26 fevereiro 2008

A TINTA DA ALMA

 

A Tinta da Alma

Havia um vazio, um espaço sem cor,

Onde a palavra indelével flutuava,

Sem âncora, sem o peso do real.

Um conceito bonito, sim, mas distante,

Como uma estrela que se vê e não se toca.

 

Mas aí seus olhos cruzaram os meus,

E um estalo, um choque de cores,

Fez o abstrato descer, fincar raízes.

Não foi preciso um juramento solene,

Bastava a curva do seu sorriso, o jeito

Que sua mão se encaixava na minha.

 

Indelével, entendi agora.

É o eco da sua risada nos dias cinzentos,

A lembrança do seu abraço que me aquece a pele,

Mesmo quando a distância tenta nos impor seu frio.

É a melodia de um instante, que ressoa,

Para além do tempo, sem se desmanchar.

 

Não é um rascunho em papel efêmero,

Mas a tatuagem que a vida quis em nós.

Marcada não por dor, mas por amor puro,

Cada detalhe seu, um traço firme,

Infundido na fibra mais íntima do meu ser.

 

Com você, a teoria se dissolveu na prática,

E o dicionário ganhou um novo sentido.

Indelével é o que somos juntos,

A essência que permanece, viva e pulsante,

Mesmo que o mundo tente apagar nossa luz.

É a prova de que certas coisas

Não se desfazem, nunca.

Você é a tinta que coloriu minha alma,

E fez o indelével existir.

09 fevereiro 2008

EU TE PERCEBO

eu te percebo
na colorida natureza
sem as necessidades monocromáticas
dos monitores que não te captam.
e nos altares erguidos
ao amor
que se faz insensato
pelo ciúme desmedido.

eu te concebo
sonho
de olhos que se fecham
no beijo longo
longínquo e demorado.
e nas poucas palavras
que trocamos
por segundos em células
de trânsito confuso
de toda manhã
pela cidade.
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Vicente
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09 janeiro 2008

PASSAGEM

quando o sonho das crianças
no sono mais puro
se refez
ele já estava de saída.

abafou trânsitos
de olhos mal dormidos
porque não havia o mútuo calor
que inspira poemas
que justifica a poesia.

quando recolheu o nexo da vinda
que a liberdade
outrora sufocada
promovia
já não havia a necessidade da metamorfose
de um para outro estado
(e ela também sabia)
nem daquele torpor
nem daquela letargia
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Vicente
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"É melhor ser leão por um só dia, do que um carneiro toda a vida. .."
(Sister Elizabeth Kenny).

25 dezembro 2007

FLAGRADOS NO TEMPO

 




 FLAGRADOS NO TEMPO

Não era mais ontem
mas também não era já,
era aquele meio instante
que se esconde nas frestas
onde o tempo esquece de contar.

nossos olhos, clandestinos,
gravaram na memória
o que o corpo não pôde guardar —
um toque,
um nome não dito,
um quase que ficou inteiro.

as horas correram ao contrário,
os ponteiros, cúmplices,
hesitaram um segundo a mais
só pra nos permitir
a eternidade breve
de um gesto.

depois, tudo voltou:
as vozes, os passos,
a pressa dos outros.
mas nós —
nós fomos flagrados no tempo,
na dobra do relógio,
onde o desejo é fósforo aceso
que ainda brilha
mesmo depois de apagado.


                                 Vicente Siqueira


23 dezembro 2007

PRESENTE

eu te presenteei
com aquela manhã
imensa
e logo em seguida
me roubaste
uma tarde
que já me consolaria.

agora
só tenho essa noite
que teima em não amanhecer.

também
já sei
que não haverá madrugada
nenhuma.
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Vicente
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17 dezembro 2007

"AMIGUINHA"

(A RESPOSTA)

Olhaqui, ó! Chamar você de amiguinha não tem nada de pejorativo. É a expressão mais carinhosa que eu reservei para um tratamento. Apenas duas pessoas em toda a minha vida, mereceram de mim essa expressão carinhosa, ao vivo.
E você É UMA DELAS.
Não tem nada de achar-se criança, chata, etc... etc..
Ser amiguinha é um estado. Uma leveza. Um não-sei-o-quê de cumplicidade e graça. Ser amiguinha, é ser aquela pessoa a quem a gente sabe que pode recorrer, seja num momento de dúvidas, de incerteza, seja num momento de querer alguém para dividir um beijo suculento ou uma torta de limão.
Às vezes a amiguinha, sendo atriz coadjuvante, assume o papel principal e não tenta assumir a Direção ou a Produção. No máximo fica com os Efeitos Especiais e a Sonoplastia. Para a amiguinha o que interessa é que a cena seja boa.
Amiguinha é aquela pessoa que faz com que a gente acorde às 5:50 da manhã, ligue o zap e fique se coçando pra não postar mais uma mensagem que é pra não incomodá-la.
Ser amiguinha é usufruir do carinho do amigo, do amante, do marido, do colega.
Ser amiguinha é sentir-se musa sem jamais ter tido essa vontade de ser, sem ter apresentado qualquer motivo para ser idolatrada além do óbvio motivo das formas e cores bem acabadas.
Ser amiguinha é deixar-se conduzir pelo carinho mais afetuoso do amigo distante, renitente e sonhador, que ainda se delicia com algum risinho que teima em brotar ao ler a resposta dizendo  que não gosta do termo.
Ser amiguinha é ler tudo isso aí e achar que faz sentido, que está robustamente de acordo com o que deve ser encarado como amizade à distância.
Ser amiguinha é não considerar-se diminuída assim que o amigo deixar de chamá-la de "amiguinha" só porque ela não gosta e sente-se encucada.
Ser amiguinha é considerar que o termo pode ser trocado de "amiguinha" para "Doce Amiga" e que, aí sim, estará de acordo com a ocasião "solene" de ler um zap de um mané.
Eu, por mim, queria ser seu amiguinho. Não me importaria. Mesmo.
Beijos, "Querida Amigona".

