14 Março 2010

NÃO ME FAZES FALTA?

percebo
decepcionado
passarem em mim
esses cinco mil e tantos anos
de falta de sono
ou melhor
desse excesso de sono
que não é sono que se dorme
que é só sono que se sente
desse sentir acordado.

exaustos
os olhos não se pregam
mas rastreiam as areias
nas marejadas pálpebras
e ainda me dizes
que não me fazes
falta?
.
.
.
Vicente
.
.
.

10 Março 2010

RECOMEÇA A SEMANA

(Tributo a Marilu)

era tudo muito jovem e ainda éramos todos muito jovens.
eu me admirava com a serenidade que emanava da beleza dela
era começo de abril
se bem me lembro
quando se fizera o conhecimento das verdades
que a vida me mostraria.

não sei se havia flores-de-maio.
naqueles tempos
eu ainda aguardava a chegada dos doze anos.
uma dúzia de aniversários
e meia dúzia de sonhos.
e tinha na professorinha recém-chegada aos dezenove
o meu melhor presente.

não se cogitava em futuro.
as coisas aconteciam no agora
a vida urgia no presente
naquele presente

a vida na roça tem a vantagem das escondidas
por entre os emaranhados
do canavial
do milho verde
do laranjal.

o açude não era propriamente perto
e em seu caminho sempre se encontra uma curva a mais
uma moita a mais
uma vontade a mais...

eu me embriagava com a sua vontade
de me mostrar os caminhos.
seis ou sete anos mais velha
mas ainda assim jovem.
a terra vibrava por sob nossos corpos
e não havia meios de nos fazer parar

não se percebe
ainda
a presença da virilidade
e a infância ainda se arrisca nos estilingues
e bolinhas de gude
mas o pensamento é de homem feito
de quem já tem cabelo no peito
calor no beijo
e amor com jeito.

começa a semana e sente-se a vontade
de verter-lhe nos lábios o olhar
um olhar na boca entreaberta perfeita
nas pernas lisas e claras de menina rica
e a perfeita sincronia das virilhas e do umbigo.

sincronia
também
entre dentes e língua
e bocas que se procuram
em toques esbaforidos
braços
com medo das amplidões
e dos descampados

começo dos vôos
em territórios inexplorados
beijos e pescoços
e seios
e nucas.

cabelos de ouro
escorrendo pela aura
pelos ombros
pela grama.

e a vontade
de adivinhar-lhe a alfazema
recendida debaixo do diáfano vestido de algodãozinho?

sem maiores detalhes
a não ser seu próprio corpo
tão detalhado.
aí as cores enfeitavam os céus
o açude era mais refrescante
e os frutos sazonados
mais abundantes.

e quando a semana
já se sentia tão catastroficamente confusa
a ponto de perceber-se
que todo sábado ela precisava voltar para
a casa dos pais
na cidade?

todos os eixos
saíam de seus encaixes
e era como se de repente
se morresse por dois ou três dias.
morria-se.
milhares de mortes.
sem que ninguém à volta entendesse.
até que outra semana começasse.

e as estações se sucediam.
novos ventos
e posições
pelos medos
e pelas imposições da situação que chega
com a chegança da puberdade.

ainda segredo
como sempre.
nada de mistério
mas segredo
guardado
a ferro e cadeado.

aos dezesseis a mudança
a ida
a partida
a alma ferida
até o ponto do choro
e lágrimas mais sentidas
por dias
e dias
a cabeça completamente perdida.

centenas de vezes
imortalizada na carne
e no pensamento
no coração
e no fogo das paixões mais desejadas.

alguma incursão esporádica
com a chegada do quartel e da farda
mas nada que pudesse desmanchar
seu matrimônio
que viria perfeito
feito de inteligência
repressões
e conveniência.

estou me despedindo de você
“Maria”.
onde quer que você chegue
Deus há de lhe fazer companhia.

chegue primeiro
novamente
busque mais além
(nas estrelas)
o lânguido bafejar da satisfação
por ter-nos feito
interpretados e entendidos
e creia:
onde quer que você chegar
a semana haverá de recomeçar.
.
.
.
Vicente
.
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.

09 Março 2010

PRESENTE

vou
é
presente
do
verbo
ir

sou
é
nada.
.
.
.
Vicente
.
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.

LAVAR CACHORRO É BOM

calei-me a boca
e não fiz qualquer favor
porque vivia a falar de sonhos
através de metáforas
um dentro do outro
o sonho dentro da metáfora
(e vice-versa)
em círculos
em ondas de círculos
dos menores até os imensos.

calei-me
porque não quis quedar-me ao óbvio
porque falava de desejos
de ter alguém
para amar
ser amado
compartilhar
coisas
e (até) contas
lavar cachorro aos domingos
(que eu sempre detestei)
e levar lixo lá embaixo
sem precisar justificar qualquer coisa
que não fizesse parte da beleza do amor.

calei-me
para perceber
que sonhos são sempre sonhos
pois são mutuamente excludentes
por melhores que sejam
por mais necessários
que possam parecer
porque minha maior loucura
era falar de sonhos
quando já não é época de se sonhar
mais.
.
.
.
Vicente
.
.
.

08 Março 2010

ACALMA

primeiro me diga teu nome.
serve qualquer apelido carinhoso
com o qual eu te reconheça
depois não me peça calma
pois preciso afogar no peito
essa pressa
essa tanta vontade de sorrir-te palavras
amenas
palavras apenas
que matem desencantos
de vida
de sonhos
de sorrisos
que saibam a primavera.

não preciso conhecer-te o sobrenome
de onde vens
pra onde vais
com quantos ficas
se ficas e os porquês
mas é imprescindível
deixar-te ser apreciada
adorada
iluminada à luz
do meu olhar de incredulidade
pela tanta beleza
que passas.

aos poucos te acostumarás
com esse meu jeito bandido
de amar
e procurar teus brilhos
por entre decotes
e zípers
e manhãs que se abrem
em minhas mãos
para presentear-te
com todos os meus presentes
por estares
em meu futuro.
.
.
.
Vicente
.
.
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01 Março 2010

GUERREIRAS

teu olhar me pareceu cansado
de quem viveu oito anos a mais
e compreendeu a vida
além das rampas da faculdade
além das encomendas apressadas
de qualquer seção
ou departamento de compras
ou idiomas estranhos.

a menina
magrela
virou moça bonita.
a moça virou mulher.
a mulher virou musa.

as meninas também choram.
também são
guerreiras
meninas.
as meninas.
.
.
.
Vicente
.
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"...Vou caçar luares
Namorar nuvens e abraçar o mar...
Eu vou ali
Vou beber da tarde preguiçosa
Beijar a noite estrelada
Sonhar acordada
Depois eu volto
Eu sempre volto!"
(Claudinha)
.
Continua aqui: http://www.transmimentos.blogspot.com/

23 Fevereiro 2010

DEZEMBRO AMARGO

porque era dezembro
e eu te procurei
em ânsias de encontrar
e te percebi sorrindo
e te encontrei cantando
e te achei amando.

e era dezembro mesmo
daqueles de receber presentes
e partilhar presenças
e recolher lembranças
e mascarar tristezas.

e por ser dezembro
te recebi ainda
como jamais ousara adivinhar-te
nem supusera encontrar-te
assim linda
como uma sinfonia de Beethoven
como um solo de piston
como uma tela de Rembrandt.

e por ser dezembro
desmascarei meus medos
afugentei meus fantasmas
acorrentei minhas dúvidas
e não voltei
às minhas viagens atlânticas
nem às amazônicas.

e porque era dezembro
não arrisquei
sequer
um pequeno choro
nem um singelo post
nem um ilícito
nem um
esperado
doce.
.
.
Vicente
.
.
“E tuas lembranças me trazem lágrimas,
assim como as lágrimas me trazem tuas lembranças.”
(Esyath Barret)

Em
www.historiasdesconexas.blogspot.com

09 Abril 2009

PONTO PRAS MENINAS

não quis falar
nem sequer pensei no que havia
pra te dizer
porque ainda não sabia como
nem o que dizer.
tenho isso comigo
é meu jeito
é meu modo de ser
de intercalar tagarelices
com longos silêncios.


ouvi de mim os segredos que ousara sonhar
na mais crescente confusão de sentidos
como em qualquer outro momento
mas não compartilhei as idéias
só as sedes e fomes dos amores
das irisadas ilusões mais ousadas
(que não ousara revelar)
por isso me calei
por isso me retirei.


e minhas idéias quedaram-se como estradas
de uma via só
de ida sem vinda
como vontades sorrateiras
que preferi ocultar
como monólogo recitado
no mais completo ermo
para não se espalhar.

agora aplaudo minha decisão
de voltar
porque te conheci
tão cálida
tão sentida a beijos e doces
igualzinha ao que eras
mas
muito
muito melhor.
.
.
.
Vicente
.
.
"Às vezes as pessoas tomam algumas atitudes e não tem noção do que isso pode gerar nas outras, as consequências podem ser desastrosas, geram dor e tristeza ..."
.

Deia

14 Março 2009

ACHADOS E PERDIDOS - GONZAGUINHA

MÚSICA
Artista: Gonzaguinha

Quem me dirá onde está
Aquele moço Fulano de Tal
(Filho, marido, irmão, namorado,
que não voltou mais)
Insiste o anúncio nas folhas
dos nossos jornais:
Achados, perdidos, morridos,
Saudades demais.

Mas eu pergunto e a resposta
é que ninguém sabe
ninguém nunca viu
Só sei que não sei
quão sumido ele foi
Sei é que ele sumiu

E quem souber algo
Acerca do seu paradeiro:
Beco das Liberdades
Estreita e esquecida
uma pequena marginal
dessa imensa Avenida Brasil.
.
.

20 Fevereiro 2009

CONGESTIONAMENTO

CONGESTIONAMENTO
CONGESTIONAMENTO

cá dentro

intenso
um trânsito de intenções
QUE TEIMA
em desmascarar
a calma aparente
do ambiente.
.
.
.
Vicente
.
.

