A Ressonância do Ausente
Quando a noite se debruça
sobre o peso das horas tardias
e o silêncio deixa de ser ausência
para virar confidente do peito.
Lá fora, o mundo é uma moldura estática.
O jardim parece uma fotografia
onde nem a mais leve pétala
ousa desmentir o absoluto imobilismo
dos canteiros.
É nesse vácuo de vento
que a alma inventa o movimento.
Uma brisa que não desarruma o cabelo,
mas desloca o tempo,
trazendo o timbre de uma doçura
que o passado insistiu em preservar.
Não é o ar que sopra;
é o eco de um verbo antigo
que ainda vibra no corredor da memória:
aquelas sílabas de querer
que, de tanto serem ditas,
acabaram por morar no silêncio.
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