Além dos Idiomas
Estou de cara com meu próprio eu.
Confundo ruídos que me chegam do longínquo assumir-me
após o terceiro ou enésimo copo,
onde a lucidez se dobra e a alma se entrega ao prumo,
e perco-me um tanto de mim
em meu equilíbrio,
em minhas vontades,
em minhas verdades.
Já não sou mais eu tão só.
Sou o que sobrou de mim, despido de disfarces.
A noite cai
e estamos unidos, juntos,
silêncios incontidos
refletidos nos olhares de admiração e desejos.
Um diálogo mudo que as línguas desconhecem.
Palavras sem sons nos toques,
nos sorrisos de canto de boca
e o confortável bem-estar de saber estar junto de.
É o repouso do guerreiro que enfim encontra o seu cais.
São trilhas a serem percorridas
por dois seres tão humanos quanto possível.
Festejando as diferenças
dos formatos, das peles,
dos tons, dos dons.
Onde o meu mapa se perde no relevo do teu corpo,
e o idioma do mundo torna-se, enfim, obsoleto.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ
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