29 Janeiro 2009

O CIRCO CHEGOU

seguro tuas mãos
em silêncio
arredio
perto das luzes
refletidas
do tablado
e do picadeiro
acima do brilho
incandescente
refletido em mim
quando e
como
rio
se ris
às gargalhadas.
.
Vicente
.
.
.
" ...As coisas não deviam ser assim. Por ele eu lutei, por ele eu amei. Mas tudo se acabou na roda gasta do dia-a-dia, que fez virar tudo pura rotina, e me deixara cansada daquela vida, daquele amor..."
Arethuza
.

11 Janeiro 2009

APENAS PARTE

...mas os cômodos aos quais

nos remetemos

transformaram os (mais) improváveis sonhos

em doces realidades

de afagos e espelhos


ao alcance do olhar

para que

perpetuassem em nós

a satisfação dos

(insuspeitos)

desejos.

.

Vicente

.

.

.


13 Dezembro 2008

CHAMA(RISCO)

...
ardia-me
do alto
das mais altas chamas
esse Amor
que se pronunciava
em línguas
que se atritavam
sem nada pronunciarem
.
.
Vicente
.
.

24 Novembro 2008

A FUGA

(O Outro Lado da Poesia)

Ela fugiu do quarto-e-sala sentindo-se vazia
Pisando nos cacos que cortavam seu sentimento.
Sua casa fria sempre lhe parecera doentia.
Estava descalça e a rua era de chuva e vento.

Logo ali, depois do meio-fio, havia a floresta:
De casas, e asfalto, e pontes, e viadutos, pensava
Que naquele lugar seus sentidos estariam em festa
Porque ali moravam todas as feras, imaginava.

Rezou, de joelhos, aos seus anjos, e quase chora.
Rezou aos santos guerreiros e às santas benditas,
Para que se fizessem presentes naquela hora,
Perdulários com milagres diante da sua desdita.

Que entrassem rápidos e sem entraves
Em suas grades interiores, e pisando leve
Libertassem-na de seus padecimentos graves
E que a deixassem sorrindo em breve.

Quando ela fugiu, sentiu-se aliviada e liberta,
Livre e ligeira, ligeiramente liberada.
Acabara de fazer sua última descoberta:
Vivera sempre em lágrimas e fora por nada.

Foi então que finalmente encontrou seu eu
E se imaginou em toques que alguém lhe dera
E trocou o tempo e pensou que alguém lhe deu
(os toques) nos cabelos e era apenas uma quimera.

Os toques pela pele, pela cor e pelos pêlos,
Pelos tantos despropósitos que viveu em vão,
Pelos nervos de ferro, pedra e cubos de gelo
Que jamais deixaram de atingir seu coração.

Quando fugiu, correu na fuga e não olhou pra trás,
Correu, sentindo-se completamente nua
E se sentou em frente ao seu próprio cadafalso,
E nem percebeu que sentara ali na rua.

Na fuga ainda a esperança de sentir em si um olhar
Um carinho, um beijo, ou dois, ou três e até mais,
Até se sentir olhada, acariciada, beijada de enfastiar,
Até encontrar dentro de si um recanto de paz.


E veio um choro que saiu em lágrimas, aos borbotões
Até seus olhos se sentirem vazios das piedades,
Dos ressentimentos, dos cosméticos, dos bordões,
Até se livrar de todas as suas iniquidades.

As lágrimas, como chuva, encharcavam o corpo doído
Queimavam a alma, ardiam em ânsias de se encontrar,
Quebravam o silêncio com um choro espremido.
Gritou como ostra para que se fizesse notar.

De pé sobre o piso frio a decisão estava tomada:
Queria ouvir seus passos atravessando a avenida
Seu olhar encontrou o vazio do pulo, transtornada.
Calçada, amurada, pulo, vontade vencida.

E o salto, ressalte-se, não era assim tão alto,
Tanto que o baque surdo de corpo no asfalto
Não foi ouvido nem mesmo pelas redondezas,
Somente ali, além do seu mundo de incertezas.

Havia sangue, mas a mancha estava disfarçada.
Envolta em seus silêncios foi encontrada
Afogada em sonhos a poucos metros do nada,
Que era o destino da sua fuga desesperada.

Vicente
.
.
.
"Desconfia da tristeza de certos poetas. É uma tristeza profissional e tão suspeita como a exuberante alegria das coristas."
(Mario Quintana)
.

17 Outubro 2008

OLHARES ERECTUS

passou por mim
e era como nuvem enfeitada de risos
leve e solta em tons de pele
dourados.

o “toc-toc” na calçada
era o encanto triunfante da evolução
do “homo erectus”.

caminhar
surgir do nada
sentir-se torpedo
com ares de gratidão por estar sozinha
enquanto passa
e é admirada.

quem viu?
quem ouviu?
quem sentiu?
tem perfume no ar
porque seu corpo tem um quê
que reproduz essências
de encantamento
e remodelação.
seu corpo revela
que o espaço que nos separa
aprisiona mais
que qualquer grade
de qualquer prisão.
.
Vicente
.
.
.
"Peito é peito, Coração é coração! Quando digo com respeito, num penso em peito não. Quando lhe puxo com força comigo, não lhe aperto o coração. Quando você me arranha, arranha o peito. Quando deita no meu peito, junta peito e coração. Só vocÊ pra unir com doçura; a carne e a emoção."
.
Pedro Monteiro
.
.
.

02 Outubro 2008

SE TIVER... EU PREFIRO

se tiver macarronada com sabor de domingo
com pedaços de queijo parmesão e molho
e puder ser família
e recolher todos os cacos de sonhos em mim
desses que sempre quis ter
tive
mas não retive
por quebradiços que foram
eu prefiro.

Vicente
.
.
.
"No meio do barulho e da agitação, caminhe tranqüilo, pensando na paz, que você pode encontra no silêncio..."
Desiderato - de autor de desconhecido

28 Setembro 2008

CAVALEIRO ADIANTE

sou um ser solitário
e sem utilidade aparente
mergulhado
(armadura
escudo
espada)
no caos nosso
da modernidade.

minha lança ajaezada
flutua em busca
das minhas mãos
encharcadas de derrotas.
.
.
Vicente
.
.

02 Setembro 2008

NAQUELE ESPELHO

ouvi um choro longínquo
refletido
naquele espelho que me encarava.

era o choro de alguém
que não estava ali
e não se identicava.
olhei um longo olhar de emoção fracionada
e os segundos se atropelavam aos milésimos
chegando às suas improváveis frações

quis sentir o descompasso daquele coração
as letras que sairiam daquelas mãos
as armaduras das palavras
o desfocar dos pensamentos.

tentei decifrar aquele eu
tão refletido
e me peguei introspectivo
sem entender a matéria
que preencheria aquela imagem
distorcida.

não havia frustração nem dor
nem tristeza
nem alegria

ocupei-me novamente
com o reflexo de choro
e percebi o espaço vazio
que havia em meu peito
desde que outro espelho trincou.
na verdade eu me transbordei
de um espelho
para conhecer outros reflexos.

agora
quem me conhece?

Vicente
.
.
.
"Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens? "
(Guimarães Rosa)

08 Agosto 2008

CARAMIGA

e foi assim mesmo
como tudo que eu disse
e queria.
refiz as pausas em mim
esperando seus passos
seus descompassos
e você nem apareceu.

tive inevitáveis medos
e mais de
mil vontades de ligar.

tudo longe das inefáveis realidades.
fora/dentro das incontáveis possibilidades.

mas ainda me lembro daqueles dias
motivos da alegria
agora tão escassa

que grande faz-de-conta
nós desempenhávamos.

isso.

nós.

refletimos?
olhar/ouvir/sentir/largar?
foi essa a performance da mesquinhez.
e até hoje
nenhuma revelação plausível.
você entende.
.
.
Vicente
.
.

17 Julho 2008

VOCÊ PRECISAVA SABER

você precisava saber
que eu permaneci intacto
humor inalterado
e que a raiva inicial
deu lugar a uma paz que perdura
até hoje.

você precisava saber
que quando você partiu e me deixou
em pé naquela plataforma de trem
prostrado
sentindo-me um jiló
e com pretensões de suicídio
a noite tinha apenas começado.

você precisava saber
que aquele buquê de flores
que você não aceitou
e que eu
como um idiota
insistia em segurar mesmo depois
de você ter me abandonado
foi meu melhor passaporte
para o amor tranqüilo que tenho agora.

você precisava me ver
saindo daquela plataforma
sorridente
mãos dadas
e feliz
cheio de esperança
com essa que aceitou de mim
a aliança.

você precisava me ver
quando abri seu e-mail
e não senti nada quando li
seu recadinho piegas
e cheio de erros de concordância
pedindo perdão
pela sua ignorância.
.
Vicente
.
.
.
"Às vezes as pessoas tomam algumas atitudes e não tem noção do que isso pode gerar nas outras, as consequências podem ser desastrosas, geram dor e tristeza ..."
.
Deia
.
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.

15 Junho 2008

SÃO HOMENS

são homens.
são palestinos de Nablus
Cisjordânia.
são homens.
ignoram o toque de recolher do exército israelense.
são homens.
saem ás ruas para comemorarem o atentado suicida
em Jerusalém.
Israel.

são homens.
o homem-bomba
um palestino de 16 anos
morreu.

são homens
cinco homens israelenses ficaram feridos.
são homens
sete homens israelenses morreram
são homens
dois deles tinham 5 anos de idade.
são homens
os outros cinco tinham apenas 2 anos.
são homens
a creche ficou destruída.
são homens?
.
.
Vicente
.
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18 Maio 2008

SEM TEMPO

sem tempo para escrever,
no entanto, o beijo eu trouxe...
beija-me, beija-me, beija.

sem tempo para cantar,
no entanto, a esperança está comigo...
cante-me, cante-me, cante.

sem tempo para divagar,
no entanto, o amor está por aqui...
ama-me, ama-me, ama.

sem tempo para perdoar,
no entanto, o grito se desfaz na garganta...
grita-me, grita-me, grita.

sem tempo para ter tempo,
no entanto vejo a luz no fim do túnel.
então vê.
.
.
Vicente
.
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10 Maio 2008

FLASH BACK

tanto eu tinha pra dizer
e ouvir
que acabei me calando
e tapando os ouvidos.

deu-se aquele silêncio
ousado
que me fez andar
pelas minhas ruas

descalças

descalço
e passei a entender
a nobreza do barulho
a necessidade do burburinho.

eu ando com fome de carinho
mas não me fiz de rogado.