Doces prá você...

Vicente
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"O verdadeiramente belo não é aparente...é intrínseco, único, explêndido..."
Ana Clara (Claríssima)
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06 dezembro 2007

 

06 dezembro 2007

CALÇADAS



eu lhe encontrei
ao abrir-se
de calçadas
e supermercados
conforme o combinado
com os nossos destinos.

encontro.

trouxe chegança de espera
em mim
e me vejo de braços
com a saudade.

você chega e traz a lembrança.

rima fresca
e boa
para
esperança.
.
Vicente
.
.
.
"A vida se mantém um enigma, apesar das tentativas milenares de explicações, justificativas, esclarecimentos, elucidações. .."
Dora Vilela

.
publicado originalmente em 06/02/07
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6 comentários:

Andréia . disse...

hummmmm
adorei os doces suculentos.
suculentos como os seus, não tinha provado ainda, rsssss.
muitos ....
poetamigo

Andréia . disse...

rsssss
vc é demais amigos.
Com vc aqui tudo é bem mais legal, obrigada por td.
Sabe que to com muita saudades do blog, sem tempo pra ele,mas não sem tempo pros amigos.
Outros e outros

Anônimo disse...

Vicente! "Estava eu posta em sossego..."rs, porque ninguém é de ferro, e não ando postando e nem comentando os amigos(férias bloguísticas...), quando vou dar uma olhadela rápida e vejo você no meu bloguinho!!! Caramba! Quase caí no teclado...rsrs Exageros à parte, pensei que você andasse longe!!!!!!!
Que delícia que está aqui, com a "doceria" em plena atividade!
E estou escondida (aqui)...porque não devia vir aqui e não ir aos demais...rs
Beijos, Vicente.
Logo voltarei.
Obrigada!!!!!! por tudo!
Dora

Andréia . disse...

aiii
Se vc disse eu acredito...
Tb tenho um pouco de medo de mim, às vezes falo muito, deixo as pessoas acoadas...
Que bom saber que contigo foi diferente.
Muitos beijos amigo

Anônimo disse...

Nao temer as palavras nao é fácil.palavras doces ,sao ótimas;palavras menos doce sao dificeis...mas palavras sao palavras e os poemas precisam de todas elas.Viajo pelos blogs e aqui e ali me encanto,me arrepio,me inqueito,me consolo,desconsolo,rio,quase choro...Sao as palavras(as ideias) que acabam abrindo a alma.Sem preconceito eu as recebo(nem sempre as minhas sao bem recebidas.Ossos do ofiício de poeta e humano!)Tudo bem>que tenham 3 a ouvir as bobeiras que digo...vai bem.Falar é exercicio de viver...difil,meu caro...mas nao temos outra arma tao poderosa como as palavras.Obrigadao pela força(sobreviver é comum aos poetas.)vou sobrevivendo.

diovvani mendonça disse...

Tá vendo amigo Vicente, você quase fez a Dora cair do teclado. Isso é bom, assim ela volta logo. MOntanhosoAbraço.

CALÇADAS



eu lhe encontrei
ao abrir-se
de calçadas
e supermercados
conforme o combinado
com os nossos destinos.

encontro.

trouxe chegança de espera
em mim
e me vejo de braços
com a saudade.

você chega e traz a lembrança.

rima fresca
e boa
para
esperança.
.
Vicente
.
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"A vida se mantém um enigma, apesar das tentativas milenares de explicações, justificativas, esclarecimentos, elucidações. .."
Dora Vilela

.
publicado originalmente em 06/02/07
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08 novembro 2007

PELAS CALÇADAS

sozinhos.
alguns poucos momentos
de olhos nos olhos.
certamente muitas perguntas
caladas
esperando.
algumas perguntas exatas
com receio de explodirem.
mas nada
nada além de encontro.
exceto o encontro.

caminhando sem cobrança de ligar.
sem intenção de escrever.
sem números.
sem endereços.
é possível que seja sábado.
mas ninguém liga para datas.
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Vicente
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