01 maio 2011

A RESSONÂNCIA DO AUSENTE

 

A Ressonância do Ausente

Quando a noite se debruça

sobre o peso das horas tardias

e o silêncio deixa de ser ausência

para virar confidente do peito.

 

Lá fora, o mundo é uma moldura estática.

O jardim parece uma fotografia

onde nem a mais leve pétala

ousa desmentir o absoluto imobilismo

dos canteiros.

 

É nesse vácuo de vento

que a alma inventa o movimento.

Uma brisa que não desarruma o cabelo,

mas desloca o tempo,

trazendo o timbre de uma doçura

que o passado insistiu em preservar.

 

Não é o ar que sopra;

é o eco de um verbo antigo

que ainda vibra no corredor da memória:

aquelas sílabas de querer

que, de tanto serem ditas,

acabaram por morar no silêncio.

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