.
Vicente
.
.
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"decididamente não acredito em destino. A gente pode sim se desviar dele, mudar o curso. O problema é que nem sempre a gente quer, e fica arrumando um monte de problemas. Não precisava. Destino. É só dizer não. E seguir o caminho."
Cláudia - http://leve1.zip.net/
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"Não há poema em si, mas em mim ou em ti."
(Octavio Paz)

18 Abril 2008

INÍCIO

ainda nada sabes sobre mim
por isso conto
em canto)
um tanto a ti
o que me reflita
e tu sorris
risos
fartos
doces
com cheiro de alecrim.

rodeiam-me as suas vontades
envoltas em farto querer
de que não se abram
(em mim}
as flores da timidez
e o encanto se faça perceber.
.
.
Vicente
.
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31 Março 2008

DESAFIO

meu grito
que doía na garganta
ainda engasgava
a traquéia entalada.

meu grito me doía
na saída.
meu corpo me aliviava
a revolta insensata.

recomeçar sem perceber
que se perdeu
olhar nos próprios olhos
sem se arrepender.

esmiuçar a bagagem
e retirar somente
o necessário para recomeçar.
esse é o desafio.

Vicente
.
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.
"Meus amigos, eu peguei o buquê, heheheheheheheh. No meio de tantas que se amontoaram pra pegá-lo, ele veio assim como se flutuasse ao meu encontro, ele fez uma curva pra chegar até minhas mãos, rsss...
Deia

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Continua aqui: http://www.muitomaisdemim.blogspot.com///

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09 Fevereiro 2008

EU TE PERCEBO

eu te percebo
na colorida natureza
sem as necessidades monocromáticas
dos monitores que não te captam.
e nos altares erguidos
ao amor
que se faz insensato
pelo ciúme desmedido.

eu te concebo
sonho
de olhos que se fecham
no beijo longo
longínquo e demorado.
e nas poucas palavras
que trocamos
por segundos em células
de trânsito confuso
de toda manhã
pela cidade.
.

Vicente
.
.
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09 Janeiro 2008

PASSAGEM

quando o sonho das crianças
no sono mais puro
se refez
ele já estava de saída.

abafou trânsitos
de olhos mal dormidos
porque não havia o mútuo calor
que inspira poemas
que justifica a poesia.

quando recolheu o nexo da vinda
que a liberdade
outrora sufocada
promovia
já não havia a necessidade da metamorfose
de um para outro estado
(e ela também sabia)
nem daquele torpor
nem daquela letargia
.
.
Vicente
.
.
.
"É melhor ser leão por um só dia, do que um carneiro toda a vida. .."
(Sister Elizabeth Kenny).

23 Dezembro 2007

PRESENTE

eu te presenteei
com aquela manhã
imensa
e logo em seguida
me roubaste
uma tarde
que já me consolaria.

agora
só tenho essa noite
que teima em não amanhecer.

também
já sei
que não haverá madrugada
nenhuma.
.
.
Vicente
.
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08 Novembro 2007

PELAS CALÇADAS

sozinhos.
alguns poucos momentos
de olhos nos olhos.
certamente muitas perguntas
caladas
esperando.
algumas perguntas exatas
com receio de explodirem.
mas nada
nada além de encontro.
exceto o encontro.

caminhando sem cobrança de ligar.
sem intenção de escrever.
sem números.
sem endereços.
é possível que seja sábado.
mas ninguém liga para datas.
.
.
Vicente
.
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27 Outubro 2007

IDA E VOLTA

tem de tudo um pouco
de cada um
em um
em dois
em nós.

cada um de nós
de dois
de um
de sempre todos
como se sabe
sem par...
sem ímpar
sem primos
sem números.

temos um motivo único
único motivo: amar.
faço
meu próprio papel:
poetizar.

amar não é só juntar
nem mesmo separar
juntar/separar
é descrever o possível
dizendo impossível não notar.

nos olhos
olhares
nas bocas
teus
beijos.

na canção exígua
difusa
sorriso confuso
confundida
minha
mistura
tua,
não minha
amante
tirando
feliz cidade
de propósito
soltando
bastando-se
bastante bom
o que se basta.

não o bastante
bastando apenas
um presente
um passado
um futuro
tudo
misturo
embrulho
entrego o que resta da sorte
e tudo:
o restante.

e feliz se faz
de feliz-cidade
muda
mundo
mudo
sou
eu
em você
romance mudo
ausente
aqui
presente lá
presenteando cá.
passando acolá.
futurando em breve.
.
.
.
Vicente
.
.
.

30 Setembro 2007

UM FLAGRANTE

porque houve a vontade de escrever
e guardar o instante
que se fazia em palavras
emoção
risos
e cuidados para que ele
não desconfiasse.

e as tantas frases
que permaneceriam ocultas
foram identificadas e traduzidas
e descobertas
as formas das imensas delicadezas
com que nos tratávamos

o descuido que tirou o escudo
dos instantes de cuidados
e quebrou as barreiras
do pecado oculto
custou-nos esses muitos
sofreres
com os quais agora nos remoemos.
.
Vicente
.
.
.
"in finita mente
(a partir de um "conceito" desgastado)
os seres
as coisas
tudo perecível
não cabe no instante
o amanhã:
é imenso.
.
Wilson Guanais
.
.
.

24 Setembro 2007

ESPETÁCULO VIVO! - (Van Luchiari)

A vida que eu finjo é um circo.
E eu, palhaço de mim
dispo-me de todos os sorrisos
no calar do camarim.
No picadeiro da alma
eu domo as minhas feras
E o meu espírito despeja
todas as suas esperas.
Equilibrista de saltos
penso que existo:
Malabrista do acaso
Domador de sobressaltos.
O trapézio me leva tão alto
para cima e além das vidas rasas.
E sem pesar eu me jogo no espaço
que fica entre o chão e minhas asas.
Olhos incríveis me habitam e seguram.
Mãos secretas me equilibram e curam.
E no momento do salto
Agarro-me a mim mesma, enfim.
Cravo as unhas no meu sonho.
Reconheço o sorriso em mim.
Dispo-me da máscara.
Entrego-me ao real.
No picadeiro do meu ser
O espetáculo não tem final.
.
Van
.
.
"Hoje eu te trago um prenúncio de primavera prestes a explodir.Há um cheiro de orvalho no ar, sente? Nem a secura daqui de minha terra impede o perfume de entrar e inebriar...."
.
Van Luchiari
.

19 Setembro 2007

OLHARES SAPIENS

quem viu passar?
eu vi
e sorri sonhos desmedidos
em sonhos de se ver
com olhos abertos

porque trazia
a alma da palavra ver
a calma da vontade de ter
e sentir
que vai ali e não volta
que vai além e fica
por lá
e sabe-se que não vai voltar

quem viu passar?
só eu
porque encarei
a ida
e os calcanhares calçados
de saltos
e aconchegos
em espaços diminutos
entre a sola e o salto.
esse meu olhar é sábio.
.
Vicente
.
.
.
"...Assim, quem sabe, meu amor que não me vê, embalado na beleza desse lindo versejar, olhasse para cá e se pusesse a admiraro ritmo, o verso, a músicae entendesse, nas palavras que escreveria, o amor que nestas rimas pobres, não consegue enxergar..."
.
Saramar
.
.
.

12 Setembro 2007

PEDIDO

fui o primeiro a dizer-te as palavras

que te abriram as portas

os vértices

os ângulos desnudos

que te vasculharam os íntimos momentos

do encantamento

mais desejado.

fui o primeiro a ousar-te carícias

em pêlos

que

escondidos

sonhavam ousadias

de beijos salientes e imorais.

fui o primeiro a bendizer-te o gozo

vertido no mais puro linho

enriquecido pelo aroma

da entrega

e sabor das descobertas

apaziguadas.

sou o primeiro a enlaçar-te

a alma

e pedir-te com calma aparente

e cheio de esperança:

aceita

essa aliança?

.

Vicente
.
.
.
"

"...Por vezes é melhor um sincero afago

Que um beijo ardente e amargo

Sem amor

Sem ardor

Um momento mentiroso

De prazer e calor.."

.

Rafaela Silva Santos
.

06 Setembro 2007

CLAREIRA - (La Zingarah)

Sou folha e seiva,
acre e adocicada,
talho transversal que não quer ser compartilhado.
Vertigem inata, olho de cachoeira,
friagem que amola a cadência do coração.
Perturba-me a falta de tantas coisas e
o excesso cansado daquilo de que não preciso.
Vou e volto. Prefiro o silêncio às vaidades destrancadas.
E você, oculto sob si mesmo,
o que vem procurar aqui?
Tenho palavras aquáticas, tão molhadas,
que submergem sem cessar.
Se lhe apraz esta clareira de gritos nítidos,
venha sempre que precisar.
.
Zingarah
.
.
.
"Como seria estar absolutamente só na face da Terra? Um susto, uma falta de fôlego, um aperto no coração? ...
.
Zingarah - (Rouge)

05 Setembro 2007

CAMINHOS

sua língua
é preliminar
das preliminares que ensejam desejos
afogueando-me os sentidos
quando roça minhas orelhas em sussurros
descuidados/estudados.

cada coisa a seu tempo
como a abrir-se em velas desfraldadas
a receber-me em aconchego
que prenuncia gargantas afoitas.

são polens a serem sorvidos
em cada gota
que pinga do mais orvalhado
deleite.

descobrindo
os vértices invertidos
a receberem os ligeiros
passageiros que se perdem
em descidas alucinantes
a formarem novas formas
de se mover
em direção ao prazer.

.

Vicente

.

.

.

"...Mas a ampulheta da vida deixou escoar as areias do tempo e seus olhos cansados não a viam mais. Distorceram suas canções e sua voz chamou-se maturidade..."
.
Claudinha

.

