24 maio 2026

LABIRINTOS DA ALMA EM FLOR

 

Labirintos da Alma em Flor


Eu me pego observando as trepadeiras na parede antiga,

seus caules emaranhados,

as folhas novas despontando verdes e tenras.

Uma metáfora viva, penso,

para os labirintos que guardo aqui dentro.

Minha alma, às vezes,

parece um jardim em constante crescimento,

com veredas que se cruzam

e becos sem saída que se abrem de repente.

Eu tento mapear esses caminhos,

entender por que certas portas se fecham

e outras, inesperadamente, se escancaram.

Há flores que desabrocham em lugares sombrios,

resilientes, teimosas.

E há sementes que se recusam a brotar,

mesmo sob o sol mais intenso.

Eu as rego com minhas dúvidas,

com a água dos meus pensamentos.

Às vezes, me perco nesses meandros,

andando em círculos,

buscando uma saída que parece não existir.

A voz da inquietação sussurra em meus ouvidos,

enquanto a esperança, um fio tênue,

me guia por entre as folhagens.

Eu toco as pétalas de uma flor recém-aberta,

seu toque suave me acalma.

Ela não tem pressa,

apenas existe em sua plenitude.

E eu, eu também aprendo a existir.

Descubro que o labirinto não é para ser vencido,

mas para ser percorrido.

Cada curva, uma nova perspectiva.

Cada folha, uma lição de paciência.

É nesse emaranhado de vida e emoção

que minha alma floresce,

nem sempre de forma perfeita,

mas sempre em busca de luz.

E é ali, no centro desse meu próprio jardim,

que eu me encontro,

um pouco mais desvendado,

um pouco mais em paz.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Pira RJ.



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