19 setembro 2023

GEOGRAFIA DO DESEJO

 

GEOGRAFIA DO DESEJO

há uma topografia secreta
no modo como teus lábios
cartografam minha pele

não é pressa —
é percurso.

as mãos, bússolas febris
desenham trilhas
onde antes só havia espera

teu hálito,
vento quente de monções
move cortinas internas
abre portos esquecidos

os músculos se lembram
da língua como seta
da saliva como selo

não há nome para o que se dá
sem pedir,
sem recuar —
mas sabemos.

os corpos, rios que se encontram,
perdem-se em curvas
em fundos não mapeados
em sinuosidades novas
onde o prazer não é fim
mas fenda,
criação,
caminho aberto.

15 setembro 2023

FINALMENTE, O SILÊNCIO ABSOLUTO

 Finalmente, o Silêncio Absoluto

 

E finalmente, o silêncio absoluto, não o silêncio que esconde, mas o que revela.

Não é ausência de som, mas a ausência de todo o ruído interno,

das perguntas incessantes, das expectativas que pesam.

É a dissolução da própria mente em sua busca incessante,

um ponto de quietude que transcende a percepção.

 

É o fim das oscilações, das dualidades,

o espaço onde a paz não é oposta à inquietação,

mas a única verdade que existe.

Nesse silêncio intocado, tudo se harmoniza,

e o vazio que se auto-preenche encontra sua expressão mais pura,

uma calmaria sem ecos, sem reflexos, apenas ser.

 

 

CHEIRO DE TINTA

 

 Cheiro de Tinta

Liberdade tem cheiro
de tinta fresca na manhã,
quando o papel respira
e a mão ainda hesita.

É o som do grafite
riscando devagar,
feito um segredo
que começa a cantar.

Tem gosto de fruta cortada,
cor escorrendo no céu,
textura de palavra molhada
em saliva e papel.

Criar é sentir —
com todos os poros,
como quem toca o mundo
e volta com olhos novos.




01 setembro 2023

PLENITUDE NA VASTIDÃO DO NADA

 

 Plenitude na Vastidão do Nada

 

E a plenitude na vastidão do nada, o ápice do paradoxo,

onde o vazio não é falta, mas presença absoluta.

Não é um espaço oco à espera de preenchimento,

mas o próprio infinito que se revela em sua essência.

 

É a liberdade de não ter contornos, de não ter limites,

a paz de ser tudo e nada ao mesmo tempo.

Nesse "não-lugar", a mente se aquieta,

e a existência transcende a forma, o nome, o peso.

É a perfeição do ser desprovido,

onde a completude nasce da ausência de tudo,

e o silêncio se torna a sinfonia mais rica.