31 Agosto 2007

CENSORED

porque meus lábios prenunciaram
a tanta batalha de ser contrário
ao cérebro
que insistia em afirmar
que não
que o momento não se fazia preparado.

quedaram-se então
lábios
(e pensamentos)
apressados em ânsias
de tanto se entregar
à procura dos arrepios
dos movimentos desconexos
dos prazeres da pele
(e do corpo mais profundo).

refeitos do susto
(causado)
pelo descobrir o momento
de encantamento
e de louvor ao prazer
quem passou a dar ordens
ao cérebro
que se fizera tímido
foi a um só tempo
lábios e mãos
que
despudorados
não se permitiam censuras.
.
Vicente
.
.
.
" "A lua fascina, mas o amor é bem mais concreto."
"Por sua concretude, é muito metido! Vai chegando e fascinando..."
(Esyath Barret)
.
“A sorte escolhe cada nome por acaso.”“Mas o que é sorte?Nossas escolhas ou nossos destinos?”
(Esyath Barret)
.
"A essência do amor, está na magia da vida".
(Esyath Barret)
.
.
,

DESPEDIDA

semblante saudoso de quem dorme pela espera
de quem espera pelo sonho
de quem sonha
pela madrugada insone
de sala e caderno.

mãos delicadas em torno da caneta
a dialogar com o papel
com o tempo
com a pouca chuva
de estrelas que azulam o céu.

corre
célere
o pulso que pulsa
em busca do encontrar-se
do enclausurar-se
em adjetivos
suspiros
devaneios.

rosadas
as faces
desfazem a impressão
de morte.

por fora é fogo que arde
por dentro
é vida que parte.


Vicente
.
.
.
"...Há corações que ainda não sabem expressar seus pensamentos, seus sentimentos na poesia! O meu é um que vive tentando, mas às vezes não consegue encontrar as palavras certas para deixar a poesia mais encantadora..."
Arethuza
.
Continua aqui: http://www.mundoliteral.weblogger.terra.com.br/
.

03 Julho 2007

FLAGRADOS

não podia estar lá
quando queria estar aqui
nesse jogo de abraços
que anseia pernas tocadas
no risco de sermos descobertos.

não ousara dizer não ao momento
ao encantamento
ao toque de Midas
que transforma
o cinza da frente fria
em dourado
de calor generoso.

são bocas sabendo a graça
de se esconderem
uma na outra
uma pra outra
na exploração
que não conhece fadiga
e não suporta a tirania
dos ponteiros
dos relógios.

por isso o escorregão
no atraso
que denunciou os cheiros
e as perguntas
sem respostas
sem explicações.
.
Vicente
.
.
.
"... Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera cósmica..."
.
Silas Corrêa Leite -
Excerto do seu poema "Estatuto do Poeta", que você pode ler na íntegra na página da Casa da Cultura. (Esse trecho faz parte do Artigo Décimo-Sexto).
.

15 Junho 2007

REMARIA (PEDRO MONTEIRO)

Conforme combinado com o poeta e amigo Pedro Monteiro, vou reiniciar a fase de publicar poemas, poesias e textos dos amigos aqui em meu blog.
Quem me acompanha desde 2005 sabe que já passei pela desagradável experiência de refazer meu blog devido a alguns contratempos provocados por alguns anônimos invejosos.
Com mais cautela pretendo inaugurar um novo tempo e para isso desejo a colaboração de vocês.
Quem for contrário à publicação de seus trabalhos (juntos com os meus) em meu blog, com todos os créditos, etc... etc..., manifeste-se, por favor.
O início vai ser esse excelente "Remaria" do Pedro, que eu considero um dos melhores.
Na caixinha de comentários, manifestem-se quanto ao conteúdo da poesia do Pedro e, por favor, se são contra, afirmem que não querem ver seus trabalhos publicados aqui, e que o atual esquema de apenas pequenas citações, como tenho feito, já é suficiente, ou digam se são contrários também a esse esquema.
OK? Conto com vocês.
Doces.
.
Vicente
.


Remaria


Remaria no mar é o passar do dia

Remaria é re-ser a mãe da poesia

Ver por cima das ondas o sol nascer

Uma onda atrás da outra, uma manhã atrás da outra

Remaria noite e dia.



Ver no fundo após as ondas, onde o mar é calmaria

É ser o mar dentro e a areia fora

Onde a vida partiria



E às vezes ver a praia como partida

Na maré salgada e tarde ardida



É ter de chão a areia

E ter de lar a maresia

Remaria, remaria.
.

Pedro Monteiro
.

COMEÇAR CHORARE

do que vivemos
sobraram o que começamos:
o carinho
o cuidado
a pouca vontade de deixar
tudo de lado.
sobraram atos e fatos
consumados
conversas esquecidas e
não retomadas
devidamente não esclarecidas.
sobraram a censura
a falta do bom senso
a falta de enredo
de opiniões
de desapego ao antigo.
faltaram
a coragem para recomeçar
o carinho que devia continuar
e sobretudo
a vergonha por deixar
tudo acabar.
.
Vicente
.
.
.
"El Baile
Meus olhos se desencontram na paisagem interrompida. Não há continuidade, em nada, em lugar nenhum, senão no perfume que o ar transporta. Na íris que se desdobra sobre o dia. Estremeço, torpor e prazer impelindo-me a dançar entre os instantes fragmentados. E danço, porque isso faz levantar a poeira dourada das horas, e descobre movimento onde reinava a quietude inteira..."
.
.

13 Junho 2007

DESCULPE, FOI ENGANO

o tempo rompido e cicatrizado
imprime louca cadência
em minha vida

e quando menos espero
já é tempo

de outro dia

já é aquele lugar
de desassossego
e lençóis amassados.

dalgum lugar repentino
a campainha rouca
abre espaços em meu sobressalto

de acordado sonambúlico
que tateia

em busca de um telefone mal instalado
à cabeceira.

após o “alô” de praxe
teimando em entender o que está acontecendo
do outro lado a voz

sobressaltada: “quem fala?”
após irresoluta indecisão afirmo
meio sem convicção:
“é o vicente...”

“desculpe
foi engano”

tumtumtum...

.

Vicente

.
Hoje não quero um texto bonito.Nem quero me preocupar com rimas ou concordâncias, só quero dizer que estou sentindo a sua falta.Horas já não são suficientes e a despedida se tornou insuportável.

.

Rosângela.

11 Junho 2007

LENCINHO

era um lencinho branco
de algodãozinho vagabundo

irrisoriamente vagabundo
e barato
acrescentaria eu.

pois foi com ele que acenei
esfuziantemente
e ela me percebeu
no meio da multidão

retribuindo o aceno.

daí a importância
emprestada ao meu rico lencinho
que guardo qual tesouro
numa caixa
com naftalina.
.
.
Vicente
.
.

10 Junho 2007

TARJA PRETA

minha trajetória
(acidentalmente)
acidentada
não me deixa esquecer
da falta que a sua (grave) voz
faz
aos meus ouvidos
já entediados
de tanta ausência
a pedir em mim
um remédio
controlado:
você.
.
.
Vicente
.
.
.
"E como em um passe de mágica suas palavras tomaram o lugar dos beijos e das carícias dele..."
.
Nanda
.

06 Junho 2007

CADÊ ALESSANDRO?!?

(BARILOCHE II)

não tem
horário de verão
por essas latitudes temperadas
a nos acusar
que daqui a pouco desaba a noite
(pelas cachoeiras do tempo.

parado à beira do nada
que antecede
a semi-escuridão vulgar
já me precavia dos efeitos do etílico
que (com certeza) viriam
quando
à queima-roupa me perguntam
em belíssimo espanhol se:
“usted es Alejandro?”.

ainda assustado
pela aparição de beleza
tão esguia
arrisco
meu envergonhado portunhol
e digo que “no”
e
tantas besteiras “más”.

...só quando rompia a manhã
estrangulando a madrugada decadente
demo-nos conta da incoerência do encontro
que nos levou a esquecer diferenças
de idiomas
para conferirmos
nossas línguas
simplesmente...
.
Vicente
.
.
.
"Sintonia
o poeta às vezes deixa o Poema escrever-se. o Poema às vezes deixa o poeta escreve-lo."
.
Wilson Guanais
.

04 Junho 2007

SONHO DA PELE

minha pele

sonha

seus toques morenos

repletos da imaginação

de

chuva

em dia de sol

de verão.

.

.

Vicente

.

.

" O futuro depende de muitas coisas, mas de apenas uma pessoa: você.

Não importa que se esconda, ou renegue sua face, em algum momento, a capa cairá.
A verdade, sempre surgirá!"

.

Esyath Barret

.

03 Junho 2007

DEMORAS

demoro para entender palavras

intenções

eloqüências

que prenunciam conquistas

viagens para descobrir mundos

que estão em minhas mãos

... Cheias.

demoro para perceber olhares

e trocas

de gente que chega

e quer ficar

e espalha poesia

e que se sair

tem vontade de voltar

e se realmente vai

não demoro

a chorar.

.

.

.

Vicente

.

.


02 Junho 2007

EFEITO ESTUFA

que poente alaranjado

é esse

?

que se mostra em namoro

de enlaçar

vermelho com amarelo

?


são raios de sol


colorindo o fim do dia

?


são viagem

nos segredos

da prenhez

das noites de verão

?

ou


são reflexos de histórias

e desperdício

da poluição

?

.

.

Vicente

.

.

.

Divido esse espectro

Em pigmentos

Do prisma o arco-íris

Preso num pedaço de velcro.

Vestígios

Que refletem na terceira margem

Minhas cores em harmonia

Extraindo no fundo os cristais

Que compoem a minha vida."

.

Rafaela Silva Santos

.


31 Maio 2007

FIZ UM POEMA

fiz um poema

sobre a emoção

que se perdeu sabe-se lá onde

em que folha branca

em que sarjeta esburacada

em que lufada de qual vento.

falava de você

da sua delicadeza

da sua beleza arrebatadora

dos seus traços

que a palma da minha mão

ousara tocar

(com essas mãos tão minhas)

falava da maciez do seu carinho

dos reflexos dos seus cabelos nos meus

dos abismos que se abriam entre nós

toda vez que pensávamos bem.

aquele poema

não existe mais

não resistiu sequer

às primeiras linhas.

sucumbiu

ao primeiro passar da borracha.

.

Vicente

.

.

.

"...Quebrei a ampulheta da vida
joguei fora as areias do tempo..."
.
Claudinha
.


