Labirintos da Alma em Flor
Eu me pego observando as trepadeiras na parede antiga,
seus caules emaranhados,
as folhas novas despontando verdes e tenras.
Uma metáfora viva, penso,
para os labirintos que guardo aqui dentro.
Minha alma, às vezes,
parece um jardim em constante crescimento,
com veredas que se cruzam
e becos sem saída que se abrem de repente.
Eu tento mapear esses caminhos,
entender por que certas portas se fecham
e outras, inesperadamente, se escancaram.
Há flores que desabrocham em lugares sombrios,
resilientes, teimosas.
E há sementes que se recusam a brotar,
mesmo sob o sol mais intenso.
Eu as rego com minhas dúvidas,
com a água dos meus pensamentos.
Às vezes, me perco nesses meandros,
andando em círculos,
buscando uma saída que parece não existir.
A voz da inquietação sussurra em meus ouvidos,
enquanto a esperança, um fio tênue,
me guia por entre as folhagens.
Eu toco as pétalas de uma flor recém-aberta,
seu toque suave me acalma.
Ela não tem pressa,
apenas existe em sua plenitude.
E eu, eu também aprendo a existir.
Descubro que o labirinto não é para ser vencido,
mas para ser percorrido.
Cada curva, uma nova perspectiva.
Cada folha, uma lição de paciência.
É nesse emaranhado de vida e emoção
que minha alma floresce,
nem sempre de forma perfeita,
mas sempre em busca de luz.
E é ali, no centro desse meu próprio jardim,
que eu me encontro,
um pouco mais desvendado,
um pouco mais em paz.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Pira RJ.
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