17 maio 2026

VERSO ININTERRUPTO

 

 

O Verso Ininterrupto

A ponta de metal pode silenciar.

Às vezes, a tinta desiste do traço

e o papel permanece sendo apenas

um deserto branco de esperas.

 

Mas o repouso do objeto

não é o silêncio do homem.

 

Existe um estoque de urgências

guardado logo atrás dos dentes.

Uma gramática viva,

fluida e impaciente,

que não depende de recargas

ou de cartuchos.

 

Se a mão trava por falta de rastro,

o hálito escreve no ar.

Porque o poema, antes de ser mancha,

é um gosto de eternidade

pronto para saltar.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



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