28 Maio 2007

NÃO É BEM ASSIM

calei-me o peito

por conta da loucura do faz-de-conta

rebelei’me os sonhos

que insistiam em seguir vida própria.

eu falo de sonhos dentro de um ser

que não sonha mais

aqueles sonhos de menino

DE HOMEM ADULTO QUE DESEJA

eu falo de desejos.

de todos os desejos

que se confundem com todos os sonhos.

todos:

dos Minúsculos aos estratosféricos

daqueles que te remetem às vontades

de ter alguém para amar

de ser amado

de fazer planos

e

de trocar carinhos.

falo de sair

no meio da tarde

e juntos

na livraria

escolher o próximo livro

que se vai ler

a dois.

.

.

.

Vicente

.

.

"...

...depois de muitos anos me sentia como uma borboleta, leve, brilhante, bonita, havia finalmente saído do casulo....

...Agora sinto as borboletas em meu estômago, que estranha sensação..."


Deia
.


19 Fevereiro 2007

LÁBIOS

não
vou exigir
muito.

vou aprofundar
sempre que necessário
essa vontade
de colocar lábios
sobre lábios
para que eles mesmos
reflitam
sobre o toque.
.
Vicente
.
"...não me encanto facilmente por qualquer batuque ou ruído que aos olhos de um mundaréu se passa por música..."
Jefferson P.

18 Fevereiro 2007

SOLENE DESPEDIDA

houve o espanto e a compreensão
dos fatos inusitados
presentes
coisas
vividas noutros tempos
desconfortáveis
bailando entre o patético e o covarde.

coisas
alimentando ilusões descabidas
e espetáculos deprimentes
que sabem a ecos de solidões
que se tocam
que sabem a imagens de traições
que se criam.

fantasmas reais de um querer
que não se confirmou.

um “a gente se vê”
é suficiente para se despedir.
e partir.
.
Vicente
.
.
"Não quero ferir nossas cicatrizes deixo-as encerradas sem a pele morta sem o ar do passado..."
Mary
.

16 Fevereiro 2007

SE BEBER NÃO DIRIJA

eu te adianto
que se ficarmos os dois
embriagados
(de amor)
entro no primeiro sonho
e te carrego

depois a gente resgata
a realidade.
.
Vicente
.
.
.
"...Escrever é produzir epílogos do não iniciado. Sumarizar o diáfano. Documentar o não-acontecido. Testemunhar em falso. Dar (in)versões do impalpável..."
Cecília Cassal
.

15 Fevereiro 2007

OUVINDO ESTRELAS

porque é tarde.
brota daqui
e de lá
uma escuridão
(que já pleiteia uma vaga no céu).

estrelas gritam seus luares
e as ouço aos cânticos
pelas implicações do verbo:
ouvir estrelas

e a Lua
notívaga
...vaga
com cara de boas vindas
com luz calma e simples
convidando-as
para o passeio
vespertino/noturno
que ressurgirá
como sempre
até o dia despertar.

por aqui passamos na faina diária
sem perceber
o maravilhoso espetáculo que a natureza faz.
que a natureza fez.

agora já é noite outra vez.

pausa para ouvir
estrelas.
.
Vicente

.
.
.
"Tudo acaba, eu sei. Até as luzes celestiais se vão, apagando-se. E a luz o céu vai cobrindo.
E a morte vai cantando seu hino..."
Rafaela Silva Santos
.

14 Fevereiro 2007

AMIGO/AMIGA

vesti a fantasia do real
e me desloquei
da rota do onírico.

transformei o não imaginado
em alguém de carne e osso
e de lábios vermelhos
e beijo quente
e coisa suave.

alardeei sem alarde
que a vida se fazia urgente
e que o agora era o instante

das mãos nas mãos
do toque no toque
do delicado poder da delícia

que marca o encontro
que explode em afinidade
que é mais que amor
que é mais que paixão
que é mais que amizade.
.
Vicente
.
.
.
"...Hematitas e magnetitas, nos altos fornos, e meu sangue correndo nas veias qual o gusa incandescente, lembram-me a força da vida, onde estão minhas raízes..."
Claudinha
.

13 Fevereiro 2007

PAREDE DE REBOCO

meu poema
refeito da dura realidade
(de não ter mais você como musa)
esbarra em outras dermes
outras epidermes
outros arrepios

outras companias

que inspiram o arremedo da poesia.

mas na parede de reboco
que é a
minha mente
que é a
minha memória
você é um quadro pendurado
no prego da minha história.
.
Vicente
.
.
.
"...Toda pessoa tem um alguém que se foi
Um alguém que foi pego em flagrante
Um alguém que prometeu um brilhante
Um alguém que saiu pra jogar
Toda pessoa tem um alguém
Que esqueceu de voltar..."
Giovanni Lucato
.

10 Fevereiro 2007

MEIO AND MEIO

porque se chamava ficção
e se mostrava
realidade

meio tímida e baixinha
meio histórias que teimam em não acontecer
meio enredos batizados
meio tramas variadas.

banalizava a personagem
que desenhava
e redesenhava seus papéis
requeridos pelo diretor
onipresente
que insistia em dirigir a sua vida.

meio companheira de uma viagem
sem fim
pelo interior de uma idéia.
meio minha.
meio de outro.
.
Vicente
.
.
.
"

09 Fevereiro 2007

BARILOCHE

amanhecia
um sol frio e melancólico
por entre as
persi
anas
in
sones
(e douradas)
de

Bari
Loche

que perscrutavam
pela janela
sonolenta.
.
Vicente
.
.
.
"Decreto que esse ano todas as agremiações se calarão por um minuto, pois descobri o amor e que nenhum samba, por mais boi com abóbora que seja, falará de amor, sem citar minha morena e o que o fizer, será punido, com pontos em enredo e fantasia..."
Pedro Monteiro
.

08 Fevereiro 2007

POETISAS & POETAS



POETISAS




(para mim)
nas poetisas
algo de música
de luar
de liberdade
e de vinhos de boa estirpe.

em sua maioria
cheiram a amêndoas raras
e transpiram linguagens
que ressoam significados
poliglotas.

sua congenitude proposital
só é
(às vezes)
superada
pelas próprias essências
circulares que exalam
de seus momentos
Íntimos

quando se abrem
para eternizar a
criação

e

nos mostrar
que
mesmo nos momentos
esquecidos
"Há uma bruma pálida
Que alcança todos
Os sonhos adormecidos..."
.
Vicente.
.
.
.

07 Fevereiro 2007

PROGENITURA DESNATURADA

sou progenitor de uma coisa descabida
chamada Eu.
sou aquele que abandonou a criatura
quando se encontrava perdida
e que por isso jamais se ergueu.

sou o pai desnaturado da figura
tímida e arredia
que a todo momento pedia
(apenas) uma chance de viver
e de se encontrar

ms acabou por se perder
e na mágoa se enterrar.

a criatura sou eu
também sou o criador
que morreu.
.
Vicente
.
.
.
"Não temer as palavras não é fácil. palavras doces são ótimas; palavras menos doce são difíceis...mas palavras são palavras e os poemas precisam de todas elas..."
Lívia
.

06 Fevereiro 2007

CALÇADAS

eu lhe encontrei
ao abrir-se
de calçadas
e supermercados
conforme o combinado
com os nossos destinos.

encontro.

trouxe chegança de espera
em mim
e me vejo de braços
com a saudade.

você chega e traz a lembrança.

rima fresca
e boa
para
esperança.
.
Vicente
.
.
.
"A vida se mantém um enigma, apesar das tentativas milenares de explicações, justificativas, esclarecimentos, elucidações. .."
Dora Vilela

05 Fevereiro 2007

CORAGEM

meus textos
insistiam em conter
teus cabelos
e gestos
que me falavam
com voz dos amores
que não comportam erros.

nunca percebi
que tinhas
nas mãos
as palavras
(e a coragem)
apropriadas
para jogar por terra
todas
as minhas mais infundadas
esperanças.
.
Vicente
.
.
.
"POETA
Não tema o dia que se apresenta, hoje, inútil...
Aos olhos do poeta ele se transforma sempre, mesmo que em utilidade frágil..."
Lívia
.

04 Fevereiro 2007

INFINITIVO TAMBÉM É VERBO

porque medo transpirou
coisas
que eu nem ousara sonhar.

por seres
(infinitivamente pessoal)
quem eu não supus encontrar.

e me vires agora
redobrar-me as vertigens
que insistem em
percorrer todas as cavidades
das minhas veias?

que tal saíres?
.
Vicente
.
.
.
"que pena, que são só promessas a promessa do novo, do recomeço, do sério, do alvo, da busca.
Só mesmo sendo mortal para acreditar que podem se cumprir as promessas feitas , em tempo de nostalgia..."
Cláudia - Oxigênio
.

02 Fevereiro 2007

DESCOBRINDO

rio do seu largo sorriso
ao notar
as verdes folhas que rebentam
aqui e ali em meu quintal.

perguntas
achados
surpresas:

alecrim
alfazema
manjerona

outros risos:
manjericão
rosas
dálias...

brotam alegrias por cada
descoberta.
.
Vicente
.
.
.
"...Quem faz as regras morais absurdas - ou quem cuida para que elas sejam obedecidas com rigor - é certamente uma pessoa insensível às coisas do coração maravilhado. Não pode ser um poeta; geralmente é um ditador..."
Edson Marques
.

31 Janeiro 2007

DNA

a carne me falou à razão
tatuou-me
a epiderme
dos sentidos
por isso exagerei
quando descobri
o formato
que havias
desenhado
em meus
cromossomos.
.
Vicente
.
.
.
"... Não se pode não ser intensa quando dos verbos vazam versos de magia que causam inundação nos olhos com lembranças de um dia...".
Clarinha
.

30 Janeiro 2007

INEXATIDÕES

a luz dos teus olhos
(com alto teor
de aurora)
iluminou-me

e só agora
percebo
a porcentagem
do ocaso
mortiço

muito após
a possibilidade exata
da última gota
(que eu sorvia)
da noite
que se aproximava.
.
Vicente
.
.
.
"...Em brilhantes giros e rodopiantes grangetes e pliés, ela se contorcia em balé sincronizado com a água...."
Marcela Bertoletti
.

