O ALFABETO DO INVISÍVEL
O Alfabeto do Invisível
Existem palavras que moram no escuro,
entre o fôlego curto e o verso mudo.
Eu as sinto antes de lhes dar o nome:
são bicho faminto que nunca consome,
são fogo que o dedo tenta tatear,
mas fogem de mim se eu tento explicar.
Às vezes, sou mestre de um reino em silêncio,
onde o que não digo é o meu maior vício.
As letras tilintam, ciranda de vidro,
num baile secreto que habita o meu ouvido.
Sou homem de posses, mas nada me pertence,
se a palavra é onda e a alma não vence.
Escrevo o segredo da onda gigante,
sabendo que o sal é o destino constante.
Mas se o mar me engole e o verbo se perde,
meu peito, no escuro, ainda floresce verde.
Pois depois da espuma, do medo e do rol,
o que resta gravado... é o brilho do Sol.
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