Ruínas Íntimas
Pontes desabam sob meus
pés,
como cadafalsos da alma.
A travessia interrompida,
o abismo escancarado,
onde a esperança se
espatifa
em destroços e silêncio.
Cada passo tentado,
uma nova ruína a surgir.
Os pilares da fé,
corroídos,
cedem ao peso invisível
da angústia e da
incerteza.
O corpo cambaleia na
borda,
o olhar perdido no vão.
As promessas de outrora,
agora fantasmas pálidos,
pairam sobre a cratera.
E no lugar da passagem segura,
apenas a memória da
travessia,
um eco distante de um
tempo
em que os caminhos se
abriam
sem a ameaça constante da
queda,
sem a fria constatação
de que o chão pode sumir
sob o peso dos próprios
passos.
Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí - RJ
.