11 janeiro 2013

ALÉM DOS IDIOMAS

 Além dos Idiomas 

Estou de cara com meu próprio eu.

Confundo ruídos que me chegam do longínquo assumir-me

após o terceiro ou enésimo copo,

onde a lucidez se dobra e a alma se entrega ao prumo,

e perco-me um tanto de mim

em meu equilíbrio,

em minhas vontades,

em minhas verdades.

Já não sou mais eu tão só.

Sou o que sobrou de mim, despido de disfarces.

A noite cai

e estamos unidos, juntos,

silêncios incontidos

refletidos nos olhares de admiração e desejos.

Um diálogo mudo que as línguas desconhecem.

Palavras sem sons nos toques,

nos sorrisos de canto de boca

e o confortável bem-estar de saber estar junto de.

É o repouso do guerreiro que enfim encontra o seu cais.

São trilhas a serem percorridas

por dois seres tão humanos quanto possível.

Festejando as diferenças

dos formatos, das peles,

dos tons, dos dons.

Onde o meu mapa se perde no relevo do teu corpo,

e o idioma do mundo torna-se, enfim, obsoleto.


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ 


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