O
Verso Ininterrupto
A
ponta de metal pode silenciar.
Às
vezes, a tinta desiste do traço
e
o papel permanece sendo apenas
um
deserto branco de esperas.
Mas
o repouso do objeto
não
é o silêncio do homem.
Existe
um estoque de urgências
guardado
logo atrás dos dentes.
Uma
gramática viva,
fluida
e impaciente,
que
não depende de recargas
ou
de cartuchos.
Se
a mão trava por falta de rastro,
o
hálito escreve no ar.
Porque
o poema, antes de ser mancha,
é
um gosto de eternidade
pronto
para saltar.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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