31 maio 2012

A SETA INFINITA

 

A Seta Infinita


Não há como negociar

com a linha que se estende.

O segundo, quando nasce,

já se despede.

 

Não há pedido,

nem súplica,

nem barganha.

Ele não para para ouvir.

 

O relógio interno do mundo

segue um ritmo próprio,

imutável.

Não conhece o atraso,

não aceita a pausa.

 

Somos nós que corremos,

ou rastejamos,

ou paramos,

enquanto a seta aponta sempre para a frente.

 

E nessa marcha incansável,

nesse avanço sem freio,

moram as perdas e as chances,

o que foi e o que será.

 

Porque ele não espera.

Apenas vai.

E o que nos resta

é aprender a ir com ele.



"O tempo, rio que não volta, nos leva para águas que jamais vimos."

               Vicente Siqueira

 

 Vicente Siqueira - Doces Poesias - Barra do Piraí RJ



 

22 maio 2012

CHUVA EM VERSO LIVRE

 

Chuva em Verso Livre

não chove só do céu —
às vezes desaba
de dentro pra fora

pingos escorrem das palavras
quando não sei mais dizer
onde começa o corpo
e termina o sentir

há trovões entre estrofes
relâmpagos entre vírgulas
e uma enxurrada de silêncio
lavando o que fui ontem

me deixo molhar inteiro
não por falta de abrigo
mas porque cada gota
escreve algo em mim

chuva não tem rima fixa
verso também não
ambos escorrem soltos
no tempo de existir

e se amanhã fizer sol
ainda assim serei chuva
em verso livre

SUSSURROS DA CIDADE

 

Sussurros da Cidade

As ruas falam em murmúrios,
cada esquina uma história esquecida,
o asfalto quente guarda segredos,
de amores que nasceram e se perderam.

Nos becos, a arte grita em grafites,
cores vibrantes que dançam na luz,
enquanto os passos apressados ecoam,
como batidas de um coração urbano.

O café exala aromas de encontro,
risadas se misturam ao som do trânsito,
e entre os prédios que tocam o céu,
há um espaço para sonhos e esperanças.

À noite, as lâmpadas piscam como estrelas,
sussurrando promessas àqueles que escutam;
as vozes se entrelaçam em canções,
música da vida que nunca se apaga.

E assim a cidade respira,
um organismo pulsante de histórias vivas,
onde cada sussurro é uma nota,
na sinfonia eterna do cotidiano.