31 maio 2013

CONSELHOS PARA A ALMA

 

Conselhos Para a Alma

 

Caminha suave, pois a vida te acena.

Desvenda o novo, com um olhar que transcende o agora.

O amanhã respira em cada passo, em cada fresta de luz.

Permite que a esperança te guie, serena e forte,

Rumo aos dias que se erguem, plenos de possibilidade.

 

Sê teu próprio farol, a voz que ecoa em teu peito.

Não te percas em ecos alheios, nem em máscaras que ocultam.

A verdade que te habita é a mais pura melodia,

Oferece-a ao mundo com a coragem da tua essência,

E a paz florescerá na integridade do teu ser.

 

Abre teus ouvidos à melodia não dita, ao silêncio que fala.

Compreende o outro, não para julgar, mas para acolher.

Em cada partilha, há um universo a se revelar,

Um elo de luz que se tece na ponte do entendimento.

E o coração se expande na arte de se conectar.

 

Quando a tormenta se erguer e o vento soprar forte,

Não te curves, mas busca a âncora em teu interior.

Cada cicatriz é um mapa de força, uma lição aprendida.

Renova tua alma, pois a essência é indestrutível,

E a luz do recomeço sempre encontra um novo amanhecer.

 

Mesmo nas sombras, busca a semente do que floresce.

A gratidão tece milagres nos detalhes da rotina.

Olha o sol que se põe, e a estrela que surge na noite.

O otimismo é um jardim que cultivas a cada aurora,

E a alegria um eco que ressoa do teu próprio bem-querer.

 

Sente a terra sob teus pés, o vasto azul acima de ti.

Há uma melodia universal que te chama, um propósito maior.

Em cada ser, em cada folha, a dança da vida se revela.

Conecta-te ao fluxo que te nutre, à grandiosidade do existir,

E encontra na imensidão a tua própria paz, o teu lugar.

 

Lembra-te do Criador que tece o universo e a ti.

A humildade te abre as portas da verdadeira sabedoria,

Reconhecendo a vastidão além do teu próprio saber.

No silêncio da alma, escuta a voz que guia os passos,

E entrega-te à fé, à força maior que tudo sustenta.

 

No turbilhão dos dias, busca o centro que te acalma.

A impermanência é a dança da vida, aceita-a sem temor.

Nem tudo controlas, mas a tua resposta, sim.

Cultiva o jardim da serenidade, rega-o com aceitação,

E a paz interior será o teu mais fiel e constante abrigo.

 

Assim, na vastidão do tempo e no breve sopro do viver,

Que a tua jornada seja a mais bela canção de bem-querer.

Aceita o que és, liberta o que não te serve, sê apenas luz.

A vida é o presente, a dádiva em tuas mãos a cada alvorecer,

E nela, descansa em paz, pois o bem é o teu mais puro e eterno ser.


Epílogo: Uma Reflexão Final

Que a leitura dessas palavras ecoe em teu íntimo, não omo dogma, mas como um gentil sussurro da alma. Permite que a paz que buscas se revele no simples respirar, na beleza dos pequenos gestos e na certeza de que o bem já habita em teu ser, um farol eterno em cada amanhecer.       


Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ





 

22 maio 2013

PÉTALAS AO VENTO

 

Pétalas ao Vento

Há coisas em mim
que não resistem à pressa
delicadezas que se soltam
como pétalas
ao menor sopro

nem tudo foi feito
pra durar inteiro
algumas belezas vivem
no instante em que passam
e isso basta

carrego no peito
flores que já foram
mas o vento
ainda espalha perfume
de lembrança

não tento mais segurar
o que voa
aprendi que há leveza
em deixar partir

e que pétalas ao vento
ainda fazem primavera
em algum lugar

MAR QUE MORA NO PEITO

 

Mar que Mora no Peito

carrego um mar
sem costa nem mapa
que bate em ondas calmas
ou se agita sem razão

não se vê na superfície
mas se ouve —
num silêncio molhado
que molha os olhos

esse mar em mim
não tem fim nem fundo
tem memórias afundadas
tem correntezas que voltam
mesmo quando já foram

às vezes sou barquinho
às vezes naufrágio
às vezes farol

mas sempre,
o mar mora aqui

e mesmo quando tudo seca,
mesmo quando a alma racha,
ele pulsa —
salgado e vivo
feito verdade

é no peito que ele habita
como se minha carne fosse areia
e minha respiração, maré

O ABISMO EM MIM

 

O Abismo em Mim

há um lugar dentro
que não tem chão
nem nome
nem eco

não é tristeza,
é mais fundo que isso
é o que sobra
quando o mundo desliga

os outros veem pele,
sorrisos alinhados
mas não veem
o buraco onde caio
com os olhos abertos

há dias em que converso
com esse abismo
e ele responde —
com silêncio

não peço que passe
mas que passe por mim
como o vento que atravessa
e não se explica

às vezes
o abismo em mim
me escreve versos
que ninguém entende
mas me salvam

15 maio 2013

PAUSA PARA REVER O TEMPO

 PAUSA PARA REVER O TEMPO

doía
como se cada dobra do corpo
fosse um cotovelo encostado no vazio —
e o vazio, só meu.

o carro dormia
desligado à beira do farol
onde a pressa dos outros
era um espetáculo de partidas.

do meu posto quieto
entre o vidro e o tempo
via multidões se lançarem
como se os sinais soubessem tudo
menos o que é ficar.

tudo ali era pressa:
as pernas, os passos, os olhos baixos.
menos eu,
que era pausa
e lembrança.

havia um peso sem nome,
um suspiro sem medicina,
um querer de colo, de travesseiro antigo,
de casa de antes.

queria recomeçar
como quem chega de viagem
e encontra a porta entreaberta
com cheiro de pão e perdão.

queria que os dias
fossem assim —
sem as cores de comando dos semáforos,
sem as urgências que atropelam.

queria,
acima de tudo,
vislumbrar teu rosto de novo,
e esse teu gesto silencioso
que me pediu um tempo,
uma pausa —
sem dizer se era fim
ou volta.