas que cruzaram meu caminho
e
deixaram suas marcas em mim.
É
o presente que o passado me oferece,
um
tesouro invisível
que
guardo dentro do peito.
Eu
abro os olhos novamente,
o
chá agora morno.
O
mundo lá fora continua seu ritmo,
indiferente
à minha melodia interna.
Mas
eu sei que ela está ali,
essa
canção que só eu ouço,
e
que, de alguma forma,
me
faz sentir mais vivo,
mais
humano,
mais
conectado
à
vastidão do que fui
e
ao que ainda sou.
30 março 2009
MEMÓRIA DE PRIMEIROS VERSOS
Memória
de Primeiros Versos
Uma
lousa.
Dois sorrisos.
Três poemas na mesma folha.
Trocávamos papéis como quem entrega segredos.
Ela
escrevia com perfume nas palavras.
Eu respondia com mãos suadas.
Tudo começava ali.
Agora,
tudo parece longe,
mas a lembrança reaparece inteira
num segundo
em que ela me olha e desvia.
QUANDO TUDO COMEÇOU A PARTIR
Quando
Tudo Começou a Partir
Foi um
silêncio longo,
mas nenhum dos dois o nomeou.
Ela ficou ausente aos poucos.
Eu fui ficando inteiro demais — e pesado.
No último
encontro do grupo,
ela não leu nada.
Eu li demais.
E ninguém
entendeu.
Mas eu soube ali:
ela já havia partido.
14 março 2009
ACHADOS E PERDIDOS - GONZAGUINHA
Artista: Gonzaguinha
Quem me dirá onde está
Aquele moço Fulano de Tal
(Filho, marido, irmão, namorado,
que não voltou mais)
Insiste o anúncio nas folhas
dos nossos jornais:
Achados, perdidos, morridos,
Saudades demais.
Mas eu pergunto e a resposta
é que ninguém sabe
ninguém nunca viu
Só sei que não sei
quão sumido ele foi
Sei é que ele sumiu
E quem souber algo
Acerca do seu paradeiro:
Beco das Liberdades
Estreita e esquecida
uma pequena marginal
dessa imensa Avenida Brasil.
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20 fevereiro 2009
CONGESTIONAMENTO
CONGESTIONAMENTO
CONGESTIONAMENTO
cá dentro
há
intenso
um trânsito de intenções
QUE TEIMA
em desmascarar
a calma aparente
do ambiente.
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Vicente
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03 fevereiro 2009
MISTÉRIO DESVELADO
**Mistério Desvelado**
No coração da cidade onde
os relógios dançam,
entre sombras e luzes que
sussurram segredos,
uma porta antiga, coberta
de poeira e histórias,
aguardava o toque de mãos
curiosas.
As paredes, testemunhas
silenciosas,
guardavam ecos de risos e
suspiros,
e no canto, um quadro
esquecido,
pintado com cores que
nunca vi,
parecia pulsar como um
coração vivo.
Ao abrir a porta, um aroma
de café fresco,
misturado ao perfume das
flores noturnas,
preencheu o ar, como se o
passado e o presente
se entrelaçassem em um
abraço apertado.
E ali estavam eles:
personagens de contos esquecidos,
sussurrando mistérios em
línguas antigas,
cada olhar uma chave para
portas ocultas,
cada gesto uma pista no
labirinto do tempo.
Um velho contador de
histórias, com olhos brilhantes,
revelou segredos sobre as
estrelas que caíram do céu;
disse que cada estrela é
um desejo não realizado,
e cada desejo uma luz que
guia os perdidos.
No meio da sala, um
espelho distorcido refletia faces,
não apenas as minhas, mas
rostos de outros mundos;
um jogo de realidades se
desenrolava diante dos meus olhos—
um mistério sendo
desvendado em camadas sutis.
E assim eu caminhei por
corredores de memórias,
onde os fantasmas dançavam
sob a luz da lua;
cada riso ecoava como um
chamado à aventura,
e cada lágrima era uma
verdade esperando para ser revelada.
Finalmente, compreendi: o
mistério não era apenas o que estava oculto,
mas a beleza do
desconhecido que nos molda;
e ao desvendar cada camada
da vida e do tempo,
descobri que o verdadeiro
enigma é viver plenamente.
29 janeiro 2009
O CIRCO CHEGOU
em silêncio
arredio
perto das luzes
refletidas
do tablado
e do picadeiro
acima do brilho
incandescente
refletido em mim
quando e
como
rio
se ris
às gargalhadas.
.
Vicente
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" ...As coisas não deviam ser assim. Por ele eu lutei, por ele eu amei. Mas tudo se acabou na roda gasta do dia-a-dia, que fez virar tudo pura rotina, e me deixara cansada daquela vida, daquele amor..."
Arethuza
.
11 janeiro 2009
APENAS PARTE
16 dezembro 2008
BÚSSOLA CAMBIANTE
Bússola Cambiante
O norte treme na pupila da
alma,
um algoritmo incerto a
recalcular a rota.
Os polos antes firmes,
agora são palimpsestos,
apagando o caminho, a
direção mais remota.
As antenas internas, antes
tão precisas,
captam ondas de um tempo
dissonante.
Vozes em eco, promessas
imprecisas,
e o mapa da jornada, um
instante hesitante.
No peito, o magnetismo
falha, espasmos de metal,
atração por brilhos
efêmeros, desvios do essencial.
A certeza, um espectro na
neblina digital,
e eu, cativo da própria
corrente, tão instável.
Não há mais a agulha
convicta, o fio condutor,
apenas o girassol confuso,
buscando um sol interior.
E nessa dança tonta, nesse
estranho tremor,
talvez se revele um novo
horizonte, um inédito amor.
Pois na falha da
engrenagem, no curto-circuito da razão,
reside a chance de um novo
arranjo, outra constelação.
De sentir o vento, sem a
camisa de força da obrigação,
e encontrar, no desvio, a
mais autêntica direção.
13 dezembro 2008
CHAMA(RISCO)
ardia-me
do alto
das mais altas chamas
esse Amor
que se pronunciava
em línguas
que se atritavam
sem nada pronunciarem
.
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Vicente
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