29 Janeiro 2007

THESE EYES

teu olhar
tem um brilho aceso
que faz do momento
presente
aquela íntima
indiscutível
intransferível festa
QUE NÃO SE CONCRETIZA
entre nós
qual extravagante
brincadeira de verdade
que a gente arrisca
no meio de todo o barulho
de todo o caos
em busca da
PAZ
comum
da
VONTADE
incomum.
.
Vicente
.
.
.
"entre o muito e o muito pouco existe um meio caminho oco, um caminho vazio no meio do nada, um instante vácuo no cio pronto para ser concebido. no meio do caminho havia...um caminho do meio."
Clauky Saba
.

28 Janeiro 2007

EXPLORADOR

dançam mãos
em corpos de acalantos
enigmas palpáveis
cabelos e pêlos
que se escoam
em depilações
e músculos exatos
de abraços sinceros.

assim
muito mais agradecerei
à ávida
vida
por ter feito de você
a minha melhor
descoberta.
.
Vicente
.
.
.
"E me redescobri gostando da blogueira que sempre fui. Resolvi voltar a ser o que era e ir um pouco além - beirar a imagem que ele tem de mim. Sem literatura, mas com muita paixão pelas letras, pela vida, por vocês!..."
Loba
.

MOCINHA

ela me chamava de moço
e a todos dispensava este tratamento honroso.

chamavam-na de “Mocinha”.
às vezes aparecia com seu jeitinho de bugra
pouco menos que esfarrapada
aspecto pedinte
a conseguir qualquer alimento ou moeda.

conta-se que se entregava com facilidade
a troco de qualquer troca
de qualquer docilidade.

por isso ninguém entendeu
quando seu corpo foi encontrado
nu
de todos os pertences
vestido
de todas as violências
(ponto final)
.
Vicente
.
.
.
"...Para que tudo não perca as cores ou a melodia, é importante deixar recadinhos, bilhetes e e-mails com palavras que nascem dos prazeres diários..."
Alequites

27 Janeiro 2007

LEMBRA?

lembra que eu pedi
que acendesse o incenso
para me ler
e o corpo para me reter?

que preparasse o café
e o espírito
para falar de você?

lembra que seus compromissos
foram adiados
porque eu havia chegado?

eu lhe quis por perto
com a vontade
da primeira
caipirinha
e da última
emoção.

o que foi que aconteceu então???
lembra não?
.
Vicente
.
.
.
"E no fim do poema me pareço
(como já diria o Neruda)
com a palavra melancolia.
Fê Notável
.

26 Janeiro 2007

PLEXUS

existe algo de vazio entre nós.
algo de solitário sabendo-se
a madrugada
solitária.
já não apreciamos os tons roucos
de Cássia Eller
as melodias de Milton
nem as de Chico
que ambos são nossos ídolos
(ainda são os mesmos!)
em idolatria tão segura e tão frágil.
esse vazio que nos envolve é como o fio
da adaga que se percorre
como sobre a corda bamba.
falta-nos o nexo
porque não quero empregar todas
as letras
para formar corretamente
a minha sentença.
.
Vicente
.
.
.
"Eu estou só e tenho que matar baratas!..."
Deia
.

25 Janeiro 2007

HIPÉRBOLE

meu verso
e eu
podemos
parecer hiperbólicos
mas não há hipérbole
ao afirmar que você
(feita de
poesia e sorrisos)

explende

além do brilho das estrelas.

não há hipérbole
apenas juntamos pedacinhos.
.
Vicente
.
.
.
"Em algum canto do mundo encontrarei você. Passem noites e dias, em claro ou no escuro, tentarei encontrar você..."
Nilza
.

24 Janeiro 2007

SER

ela é o ser
que designa
por antonomásia
a existência real e absoluta.

a que
exprime a realidade
em contraposição
à mera aparência
ou simples mostra.
uma coisa
é o que ela é
outra
é o que ela pode ser.

existem
e estão nela
as características
e qualidades indicadas
pelos adjetivos
que acompanham
e determinam o verbo
surpreender

para que eu me ache
ou me encontre
em um dado momento
em um dado lugar.
.
Vicente
.
.
.
"Perco-me recolhendo tuas palavras, alinhavando os retalhos do teu riso dissonante..."
Zingarah
.

23 Janeiro 2007

RIDÍCULO

ainda não percebi a lógica
daquele aceno
com o qual
teu braço
me saudava.

menos ainda
a pronta resposta
do meu sorriso
e do meu braço
que todo bobo acenava.
.
Vicente
.
.
.
"Acho que quando morremos a terra-útero nos concebe em outros (in)finitos fundos nunca findos-vindos."
Diovvani Mendonca
.

22 Janeiro 2007

OUTRA VIAGEM

desça do sonho
que
daqui a pouco
passam outros
e a gente pode escolher
se embarca
(com estilo)
no próximo grito
ou
na próxima ilusão.

acenda em mim a fogueira
que ilumina
ventres
para que os reflexos de
umbigo
se perpetuem
de tanto prazer
de tanta paixão.
.
Vicente
.
.
.
"Neurose
Separou o joio do trigo e separou o trigo do trigo, por fim separou-se do trigo.
Wilson Guanais
.

21 Janeiro 2007

EX-PERANÇA

e era
um vento
forte e vigoroso
que soprava confundindo
anemômetros.

só agora
extinto
após tornar-se
débil sopro
sabe-se que seu nome
era
esperança.

era.
.
Vicente
.
.
.
"...Ela vestiu a "Velha Roupa Colorida" para um "Retrato Em Preto E Branco..."
Claudinha
.

19 Janeiro 2007

ENQUANTO VOCÊ ME LIA

(Enquanto você me lia
eu ouvia MPB
na sua vitrolinha.)

- escolhe uma voz feminina.
!! ??? !!!
- tá bem, pode ser masculina.

esse seu coração
sempre falou mais alto
na hora das escolhas.
besteira a minha
não ter compreendido
por todo aquele tempo
depois de tanto tempo
que havia espaços entre nós.
estreitados em seguida
tempos e espaços
brotaram afinidades
que subjugaram a amizade
que não sobreviveria
que não sobreviveu.

irrecuperável.

perdeu-se em intimidade
e sensibilidade.

perdemos.
perdi.
perdeu.
.
Vicente
.
.
.
"...Que se debrua de sóis enclausurados, entre os hiatos de seus olhares de contemplação..."
Zingara

17 Janeiro 2007

AGORA É NOITE

hoje
mais que nunca
queria seu ombro amigo
e silencioso
(nessa noite enorme)
para chorar em mim
todas as águas
que me encharcam.
.
Vicente
.
.
.
"...Só que você ainda não percebeu que viver é essa grande prova de múltipla escolha onde só é possível escolher uma resposta para cada questão..."
Márcia do Valle
.

09 Janeiro 2007

DOCE POEMA

Meu doce
tem formigas
abelhas
vivas na flor

Poesias
e mais poesias
no cadernode receitas

Meu doce
tem formigas
escalando
o açucareiro.
.
Wilson Guanais
.
Continua aqui: http://www.cemiteriodenavios.blogspot.com//
.
.
.
Esse foi o Wilson que fez pro Vicente.... Show....
.
Postado originalmente em 09/09/06
.

08 Janeiro 2007

DORA VILELA E SEU FILHO MARCELO

"...Você redescobre para nós o ar primaveril perdido na manhã esmaecida da nossa infância.
Sei que você pode sofrer e se machucar com a maldade humana, porém seu coração não abrigará nunca a marca indelével e triste do remorso..."
Dora Vilela

no tocante poema-depoimento
"Ao Meu Filho Marcelo."
.
.
Continue aqui: http://pretensoscoloquios.zip.net/...
.
.
.
"O sofrido atrapalha o vindouro, ofusca o olhar e o que chega agora não deve ser nem alegre, nem triste, deve ser o novo apenas, para se escolher livremente sem as consultas às sombras..."
Dora Vilela.
.

07 Janeiro 2007

UIVOS

(Feito pra Loba)
maravilhosa
festa dos sentidos.
estou para ouvir
uivos do presente.

meu passado me critica
angustiado
os silêncios que criei
as falas que perdi.
grito
entretanto.

lá fora faz silêncios
mas aqui dentro eu grito.
o vão da janela do Windows
se ilumina
porque agora te vejo e leio.
hei de abrir
escancarar ainda
as portas
as venezianas emperradas.

via-me pelos meus olhos.
beijava-me pelos meus lábios.
turvavam-se em mim
as vistas
com o embaralhar
de tantas palavras
que roubei de mim mesmo.
nas agora
não.
agora quero outras palavras
outros sons.
agora quero só os seus uivos.
.
.
Vicente
.
.
.
"...Adoro cometer pecados capitais! Especialmente aqueles tatuados nos desejos, divinos,pelo cio..."
Loba..

Continua aqui: http://corpusetanima.blogspot.com/Ou aqui: http://blog-miolo-de-pote.blogspot.com/.
.

06 Janeiro 2007

ADOLESCER

também queria contigo adolescer.
rever sonhos de todos os rostos jovens que te vi.
queria reter na íris a emoção de te ver
crescendo em mim
comigo crescendo em ti.

queria ver-te vertendo em abundante juventude
rever vivências de risos tão adolescentes
perder-me aos gritos do tempo em quietude
de brancos dentes que riem impacientes.

queria sentir-te no centro do meu anseio
de perceber-te hipótese e teoria
de reclamar-te sonho onde permeio
esperança
vida
luz e alegria.

queria o eriçar dos fios que revelasse
e demonstrasse
sim
as minhas emoções
maduras
ao tocar-te a pele que desencadeasse
o abstrato desejo mais concreto que passasse
deslizante
por teus ombros e costas e nuca e cabelos
para agradar-te ao te agarrar com o gosto que gostasse
de adolescer-te em todos os teus pêlos.
.
.
Vicente
.
.
.
"Dedicatória
Ao leitor a carne do poema, ao não-leitor os ossos do ofício. "
Wilson Guanais

Continua aqui: http://www.cemiteriodenavios.blogspot.com//
.

05 Janeiro 2007

EU TE DEVORO

eu te devoro

não porque queres
mas para florescer em mim
tua semente-poesia

e fartar minhas abelhas
de doce do teu pólen

Loba

Continua aqui: http://www.corpusetanima.blogspot.com/
.
.
.

