Fio Partido
Eu
me lembro dela, um pouco mais jovem, um sorriso que desarmava. Nossos olhares
se encontraram e, de repente, o mundo fez sentido. Éramos jovens, eu sei, com a
vida se abrindo em possibilidades infinitas. Trocávamos juras, falávamos de
tudo, das estrelas ao mais simples dos medos. A gente parecia feito um para o
outro, um encaixe perfeito, sabe? Não havia o que não pudéssemos compartilhar.
Os dias passavam, leves e cheios de um amor que parecia inquebrável.
Mas
então, algo mudou. Não sei dizer como, nem quando. O que antes era fluído,
começou a endurecer. Aquela sintonia, que parecia eterna, foi se perdendo, como
a areia que escorre entre os dedos. Sem uma explicação, sem um adeus formal,
nossos caminhos se desviaram. Ela para um lado, eu para outro. A vida nos
empurrou para braços que não eram os nossos, e eu me casei. Ela também.
Morávamos
na mesma cidade, mas quase nunca nos víamos. A vida seguia, numa calmaria que
parecia inabalável, sem grandes sobressaltos. Até que as redes sociais nos
conectaram novamente. Conversas esparsas, sobre amenidades, sempre evitando o
passado. Parecia um acordo tácito, um silêncio respeitoso sobre o que um dia
fomos.
Mas
essa semana, algo se rompeu. Uma conversa, um mergulho no que ficou para trás.
Falamos dos nossos caminhos que se cruzaram e se separaram, e a conclusão nos
atingiu como um raio: fizemos uma grande besteira. Éramos jovens, sim,
inexperientes talvez, mas isso não apaga a dor de ter deixado ir quem a gente
amava.
Agora,
olhamos para trás e vemos o erro, a idiotice de ter nos separado. Não há como
voltar, o tempo não volta. Nós professamos a fé em Cristo, e o adultério não é
uma opção. Então, o que nos resta é a tristeza, a infelicidade, e a constatação
amarga de que, isoladamente, não fomos felizes. Apenas a dor do que poderia ter
sido, a melancolia de um amor perdido por escolhas que hoje parecem tão
equivocadas.
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