O Hóspede dos Cantos Escuros
Mora em mim um arquiteto clandestino. Não usa palavras, não pede licença, apenas respira o ar rarefeito das minhas hesitações.
Enquanto a razão desenha mapas lineares, ele prefere o labirinto. Ignora os avisos de perigo, as placas que eu mesmo fixei com sangue e memória, e me conduz, pela mão, de volta ao incêndio.
Há um magnetismo inverso na dor. Uma gravidade que a lógica desconhece, ligação invisível, cordão de cinzas que me amarra ao que já me reduziu a pó.
Eu assisto à minha própria queda, estrangeiro de mim mesmo, sabendo que o passo é em falso, mas incapaz de desobedecer ao sopro calado que comanda os meus pés.
Vicente Siqueira
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