04 Janeiro 2007

MISTERY

havia uma vontade
de estar perto pra se fazer ouvir.

uma intenção
de carinho e afeto
um trocar de números
e uma ânsia
de se falar
de se tocar.

mas podiam ser duas as vontades.
não deveria haver a confusão
mas haveria de acontecer os falares
os encontrares

antes que os cabelos se tocassem
e se molhassem
e cheirassem a xampu
e mistérios.

Vicente
.
.
.
" O que mais desespera não é o impossível, mas o possível não alcançado. "
(Robert Mallet)
.

03 Janeiro 2007

CEMITÉRIO DE NAVIOS?

(Para o Wilson Guanais)

De tudo que se avista daqui é o que se lê.
Quase como descrição, de título e de intenção.
Mas não se enganem, não é isso.
Se é cemitério, onde estão os sinos?
Os Alvarengas destroçados?
Não se avista Batelão desmantelado,
Barca, Barcaça ou Bergantim.
Prestes a afundar.
Improviso, sim,
"De asas abertas, como se fosse decolar".

De onde se observa, não se vê quilhas enferrujadas,
Âncoras desancoradas, timões desajeitados,
Correntes sem elos. Só elas.
As poesias.
Essas sim, têm de sobra. Luxuosas,
Como Transatlânticos,
Até no subsolo, como se no cemitério
“Estivéssemos acolhidos entre dois infinitos”.
Não há briga, nem Brigue, mas Fruto
E suave brisa que impulsiona Caravelas,
Naus e Patachos, ainda que não tenham velas.

Se há Cargueiros ancorados
Esperam, harmônicos, os sonhos de partirem
Para mares tantas vezes navegados.
Aí se pensa em como se cruzam Chatas com Clíper
Corveta com Cúter, e Draga com Iate.
Mas não se esbarram, não afundam.

Talvez se encontre Sagrado, mas Encouraçado?
Reluz de proa e popa próximo da Escuna,
E da Fragata, Simples e Confortável Mente.
Quem viu o Galeão a Galera, a Lancha, o Lúgar?
Nenhuma Nau a vista e não tem Navio de Desembarque.
Encalhado, virado, abalroado.

Bote, Palhabote, paquete, patacho,
Pesqueiro, Saveiro, Sumaca ou Pontão
Rebocador, Submarino, Vapor,
Vapor de Rodas, e Veleiro
, nada disso.
Mas existe Trama, Renovação,
E muita Construção
Parece fábrica de emoção.
.
Vicente
.
.
.
" Coisa de quem sabe o lado de dentro da dor..."
Wilson Guanais

Continue aqui: http://www.cemiteriodenavios.blogspot.com/
.
.
.
"O orgulho dos poetas não passa de defesa; a dúvida atormenta até mesmo os melhores; eles necessitam de nosso testemunho para não se desesperarem. "
(François Mauriac)
.
.

02 Janeiro 2007

BUTTERFLY


Imagem:
Butterfly 01. Criada em 14/08/06.
131 Kb

Clique na imagem para ampliá-la.

Vicente

01 Janeiro 2007

OS MAIAS

(para a Márcia Maia)
Se tudo eu entendesse de criação,
eu te criaria a partir do seu código fonte.
Não seria por ti a leitura
da poesia ou prosa poética mais pura,
mas ao contrário
te veria aberta
em meu próprio horizonte.
E não me faria a mim criador
nem a ti criatura.
Serias parceira
de recostar-se em cadeiras
espreguiçadeiras,
a esmiuçar os pôres-de-sóis,
a perceber os pardais,
a nem se lembrar que era fim do dia.
Haverias, certamente,
de ser somente
a semente
que nascesse
Márcia
e germinasse poesia.

Vicente
.
.
.
"...dizer que nublaram-se olhar e tarde além de beirar o lugar-comum não traduz o nó que (onde no corpo a alma se insere) germina..."
Márcia Maia.

Continue aqui: www.tabuademares.blogger.com.br ou aqui: www.mudancadeventos.blogger.com.br..
.
Postado originalmente em 15/07/06

29 Dezembro 2006

SE TIVER... EU PREFIRO

se tiver amor que exija minha dedicação
e respeito ao próprio amor
que é pra ser respeitado
para construir parceria de amizade
e amor com carinho
e sentir gosto pelo inusitado momento
de descobrir-se
eu prefiro.

Vicente
.
.
.O imperador do futuro será um imperador de idéias."
(Wiston Churchill)
.
"

20 Dezembro 2006

PARE, OLHE E VIVA - BENITO DI PAULA

Música

Composição: Benito Di Paula

Vi um caminhão tombado no meio da estrada
E a coisa ficou parada
Vi olhares tristes, quem seria
Olhar invocado, estacionado

Pra quê tanto aviso "não corra, não mate, não morra"
Pra quê?
Se quando o mal acontece
Ninguém sabe dizer por que

A carga do caminhão tombado no meio da estrada
Era como lágrimas
Da máquina quente esfriando, morrendo
Abandonada

Tente ajudar quem precisa chegar
Ligue a seta à esquerda, reduza
Esqueça essa pressa! Pode às vezes dar em nada

Olha o sinal, atenção!
Tem criança brincando, sorrindo
Seja prudente, humano
Tem alguém te esperando!
.
.
.

27 Novembro 2006

A VOLTA

e havia o frio
porque era inverno.
porque o frio esbarrava na pele
e na medula
e o vento
era de cortar lábios
e pensamentos
trazendo aquela chuvinha
marota e fina
que interrompe a vontade
e balança o moral
ao penetrar em nossos sentidos
até deixar úmida e tiritante a alma.

a cidade me parecia mais escura
porque se apresentava cinza
e o cinza
no caso
era neblina
que escondia a ponte metálica.

as pessoas não acreditavam
no absurdo frio
de dez graus que
se atirara sobre o Sudeste
e no céu tão baixo no meio da cidade.

caía uma tarde
que só Deus para explicar.

tudo era cinza.

foi nesse quadro da natureza
e pesadelo
que aconteceu o impossível.
ela de volta.

volta
com todas as implicações
do substantivo
do adjetivo
do verbo voltar.

Volta mesmo.
assim
com maiúscula.

volta para ficar.
volta de chegar com malas.
volta de trazer sorrisos
e dizer que a natureza
está chorando por nós
(e que
é por isso que ela voltou).

então
milhões de vezes agradeci à natureza
por ter chorado
a ponto de ser percebida.
por ter chorado
pra me fazer sorrir.
.
Vicente
.
.
.
" retratos agudos pregados no desejo gerundiam orgasmos de paixão escarlate..."
Loba

Continua aqui: http://www.corpusetanima.blogspot.com//
.

15 Novembro 2006

SE TIVER... EU PREFIRO

se tiver momentos de ver o sol
desaparecendo nas águas do mar
ainda que eu não more por perto
de perceber promessas
de adivinhar saudades
de evocar prazeres por sentir que isso é bom
eu prefiro.
.
Vicente
.
.
.
"Maravilhas nunca faltam no mundo, o que falta é a capacidade de senti-las e admirá-las."
(J.Paul Schmitt)
.

05 Outubro 2006

SE TIVER... EU PREFIRO

...Se tiver momentos de pensar
e ler
e fazer poesias inocentes
sem preocupação com as rimas
e ter momentos de ouvir melodias
de Caetano em Quarteto em Cy
e pensar na alma das melodias
a traduzirem pensamentos
e situações
e sonhos
e lembranças
e desejos
e projetos
eu prefiro.
.
Vicente
.
.
.
"Das coisas que eu mais queria, era saber por onde começar. O fio da vida se desenrola, embaraçado, cheio de nós, me envolvendo em teias rijas, muito mais fortes do que se possa imaginar à primeira vista..."
Ana Clara
.
Continua aqui: ALÉM DO QUE SE VÊ
.
.

03 Outubro 2006

IDAS DA VINDA

o sol
terno
e doce como a pluma do arco-íris
banhava
sem ostentação
um corpo azul e dourado.

eu me entregava
à faina de mil
ou muito mais de mil vezes adorá-la.

por todos os cantos.
por todos os ventos.
por todos os ares.
por todas as frinchas.

tudo à volta era paz
como se vivêssemos
ou víssemos
campos de ovelhas e sons.

tico-ticos
tico-tiquetavam.
bezouros
com enormes narizes de palhaço
nos faziam rir.

ríamos.
ríamos de tudo e de nada.
nossas roupas
brilhavam espumas de sabão em pó.

sob as sombras das sequóias
(ou eram sobre
já que pisávamos nelas?)
que sequer conhecemos
dormimos sonhos desesperados de silêncio
e pétalas
despetalados.

acordamos aos pesadelos.

somos todos esses pares de lembranças
do que vivemos.

hoje os campos?
cinza.
.
.
Vicente
.
.
.
“E que minha loucura seja perdoada.Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.”
Oswaldo Montenegro
.

02 Outubro 2006

ENTÃO A AMIGA SE FOI

então a amiga se foi.
embarcou em seu sonho.

camarote de primeira.

seguiu viagem rumo ao paradoxo.
sorriu a vida
com a sinceridade que se esperava
dela
e se foi.

foi fácil chegar ao seu destino
que raras vezes imaginara.
partiu sem dizer adeus
de cara limpa
e nem havia férias.

passagem só de ida
para lugares
que nunca existiram.
sonhos do amigo mais amigo
não foram considerados.

amargas palavras
como flechas
tingiram em cheio o alvo.

vá amiga
seja feliz.
feliz
no que existe de mais nobre na palavra
no que existe de mais íntimo no significado.

amontoa informações
e emoções
com olhos ávidos do inédito.
seja bem ida nos sonhos que sonhou
e se cansar da estrada sonhada
seja bem vinda.

venha para o braço do abraço
que o amigo lhe reserva
volte
venha
que o amigo lhe espera
.
Vicente
.
.
.
"...Escolheu a palavra como defesa pessoal. Aprendeu a dar os primeiros golpes ainda na infância, usando seus cadernos-sacos-de-pancada, guardados no ringue secreto do quarto. .."
Fernando Palma.
.
Continua aqui: MEUS RASCUNHOS
.

01 Outubro 2006

TRIÂNGULO

o não saber o que fazer
agir
pensar.

sentado
imóvel
estátua.

chegada em chegança repentina.
segundos seguindo-se.
tempo parado
no instante familiar da lembrança.
visões.

constrangidos.
todos.
mãos dadas.
namorado/namorada.
pregado à cadeira sem forças para levantar.
espera de reações que não vêm
por dentro
reações que se vêem na pele
nos nervos
no tímido esboçar do sorriso.

o amigo poeta.
a amiga poeta.
ajuda
socorro
levantar
abraço.

corações em desalinho
bocas secas
lábios em risco de denunciarem-se.
beijos no rosto
em cada face de carinho
com cheiros exatos de todos os cabelos
de todas as peles
pelas narinas oprimidas
a pesquisar odores
pelas pernas bambas
de sentir a emoção
dos reencontros em três
em trio
em triângulo
nem tão triângulo assim.
.
Vicente.
.
.
.
"...Levanta com os dedos frágeis uma de suas abas prateadas e com os olhos úmidos rastreia as pegadas que ele deixou na última nuvem de algodão por onde passou antes de sussurrar que ia para não mais voltar..."
Patrícia.
.
.
.
.Continue aqui: MEU MUNDO FICARIA COMPLETO
.

29 Setembro 2006

AQUELA AGRESSÃO

aquela agressão haveria de ser a última.
não há amor
nem amizade
nem carícias
nem lembranças
que deixem para trás o medo.

por isso
esse andar seguro e norteado
em direção ao centro
para que fique tudo às claras
na ocorrência.

registrado.

aquela agressão
haveria de ser a gota d’agua
que engorda a água
que recria a vida
que transborda o copo do amargo líquido
que sempre escorrera
que se esparramara
que desaguara desde sempre
em sua alma
em sua força de vontade
em sua fé
e até
em sua garganta.

aquela agressão
calou no fundo do seu peito
todos os efeitos do equívoco
de se sentir amada ou usada
de procurar objetivo
e encontrar derrota
nessas tantas rajadas
de chuvas e de ventos
em tempestades na sua vida

aquela agressão
seria definitivamente bem vinda
porque tivera o dom de despertá-la
para a reação da denúncia
e da coragem da fala

aquela reação
na hora lhe mostrara
que o amor não suporta a agressão
por isso ao sair da delegacia
estava convicta
de ter-se libertado da prisão.
.
Vicente
.
.
.
"O coração que trago no peito às vezes canta feito um pássaro cheio de amor e esperança canta do jeito de uma criança..."
Nilza
.
.
Continue aqui: PEDACINHOS DE MIM
.

26 Setembro 2006

SE FOSSE POESIA...

encontrei você tão poesia
enredada talvez em absurdas rimas
por isso me fiz poeta
e me tornei criador
e me fiz palavras e frases
enredos e tramas
verbos e memória
linhas e veios de poesias.

pPor ser poeta não aceito preconceitos
ao contrário
acolho possíveis sonhos místicos.
bsco em você tudo da concretude da nossa realidade
ou nem busco
sei lá.

desmistifico conceitos
de tempo e espaço.
recito versos desse credo
que você me ensina.

não temos sonhos nem sonos
risos ou enredos
fugas ou voltas
mas percebemos luzes
e nossos amores são breves
ou não são
mesmo quando não os fazemos
porque somos poeta/poesia.

nosso repasto
é rico em letras
e palavras.
e assim nos fizemos íntimos
e nos movemos em nossas rimas frias.
.
Vicente
.
.
.
"Não abandone suas ilusões! Quando elas partem, você pode até continuar existindo, porém deixou de viver. "
(Mark Twain)
.

24 Setembro 2006

IMPULSO

senti em mim o impulso
e a trava mais travada
a travar-me o desejo.

por muitas vezes senti vontades
de parar
de discutir
de te arrancar um beijo
só pra ver como é que a minha boca se comportaria
na tua.

e a trava que trava?
a pedra
o “mas”
o “talvez”
o sim e o não?
tudo e nada
a congelar-me a intenção.
.
Vicente
.
.
.


"...O segundo veio de um amor sorrateiro, que se apresenta sem pressa, num dia de mesmice, na coincidência de um sorriso. E então, sem explicações, ele cresce na quentura da madrugada e amanhece colado..."
Marcela Bertoletti
.
Continua aqui: Catavento e Cotovia

17 Setembro 2006

AMAR-SE

deixe transitar a regência do verbo amar.
porque é vida na ida
é linda na vinda.

...ame
sem se preocupar
com a correta conjugação
do verbo procriar.

mostre-se em concordância nominal
em dissonância verbal
em pontuação sentimental
sem pensar
sem questionar.

apenas sentir.

sinta-se amada.
sinta a plenitude do toque
perceba-se tocada
até sentir
a ilicitude
do gesto.
.
Vicente
.
.
.
"...quando passo a língua no lábio sorvendo resto de beijo..."
Márcia (Clarinha)
.
Continua aqui: http://www.brincandocomclarinha.blogspot.com//
.

16 Setembro 2006

E NEM HAVIA ESPELHO

ela perguntou se tudo estava bem.
perguntou por perguntar
porque estava só.
perguntou de si para si.
não se tratava de diálogo
mas
ao contrário
temia o desconforto
de estar falando sozinha
e até se perguntando.
e nem havia um espelho,
ora
bolas.

o sentimento de perceber
que as pessoas estavam indo embora
sobressaltou-a
incomodou-a
e questionou-se
ela própria
se não estava andando muito rápido.
voando alto demais.

no fundo da sua mente
lembranças hipócritas
movimentaram engrenagens
encarquilhadas
enferrujadas
e deparou-se com a
inexplicável colisão.

não podia se esquecer desses dias.
ali
metida no pijama
de flanelinha de bolinha
debaixo do edredon
preparando-se para assistir ao faustão.
e ninguém
ninguém mesmo
ao lado
que lhe desse a mão.
.
.
Vicente
.
.
"A razão insiste em me mostrar provas de que nada dará certo, mas a emoção é mais forte e me convence de que a paixão não tem uma forma pré-definida..."
FerNanda.
.
Continua aqui: http://www.onmymind.blogger.com.br//
.

11 Setembro 2006

O ENCONTRO

e o silêncio se prolongou
por quase um minuto.
e o sorriso saiu como um arremedo
uma imitação
desleixada e mal acabada
de um imenso nada.

melhor seria
se não houvera o encontro
.
.
Vicente
.
.
.
"A distância mais longa é entre a cabeça e o coração. .."
(Thomas Merton

09 Setembro 2006

NA ALCATÉIA

gosto das tuas ausências
como prenúncio de dias
de glórias
que se levantarão
em uivos de se ouvirem
de longes ausências.

da parte que me toca
eu gosto do sobressalto
de te procurar
em posts e delírios
de te encontrar
em saltos e cerejas e vidas
de damas e musas
que devoram
sem louvar a deuses
em clãs matriarcais
e em enigmas
de se encontrarem em dias
de prosas e poesias.

e quando calas por estar ausente
não se faz distante
porque te ouço em vozes
que não ressoam
e te vejo em olhares
que não enxergam
e te percebo em odores
que não te exalam.

e quando é noite de monitores
ainda mais te percebo
como se houvesses saltado
de sonhos
que compreendem sons
em polens
que distribuis em flores
e flores.
.
.
Vicente
,
,
,

08 Setembro 2006

UMA DEFINIÇÃO

não adianta nem tentar fingir
porque eu percebi.

existe
sim
algo que me fascina em você:
são os efeitos do que realiza em mim.
das coisas mais óbvias
como a mudança
(no estilo das roupas)
às mais complexas
como o direcionar de pensamentos
gestos
dar-se
em
atitudes e sentimentos.

seu sangue brinca em minha veia
seus olhos me emprestam
minha visão e meu equilíbrio.

você circula
em mim
na minha corrente sanguínea
por isso ando me sentindo mais solto.
parece pobre essa definição
mas não tentarei outra melhor.
melhor não.
.
Vicente
.
.
.
"...Sou de pedra e palavras mais pesado que o ar..."
Wilson Guanais
.
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05 Setembro 2006

NUNCA TEVE

ela já estava desanimada
de sentir falta de algo que
nunca teve
mas sempre acreditara
que seria
ou poderia
ser agora
que estava perto de ter
para crer.
ocorre que o agora sempre ficava para depois.
e quando chegava (se chegasse)
o agora já era tarde.

quando saía de casa (se saísse)
perdia-se em devaneios
porque a cada esquina tinha pensamentos
sobre tempos que nem existiram
porque nunca existiriam mesmo.

pensamentos a esmo
de braços e abraços com a esperança
de encontrar logo ali uma voz.
e quando dava de cara com a realidade
perdia-se naquela dor aflita
ardida e atroz
de saber que aquilo que não tivera
mas houvera de querer
nunca havia tido
também
talvez
nunca haveria de ter.

Vicente
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"Venham até a borda, ele disse. Eles disseram: Nós temos medo. Venham até a borda, ele insistiu. Eles foram, Ele os empurrou... e eles voaram."
(Guillaume Apollinaire)

04 Setembro 2006

FICA PRA DEPOIS

ela deixou que seus cabelos procurassem
minhas mãos
e se deixassem flutuar
em meus sonhos
por entre pontos das nuvens
que cobriam o céu da cidade

mas também havia o asfalto
que faz a volta
logo ali
onde terminam as beiradas da areia.

Vicente
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03 Setembro 2006

NO MUNDO DO FAZ-DE-CONTA

então
faz de conta que você gosta de ler
o que eu escrevo.
vou então entregar-lhe o momento
todas as palavras
e até
a emoção
de perceber que me lê.

vou olhar com delicadeza
para notar que a palavra
tocará os seus ouvidos
seus diversos coraçõe
suas vontades ambíguas.

ouça-me com as mãos
porque é importante
para o instante
que eu lhe fale
e você me pegue
porque assim pode tocar o que falo.

escuta-me
porque sem isso
eu não me abriria o coração
para as escutas
que você precisa.

Vicente
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"Já não sou peso incrustado no vazio núcleo do Grande Vôo, que infinito não tem começo."

Wilson Guanais - Renovação

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"Minha alma é feita de luz e trevas; nada de brumas. Ou faz bom tempo ou há temporal; as temperaturas variáveis são de pouca duração. "
(Victoria Ocampo)